terça-feira, 6 de outubro de 2026
Opinião

Senado aprova PEC da bondade recomendada por Jair Bolsonaro 

O Senado aprovou, há 11 dias, a Proposta de Emenda à Constituição que permite que o presidente Jair Bolsonaro (PL) fure o teto de gastos

Redação O Hojepor em

Júlio César Cardoso 

O Senado aprovou, há 11 dias, a Proposta de Emenda à Constituição 16/2022 que, entre outras coisas, permite que o presidente Jair Bolsonaro (PL) fure o teto de gastos e distribua bilhões de reais a menos de três meses das eleições. O texto segue agora para apreciação da Câmara dos Deputados. A proposta permite que o presidente injete dinheiro em programas sociais até o fim do ano sem os impedimentos da legislação eleitoral.

Apelidada de “PEC do Desespero” e “PEC Kamikaze”, a proposta aprovada pelo Senado poderá ter um impacto de R$ 41,25 bilhões nos cofres públicos e prevê a ampliação temporária do Auxílio Brasil em R$ 200, levando benefício mínimo a R$ 600 até o final do ano. O texto também autoriza a criação de uma bolsa de subsídio para caminhoneiros e dobra o valor do Auxílio Gás.   

“Hoje, fui o único senador a votar contra a PEC 16, aprovada em conjunto com a PEC 1/22, apelidada de PEC Kamikaze. Por esse nome já sabemos que se trata de uma bomba fiscal. Essa PEC viola a Lei de Responsabilidade Fiscal e fura o teto de gastos”, escreveu o senador José Serra (PSDB-SP) em seu perfil no Twitter. 

Brasil vergonhoso de políticos sacripantas, que para reeleger Bolsonaro inventam estado de emergência para distribuir bondades em troca de favores eleitorais, não importando para isso a consequente infração às regras fiscais, eleitorais e constitucionais vigentes, porque, como sói acontecer, os canastrões políticos estão sempre atentos para encontrar saída solerte, por meio de PEC, visando a encobrir as safadezas, que maculam a imagem do Congresso.  

Os nossos políticos, com algumas exceções, não valem um vintém. Votar em político, no Brasil, é perda de tempo! E ainda existem aqueles paraquedistas senadores suplentes, que não receberam nenhum voto e interferem nas decisões do País.  

As regras para os políticos e governos brasileiros só existem no papel. Na prática vigora o jeitinho corrupto de encontrar saída indecorosa para atender aos interesses sórdidos da corja política nacional. 

Fazer agrado com o dinheiro público, em véspera de eleição, mesmo ferindo os impedimentos legais, é indicativo do grau de irresponsabilidade de nossos políticos e governos. Assim, a engenharia política corrupta sempre encontrará maneira de burlar a norma, quando o objetivo for – independentemente dos meios empregados – alcançar os fins colimados. 

O senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), relator da “PEC das bondades”, é o novo Romero Jucá, ex-senador que vestia a camisa de quaisquer governos no Senado para defender medidas as mais absurdas.  

Para blindar o presidente Bolsonaro de coisa parecida com pedaladas fiscais, Fernando Bezerra, político matreiro da velha guarda de se fazer política no País, não hesitou em suas elucubrações para encontrar a solução alquimista de atender aos anseios, não do povo, mas do presidente Bolsonaro visando a sua reeleição.  

A justificativa esdrúxula de invocar o estado de emergência para conciliar interesses do governo é uma forma solerte de burlar a atual Constituição Federal.   

O País, antes da pandemia do coronavírus, dos efeitos da guerra na Ucrânia etc., já trazia em seu bojo uma série de problemas sociais, tais como miríades de cidadãos vivendo abaixo da linha de pobreza, desemprego, falta de habitação, saneamento básico, educação, saúde e segurança. E, mesmo assim, os governos e políticos jamais lançaram mão de medidas de estado de emergência temporárias para socorrer o País. Por que somente agora, a 83 dias da eleição, toda essa preocupação com o Brasil? 

Júlio César Cardoso é servidor federal aposentado

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:
Opinião Senado

Veja também

Aava tem 123 mil votos, mas fica fora da Câmara e resultado expõe fragilidade do PSB sob sua própria presidência

OPINIÃO

Aava tem 123 mil votos, mas fica fora da Câmara e resultado expõe fragilidade do PSB sob sua própria presidência

Presidente estadual do PSB, vereadora teve a sétima maior votação para deputado federal em Goiás...
Entorno do DF é o mapa da mina da eleição para governador desde 1998

OPINIÃO

Entorno do DF é o mapa da mina da eleição para governador desde 1998

Região Metropolitana de Brasília tem 1 milhão de eleitores, com ambições próprias, sem qualque...
flávio

OPINIÃO

Vinda de Flávio definiu que 2º turno será Daniel x Wilder em Goiás

Bolsonarismo reage nos últimos dias e institutos de pesquisa ainda não alcançaram os que se decid...
gracinha

OPINIÃO

Quais candidatos a senador vão desistir em favor de Gracinha?

Dois ex-ministros, um de Temer, outro de Bolsonaro, renunciaram à candidatura em SP para que os fav...
Daniel fazer seu grupo crer que vai ganhar no 1º turno pode complicar no 2º

OPINIÃO

Daniel fazer seu grupo crer que vai ganhar no 1º turno pode complicar no 2º

Quando Caiado precisou de Vilela para se eleger senador, em 2014, não pôde contar, o que descamba ...
A dez dias da eleição, debate entre candidatos ao governo de Goiás termina sem empolgar eleitor

OPINIÃO

A dez dias da eleição, debate entre candidatos ao governo de Goiás termina sem empolgar eleitor

Com propostas e críticas, candidatos mostraram preparo, mas faltaram conexão com o público, difer...
Fake news e corrupção já venceram nas urnas de 2026 e querem mais

OPINIÃO

Fake news e corrupção já venceram nas urnas de 2026 e querem mais

Além dos crimes atribuídos em Goiás a familiares do governador e a fintech que operaria em seu ma...
Quem for ao 2° turno com Daniel será o próximo governador de Goiás

OPINIÃO

Quem for ao 2° turno com Daniel será o próximo governador de Goiás

Além dos efeitos da vitória de Lula ou Flávio, a chapa oficial em Goiás aumenta pressão sobre s...