Pesquisa indica que 63% das abordagens policiais no Rio de Janeiro têm como alvo pessoas negras
Foram ouvidos 3.500 moradores do Rio de Janeiro, com mais de 16 anos
Dados da pesquisa realizada pelo DataFolha apontam que a maioria das casas revistadas no Rio de Janeiro pertenciam a pessoas negras. Segundo a pesquisa, 63% das abordagens policiais, conhecidas como “enquadros”, têm como alvo pessoas negras. Foram ouvidos 3.500 moradores do Rio de Janeiro, com mais de 16 anos, entre os dias 4,5 e 6 de maio de 2021, e 739 responderam às perguntas do questionário.
O levantamento aponta que 17% dos entrevistados já foram enquadrados mais de 10 vezes por policiais. O perfil dos “super parados” são homens, negros de até 40 anos, moradores de favela ou de bairros periféricos.
“A Polícia tem o imaginário do elemento suspeito: aquele com bigodinho fininho e cabelinho ‘na régua’ que retrata a cultura negra favelada. A gente consegue ver que a partir dessa construção do elemento suspeito, a gente está criminalizando todos através da estética. Criminalizando um território “, comenta o pesquisador da Cesec Pedro Paulo Silva, em entrevista para o Uol.
A primeira edição da pesquisa sobre os alvos abordados pela polícia foi realizada no ano de 2003, e mesmo com quase 20 anos de pesquisa, os dados revelados não são animadores. A cientista social Silvia Ramos, responsável pela pesquisa elaborada em 2003, afirma em entrevista para o Uol, que a polícia é mais racista atualmente.
“A produção da imagem da guerra às drogas se intensificou, e a figura do jovem negro de favela hoje é ainda mais identificada como suspeito do que há 20 anos. A gente deu passos para trás e regrediu em termos de injustiça e igualdade. A polícia hoje é mais racista do que há 20 anos”, aponta Silvia Ramos.