segunda-feira, 26 de outubro de 2026
30% da população brasileira

Mais de 62 milhões de brasileiros vivem abaixo da linha da pobreza, aponta FGV

O número representa aumento de 9,6 milhões em relação a 2019, de acordo com os dados apresentados no Mapa da Nova Pobreza, divulgado pela Fundação Getúlio Vargas Social

Rodrigo Melopor em

Em 2021, cerca de 29,6% da população brasileira tiveram renda domiciliar per capita de até R$ 497 mensais. O percentual corresponde a 62,9 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza. O ínice é maior valor desde o começo da série histórica, iniciada em 2012. O número representa aumento de 9,6 milhões em relação a 2019. Os dados foram apresentados no Mapa da Nova Pobreza, divulgado pela Fundação Getúlio Vargas Social (FGV Social).Mais de 62 milhões de brasileiros vivem abaixo da linha da pobreza, aponta FGVMais de 62 milhões de brasileiros vivem abaixo da linha da pobreza, aponta FGV

Segundo levantamento feito em março deste ano pelo Procon Goiás, um trabalhador que recebe apenas o salário mínimo (R$ 1.212), o comprometimento mensal com a cesta básica é de R$ 670,68), o que corresponde à de 55,34% do salário.

A alta do desemprego e a alta da inflação são apontados como fatores para o empobrecimento da população, segundo o diretor da FGV Social, Marcelo Neri. Ele omentou que o cenário foi impactado por crise em cima de crise, uma delas causada pela pandemia, que veio de fora do país, o que ocorreu também no período do choque do petróleo em 1982.

Distribuição geográfica

O estudo também analisou a sua composição geográfica da pobreza para identificar os seus estoques e fluxos no território brasileiro. Santa Catarina foi a unidade da federação com a menor taxa de pobreza em 2021 (10,16%). Já a maior proporção de pobres estava no Maranhão (57,90%).

Entre os 146 estratos espaciais segmentados na pesquisa, o litoral e a Baixada Maranhense foram os de maior pobreza em 2021 (72,59%). Em movimento contrário, o menor foi o município de Florianópolis (5,7%).

Na avaliação por unidade da federação, entre 2019 e 2021, o maior avanço da pobreza se deu em Pernambuco (8,14 ponto percentual), seguido de Rondônia (6.31 ponto percentual) e do Espírito Santo (5,92 ponto percentual). Conforme o estudo, as únicas quedas de pobreza no período foram observadas em Tocantins (0,95 ponto percentual) e Piauí (0,03 ponto percentual).

Auxílios

Neri destacou que, na pandemia, o nível da ocupação no mercado de trabalho sofreu grande impacto e caiu muito representando um choque nunca visto antes nas séries. O professor comentou que o Benefício Emergencial para Preservação do Emprego e da Renda (BEm) amorteceu parte do impacto, mesmo assim, houve queda significativa da ocupação.

Neri teme que os ganhos, como a queda do desemprego, sejam minimizados pela inflação: “É verdade que teve uma recuperação de ocupação, desemprego já estava cedendo e continua cedendo em 22, só que a inflação alta acaba corroendo a renda das pessoas no mercado de trabalho”, disse.

O professor falou também sobre o papel do auxílio emergencial durante a crise. Segundo ele, o pagamento do auxílio, que em nove meses foi equivalente a nove anos de Bolsa Família, fez com que a pobreza caísse ao nível mínimo. No entanto, com a interrupção do benefício, o indicador voltou a subir.

Ele cita também que, na passagem do auxílio emergencial para o programa Auxílio Brasil, mais de 20 milhões de pessoas deixaram de ser incluídas.

“Quem estava no programa teve um grande benefício, mas teve as pessoas que saíram e a pobreza reflete essa flutuação da política social, que é ruim para o bem-estar da população. Esse é o segundo grupo de efeitos”, concluiu, completando que, com a adoção do Auxílio Brasil, no fim de 2021, a situação melhorou.

Sobre a pesquisa

O foco do estudo é avaliar o nível e a evolução espacial da pobreza durante os últimos anos no Brasil, usando os microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad)  Contínua Anual, disponibilizados recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). (Com informações da Agência Brasil)

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