sexta-feira, 9 de outubro de 2026
Opinião

Criptomoedas viram alternativa para russos e ucranianos em meio à guerra

Para evitar o esvaziamento das reservas bancárias ainda disponíveis, os bancos russos também colocaram limite de saques para a população.

Redação O Hojepor em

Por Cleberson Marques

As moedas digitais passaram a ser usadas para evitar o colapso financeiro nas economias da Rússia e da Ucrânia por causa da guerra que já dura três meses. Neste cenário, o Banco Central dos ucranianos suspendeu saques em moeda estrangeira e limitou a quantidade de moeda local que as pessoas podem retirar de caixas eletrônicos. No outro ponto do conflito, a Rússia sofre mais. 

O país de Vladimir Putin se viu sob forte pressão econômica, depois que começou a sofrer sanções econômicas por vários países do ocidente. A União Europeia excluiu sete bancos russos do sistema Swift [Sociedade de Telecomunicações Financeiras Mundial], que é um sistema bancário internacional, criado na Bélgica em 1973, com objetivo de padronizar informações financeiras e transferências de recursos entre bancos ao redor do mundo. As empresas russas estão tendo que negociar diretamente o sistema de pagamento com o parceiro comercial, seja por e-mail, telefone ou por um sistema próprio. Para evitar o esvaziamento das reservas bancárias ainda disponíveis, os bancos russos também colocaram limite de saques para a população. 

Solução adotada pelos dois países, as criptomoedas possibilitam a realização de operações financeiras para diferentes nações sem se submeter a regulações locais. A moeda Bitcoin (BTC) está sendo usada para pagar contas, transferir valores e como investimento para a proteção de reservas financeiras que estavam em moeda local. 

Segundo a Binance, maior balcão de ativos digitais do mundo, a Rússia saltou de uma média diária de 15 milhões de dólares em transações em criptomoedas em janeiro e fevereiro deste ano para 75 milhões de dólares diários. Já a Ucrânia, depois dos ataques russos, saltou de uma média de 11 milhões de dólares diários para 35 milhões de dólares em movimentação diária por meio das criptomoedas.

As criptomoedas nada mais são do que seu dinheiro eletrônico, porém com uma grande diferença: não existe uma entidade centralizadora que as controlam. Seu controle está em uma rede descentralizada que é concebida através da utilização de uma tecnologia chamada blockchain. 

A rede de registro mundial é formada pela soma dos computadores que a utilizam no mundo, gerando registros únicos, imutáveis e totalmente transparentes, porém criptografados, o que garante a proteção de dados sensíveis registrados pelo portador do registro nesta rede e garantindo a você e a mim o controle individualizado do dinheiro. Ou seja, nesse sistema, seu patrimônio é um título ao portador, não podendo ser impactado diretamente por qualquer intervenção de governo ou entidades financeiras. 

Sabemos que tudo sempre tem seu lado bom e seu lado ruim, e não seria diferente no ambiente das criptomoedas. Teremos movimentos empreendedores e promissores para o mundo, assim como tentativas de golpes e fraudes. De toda forma, já se sabe que essa é uma realidade sem volta. 

Como cidadãos, precisamos nos dispor a aprender e apreender essa nova realidade. Já os governos precisarão criar uma nova lógica de gestão econômica, sem afetar a liberdade conquistada com as criptomoedas. Falando nisso, o Brasil parece estar no caminho certo. Implantou o PIX, que é uma moeda digital em sua essência, e já planeja um novo passo com o lançamento do Real Digital, além da regulamentação da tokenização, um importante instrumento digital que garante a segurança dessas operações. Bem-vindo ao futuro.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:

Veja também

daniel

OPINIÃO

Alegria de Daniel acaba: Goiás foi à falência e não voltou

É impossível que o governador, reeleito com discurso de modernidade, esteja satisfeito com um Esta...
A vez é da equipe de Daniel e da presidência da Assembleia

OPINIÃO

A vez é da equipe de Daniel e da presidência da Assembleia

Nem Zacharias Calil, que é parlamentar federal, tirou quase 1 milhão de votos, é profissional con...
Aava tem 123 mil votos, mas fica fora da Câmara e resultado expõe fragilidade do PSB sob sua própria presidência

OPINIÃO

Aava tem 123 mil votos, mas fica fora da Câmara e resultado expõe fragilidade do PSB sob sua própria presidência

Presidente estadual do PSB, vereadora teve a sétima maior votação para deputado federal em Goiás...
Entorno do DF é o mapa da mina da eleição para governador desde 1998

OPINIÃO

Entorno do DF é o mapa da mina da eleição para governador desde 1998

Região Metropolitana de Brasília tem 1 milhão de eleitores, com ambições próprias, sem qualque...
flávio

OPINIÃO

Vinda de Flávio definiu que 2º turno será Daniel x Wilder em Goiás

Bolsonarismo reage nos últimos dias e institutos de pesquisa ainda não alcançaram os que se decid...
gracinha

OPINIÃO

Quais candidatos a senador vão desistir em favor de Gracinha?

Dois ex-ministros, um de Temer, outro de Bolsonaro, renunciaram à candidatura em SP para que os fav...
Daniel fazer seu grupo crer que vai ganhar no 1º turno pode complicar no 2º

OPINIÃO

Daniel fazer seu grupo crer que vai ganhar no 1º turno pode complicar no 2º

Quando Caiado precisou de Vilela para se eleger senador, em 2014, não pôde contar, o que descamba ...
A dez dias da eleição, debate entre candidatos ao governo de Goiás termina sem empolgar eleitor

OPINIÃO

A dez dias da eleição, debate entre candidatos ao governo de Goiás termina sem empolgar eleitor

Com propostas e críticas, candidatos mostraram preparo, mas faltaram conexão com o público, difer...