quinta-feira, 25 de junho de 2026
Constrangimento

Coco Bambu é condenado a indenizar mãe de criança com autismo por danos morais; entenda

Caso aconteceu em junho do ano passado na unidade “Conceito” do Golden Square Shopping

Maria Paula Borgespor Maria Paula Borges em 11 de fevereiro de 2022
Caso aconteceu em junho do ano passado na unidade “Conceito” do Golden Square Shopping | Foto: Golden Square Shopping
Caso aconteceu em junho do ano passado na unidade “Conceito” do Golden Square Shopping | Foto: Golden Square Shopping

O restaurante Coco Bambu está sendo condenado, por meio da Justiça paulista, a indenizar a mãe de uma criança com autismo por danos morais. Segundo a mulher, ela sofreu um constrangimento na unidade “Conceito” do Golden Square Shopping, em São Bernardo do Campo. O caso aconteceu em junho de 2021 e, conforme informações, a mãe levou o filho para brincar em um espaço de lazer situado próximo ao restaurante.

De acordo com o relato, o garoto estava brincando e, em dado momento, se dirigiu ao Coco Bambu, onde um músico se apresentava aos clientes do estabelecimento. Ao chegar no restaurante, o menino tentava subir ao palco e, antes que a mãe pudesse impedi-lo, o músico começou a reclamar de forma ríspida ao microfone, questionando se a criança não tinha mãe e pedindo para tirá-la do palco. “Essa criança não tem mãe? Dá para tirar essa criança daqui?”.

Segundo informações, o músico possui deficiência visual, entretanto, alertado pela mãe de que a criança tem autismo, ele afirmou, conforme a acusação que não se importava. “Para mim pouco importa se ele é autista ou não, quero que o retire daqui agora. Se você não consegue controlar, tem que trancar dentro de casa!”.

À Justiça, a mãe conta que pegou a criança e saiu chorando do restaurante. “A autora [do processo] viu todo esforço de inclusão de seu filho ser destruído por uma pessoa completamente despreparada”, afirmaram os advogados que representam a mulher, José Carlos Leal dos Santos Júnior e Ely Guedes Sales.

De acordo com eles, após o constrangimento, o gerente do restaurante procurou a mulher e pediu desculpas, oferecendo uma porção de batatas como cortesia. “Em vez de retirar o cantor do palco e exigir explicações, ele ofereceu uma porção de batatas”.

Em defesa, o restaurante disse não ter responsabilidade sobre os fatos, uma vez que o músico foi contratado por empresa terceirizada, a Eshows, e que, por ter uma deficiência visual elevada, o artista não conseguia ver de forma nítida o que estava acontecendo. “O músico tomou um susto, sendo obrigado a pedir que retirassem a criança para evitar que ela se machucasse”, disse o restaurante.

Além disso, o Coco Bambu disse à Justiça que o músico não ofendeu a criança ou a mãe. Sobre a batata, afirmou que o gerente ofereceu para agradar o menino e para que a mãe ficasse calma para “enxergar, sem tanta emoção envolvida, que o músico havia simplesmente pedido para que retirassem a criança, temendo acidentes”.

O músico, por sua vez, Valter da Silva Sobrinho, disse à Justiça que o relato da mulher é “mentiroso”. “Ninguém em sã consciência dirige ofensas gratuitas a qualquer criança! Se eu tivesse dito as coisas que estão me acusando, eu certamente teria sido linchado publicamente por todos à minha volta!”, defendeu.

Na sentença, o juiz Carlos Augusto Visconti disse que testemunhas confirmaram a situação de constrangimento e que “a fala do cantor foi muito agressiva perante o público”. A decisão condenou o restaurante, o cantor e a empresa Eshows ao pagamento de uma indenização de R$ 10 mil, valor que devera ser acrescido de juros e correção monetária.

A empresa afirmou na defesa que a versão dos fatos apresentada pela acusação não é verdadeira e que não houve ofensas. Eles podem recorrer da decisão.

Siga o Canal do Jornal O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do Jornal O Hoje.