domingo, 1 de novembro de 2026
Era Digital

Banquinhas de jornais tentam sobreviver em meio a digitalização

Jornais e revistas tiveram no ano passado queda de 13%, mas houve um crescimento nas suas versões online

Sabrina Vilelapor em

A banca de jornais e revistas da Tamandaré existe há 30 anos. O proprietário, João Ribamar de Sousa, possuía várias outras banquinhas, mas ao longo do tempo teve que vender para  conseguir manter apenas uma. O seu João se preocupa em preservar os costumes tradicionais. Mesmo com a baixa procura nos últimos anos ele se desdobra para manter a banca que a cada dia que se passa recebe menos leitores. 

“Aqui vendemos cigarros, balas, chocolates e refrigerantes apenas para ser mais atrativo, porque não ajuda muito no lucro que caiu muito nos últimos tempos”, relata Glenda Rúbia Tavares, funcionária da banca há 13 anos. A maior procura da banca é colocar créditos na carteirinha para andar de ônibus. “Eu e a filha do seu João temos que ficar convencendo ele de modernizar algumas coisas aqui já que ele ainda é apego com as coisas mais antigas. No entanto, a banca é mantida ainda por amor”, relata a vendedora que destaca que não tem como contar só com o lucro do local. 

Para Glenda manter as bancas apesar das dificuldades é uma forma de manter a cultura já que atualmente os jovens não gostam muito de ler e a procura por esses locais são por pessoas idosas. Segundo Glenda a diminuição pela procura é por causa da modernidade, mas com a pandemia piorou mais ainda. “Antes vendíamos só de jornal 12 agora nem 6 chega aqui para a gente”. Ela destaca ainda que o valor das revistas subiu muito visto que a demanda diminuiu e os preços estão praticamente o dobro em relação ao início da banca. 

A tradicionalidade que permanece até hoje é a venda de revistas para colagem de figurinhas da Copa do Mundo. “Só nesta sexta quatro pessoas passaram aqui perguntando se tinha chegado. Quando é na época da Copa as pessoas ficam aqui nas esquinas trocando as figurinhas, se reúne muita gente para fazer as trocas”. 

Existem clientes que vão até a banca desde que ela foi criada e que às vezes têm dificuldade de aceitar algumas mudanças. “Um senhorzinho ficou bravo comigo essa semana porque pulamos três edições da revista que ele gosta. Mas, o cliente não entende que é tudo consignado. A distribuidora define para quem manda conforme as saídas”, conta a funcionária. 

O dia que a banca mais vende, de acordo com a funcionária, é no domingo porque ainda sai muitas revistas semanais. “Durante a pandemia ficamos 28 dias fechados, ainda estamos nos recuperando”, conta Glenda. A revistaria da Tamandaré, por ser a mais antiga, consegue receber as revistas e gibis que são mais difíceis de encontrar em outros lugares. 

Já o aposentado Canrobert Tormin, 64, passa de vez em quando em revistarias porque ele ainda acha ser muito prazeroso o impresso. “Há cerca de cinco anos eu costumava ir a bancas com mais frequência para comprar jornal, gibi e revista de aviação e quatro rodas. Agora não faço tanto porque tem muita coisa no celular e com a pandemia eu deixei de frequentar mais esses lugares”, esclarece. 

História e declínio

As bancas de jornais e revistas existem no Brasil desde 1860, mas não com o nome que conhecemos agora. Antes as pessoas que ficavam responsáveis pelas vendas desses artigos eram chamados de jornaleiros ou gazeteiros e recebiam por comissão percentual. 

 O termo “banca” surgiu primeiro no Rio de Janeiro. Em 1910 as primeiras bancas de madeira ou metal começaram a aparecer nas ruas das cidades brasileiras. Ao longo dos anos passou por mudanças  como passar a ser um lugar regulamentado em 1954 e a concorrência com as lojas de conveniências em 1998.

No início da década de 2000 foi permitida a venda de outros artigos como Cds, alimentos e canetas. Já a partir de 2013 as revistarias passaram a vender diversos artigos como salgadinhos e refrigerantes.

Com a pandemia que teve início em 2020 com o passar dos anos, bancas de revistas e jornais têm se tornado cada vez mais incomuns já que para fazer a sua leitura favorita basta ter um aparelho que cabe na palma da mão. Segundo o Instituto Verificador de Comunicação, em 2021 jornais e revistas tiveram a circulação impressa com queda de 28%, as versões em digital retraíram 21% e a total diminuiu 25%.

Jornais e revistas tiveram no ano passado queda de 13%, mas houve um crescimento nos que conseguiram fazer as suas versões online. No entanto, a pesquisa aponta ainda que no que se trata de revistas, elas não conseguiram se manter tão presentes no universo online. Os dados apontam que houve queda desses veículos semanais no meio digital, cerca de menos 21% que acompanhou os resultados das versões impressas, que representam menos -28%.Os dados apontam ainda que os 10 jornais impressos considerados os principais – Folha de S.Paulo (SP), O Globo (RJ), O Estado de S. Paulo (SP), Super Notícia (MG), Zero Hora (RS), Valor Econômico (SP), Correio Braziliense (DF), Estado de Minas (MG), A Tarde (BA) e O Povo (CE) – diminuíram cerca de 12,8% se comparar 2020 e 2021 nas vendas físicas. Consequentemente, o número de tiragens de outros jornais foi diminuindo também e o preço passou por acréscimos a cada ano. O que torna as assinaturas online mais atrativas que ir em busca do material impresso.

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