domingo, 11 de outubro de 2026
Opinião

Guerra cibernética: os riscos dos baixos investimentos no Brasil

Ao contrário de uma guerra convencional, a cibernética não tem fronteiras, ou seja, não se limita a determinado espaço geográfico

Redação O Hojepor em

Cristiano Bernardi Júnior

Quando ouvimos falar ou lemos alguma matéria sobre ataques cibernéticos, normalmente observamos que são ocorrências contra indivíduos ou empresas. Porém, podem existir ataques cibernéticos mais sofisticados, com objetivos estratégicos e/ou geopolíticos. As consequências também podem romper a barreira tecnológica e trazer impactos físicos ou cinéticos, que são raros, porém mais temidos, porque geralmente estão associados à espionagem industrial e financeira.

Ao contrário de uma guerra convencional, a cibernética não tem fronteiras, ou seja, não se limita a determinado espaço geográfico, por isso os países não envolvidos diretamente na questão motivadora também podem ser afetados.

E como as empresas do setor privado poderiam ser afetadas em caso de um ataque cibernético? A título de exemplo, um ataque direcionado a um site que esteja armazenado em uma nuvem pode afetar também outros serviços que estejam utilizando o mesmo ambiente, como uma loja virtual ou até mesmo uma base de dados. Ou seja, quanto mais uma empresa se desenvolve e expande seu ambiente tecnológico, mais suscetível a ataques ela está.

Dessa forma, não ter um bom plano de continuidade, backups e outros controles pode significar a indisponibilidade de diversos serviços em uma guerra cibernética, mesmo que o país não esteja participando diretamente.

Outros fatores, como o crescimento econômico e a liderança de mercados, como a importação de proteína animal, podem fazer com que empresas e países se tornem cada vez mais alvos de ataques e espionagem. No Brasil, por exemplo, algumas das tentativas de ataque recentes foram identificadas em players do agronegócio e em órgãos governamentais.

Mesmo com o avanço da segurança da informação e da proteção de dados, o Brasil ainda aparece como um dos países com mais credenciais e dados vazados no último ano. Segundo relatório da Netscout, o Brasil é segundo maior alvo mundial de ciberataques, atrás apenas dos Estados Unidos, que lidera o ranking. O baixo investimento frente ao cenário, a falta de conscientização e a elevada quantidade de sistemas legados utilizados são fatores que contribuem para esta marca.

É importante considerar que praticamente 100% dos colaboradores das empresas possuem dados pessoais armazenados em sistemas públicos, e essas informações podem, sim, ser utilizadas para ataques direcionados ao setor privado. Outro ponto importante também é a consolidação das organizações criminosas, que utilizam o cibercrime como um negócio, com estratégias, metas definidas e até mesmo plano de carreira para seus integrantes, além de um alto retorno financeiro.

Em um cenário cujo aumento do interesse de cibercriminosos no Brasil é uma tendência, será necessária a disseminação de informação em todas as esferas populacionais, assim como um desenvolvimento de segurança em camadas para todas as empresas, especialmente as do setor público, que têm uma responsabilidade ainda maior em relação à proteção das informações pessoais.

É essencial que as lideranças dos setores privado e público estejam atentas e dispostas a aperfeiçoarem a sua postura de segurança da informação, dado que o setor de atuação e a relevância de suas informações sob custódia, entre outros fatores, podem ser motivadores para uma tentativa de ataque cibercriminoso.

Cristiano Bernardi Júnior é consultor de Cyber Security & Data Privacy de empresa especializada em soluções para gestão de riscos

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