quinta-feira, 16 de abril de 2026
IBGE

Pesquisa aponta aumento na ocupação no mercado de trabalho e queda no rendimento

Estudo divulgado pelo IBGE mostra dados do trimestre encerrado em outubro de 2021

Maria Paula Borgespor Maria Paula Borges em 28 de dezembro de 2021
Estudo divulgado pelo IBGE mostra dados do trimestre encerrado em outubro de 2021 | Foto: reprodução
Estudo divulgado pelo IBGE mostra dados do trimestre encerrado em outubro de 2021 | Foto: reprodução

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta terça-feira (28/12), aponta que o nível de ocupação no mercado de trabalho cresceu no trimestre encerrado em outubro de 2021, mas teve queda na renda.

A população ocupada somou 94 milhões de pessoas, apresentando crescimento de 3,6% ou 3,3 milhões de pessoas, ante o trimestre anterior e frente ao mesmo período de 2020, a alta é 10,2% ou 8,7 milhões de pessoas. A queda no rendimento real habitual é 4,6% frente ao trimestre anterior, passando para R$ 2.449.

Em relação ao mesmo trimestre de 2020, o recuo ficou em 1,1%. A massa de rendimento real habitual de R$ 225 bilhões não teve variações estatisticamente significativas em ambas as comparações, conforme dados da PNAD Contínua.

Segundo o IBGE, a estimativa do nível de ocupação, que é o percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar, é de 54,6%, significando elevação de 1,8 ponto percentual (p.p) em relação ao trimestre de maio a julho de 2021, que atingiu 52,8% e de 4,6 p.p na comparação com o mesmo período do ano anterior, 50%.

Dos dez agrupamentos de atividades, seis registraram crescimento na ocupação. A indústria geral subiu 4,6%, ou mais 535 mil pessoas; na construção civil foram 6,5%, ou mais 456 mil pessoas; no comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas 6,4%, ou mais 1,1 milhão de pessoas.

No mercado de alojamento e alimentação, o índice avançou 11%, ou mais 500 mil pessoas; em Outros Serviços foram 7,1%, ou mais 304 mil pessoas; e em Serviços Domésticos 7,8%, ou mais 401 mil pessoas.

Além disso, nove grupamentos registraram crescimento na ocupação em relação ao mesmo trimestre móvel de 2020. Em agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura foi registrada alta de 7,8%, ou mais 645 mil pessoas; o da indústria geral de 8,4%, ou mais 950 pessoas; da construção 19,2%, ou mais 1,2 milhão de pessoas.

Em relação ao comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas foi registrada alta de 10,9%, ou mais 1,8 milhão de pessoas; do transporte, armazenagem e correio 11,7% ou mais 509 mil pessoas; do alojamento e alimentação 26,3%, ou mais 1 milhão de pessoas; no de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas foram 8,4%, ou mais 861 mil pessoas; outros serviços foram 11,4%, ou mais 471 mil pessoas; e Serviços Domésticos de 21,1%, ou mais 1 milhão de pessoas.

Taxa de informalidade

Ainda que tenha apresentado aumento de 4,1% no número de empregados com carteira de trabalho no setor privado, se comparado ao trimestre anterior, a taxa de informalidade ficou em 40,7% da população ocupada, ou seja, 38,2 milhões de trabalhadores informais. No trimestre anterior, foi registrado 40,2% e, no mesmo trimestre de 2020, 38,4%.

Segundo Adriana Beringuy, coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, a pesquisa mostra que se começa a perceber uma espécie de generalização do processo de recuperação dos contingentes populacionais ocupados, mas o trabalhador informal tem menos salvaguardas para se manter fora do mercado. Entretanto, essas pessoas foram as que retornaram mais rápido ao mercado após os impactos da pandemia.

Retorno e rendimento

De acordo com Adriana, no primeiro momento ocorre uma recomposição da população ocupada, mas do ponto de vista da massa salarial e do rendimento gerado pela expansão, ainda não são observados efeitos positivos. “O impacto foi muito grande, muitas pessoas saíram do mercado, ou se afastaram temporariamente e agora retornam. Muitas pessoas oferecendo trabalho, boa parte encontrando só que com rendimentos menores”, comentou.

Segundo ela, o trabalho com carteira de trabalho tem apresentado queda de rendimento e, consequentemente, o trabalho informal tende a um rendimento menor. “O conjunto dos trabalhadores, independente da sua forma de inserção no mercado de trabalho, está com rendimento menor. Seja porque o próprio processo de absorção dos trabalhadores, empregados contratados a rendimentos menores, seja em função dos trabalhadores por conta própria auferirem uma renda menor”, afirma.

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