sábado, 7 de novembro de 2026
Inflação

Supermercados estão com menor estoque em dois anos e preços mais altos

Supermercados estão com o menor estoque em dois anos, mas preços altos

Maria Paula Borgespor em

Nos últimos dias o brasileiro tem se deparado com a queda no preço dos combustíveis após redução de tributos federais e estaduais, aliviando levemente a inflação mais alta vista desde 1996 no país. Entretanto, mesmo com o alívio no momento de abastecer o automóvel, os preços de alimentos nas prateleiras de supermercados seguem altos, além da baixa estocagem encontrada nos estabelecimentos.

Segundo a Neogrid, especializada em cadeiras de suprimentos, o índice geral de produtos em falta nas prateleiras calculado teve queda em junho, ficando em 11% comparado aos 11,5% de maio. O diretor da empresa, Robson Munhoz, avalia que o varejo alimentar trabalha com o menor índice de estoques em dois anos, afirmando que varejistas não estão comprando por oportunidade, mas por necessidade.

De acordo com o economista Aurélio, o processo inflacionário que gerou a falta de insumos começou junto com a pandemia. O economista explica que a inflação passou a ser de custo, já que os preços aumentaram. Anteriormente, ele avalia que a inflação era de demanda, quando “vamos ao supermercado querendo comprar um certo produto e não tem para todo mundo”.

Diante da análise de Aurélio, a transição entre a inflação de demanda e de custo acontece a partir do momento que o consumidor compra um produto mais caro e quando o comerciante coloca esse insumo com preços elevados. Além disso, ele afirma que existe outra inflação, a e preços administrados. “É uma inflação de custo quando você aumenta combustível, energia elétrica e gás natural, isso reflete diretamente no preço final do produto, porque as indústrias produzem com energia elétrica, com gás natural ou algum produto fóssil”.

Ainda na análise de aumento de preços, o economista avalia que se as indústrias produzem usando esses produtos que estão caros no mercado, naturalmente o custo de produção aumenta, porque irá agregar no custo de produção.

Cadeia de aumento de valor

Aurélio pontua uma cadeia de aumento de valor, em que se tem a cadeia da produção, a da transformação, do transporte e da venda do produto no supermercado, conjunto que agrega valor para o produto, definindo o preço final.

O economista afirma que, apesar do processo inflacionário brasileiro, existe a tendência de abaixar e alguns produtos sofrerão reajuste nos preços nos próximos meses. Mas ele ressalta que alguns insumos irão ter o valor mais baixo e outros terão que aumentar.

Segundo Aurélio, o valor dos alimentos está com preço relativamente normal. “Quando a gente fala de inflação, de aumento de preços de produtos, por exemplo, o saco de arroz de 5kg custa R$ 23 e o quilo de feijão custa de R$ 7 a R$ 9, todo mundo reclama e acha caro, mas ninguém acha caro quando vai no McDonald’s ou no Burger King e compra um combo de R$ 35 com um sanduíche, uma batata frita e um refrigerante. Então, as pessoas têm que parar de reclamar da alimentação e dizer que está caro, na verdade, reajustou para um preço relativamente normal”.

Preço do leite

Mesmo com a análise, o economista reconhece que alguns produtos disponibilizados nas prateleiras de supermercados estão mais caros, como é o caso do leite. Nesse caso, Aurélio diz que o motivo é a cadeia do leite.

“Ela funciona da seguinte maneira, tem o produtor rural, aquele que cria o gado, que alimenta ele e as vacas. As chamadas vacas cruzadas são as que dão em média 20 litros de leite ou até mais, e esse leite você só consegue aumentar e ter uma produtividade boa se tiver uma boa alimentação do animal que, naturalmente, precisa comer bastante para poder dar leite”, explica.

De acordo com ele, as vacas costumam ser tratadas no pasto e são dados a elas alguns minerais que fazem com que a vaca produza mais leite. “Hoje em dia não está tendo muito pasto com a seca que está tendo, então a produção de leite deu uma diminuída”, ressalta. Outra pontuação feita pelo economista é que o produtor entrega o leite para um laticínio, chamado de oligopsônio, ou seja, um comprador para vários vendedores de uma determinada região, portanto esse laticínio compra leite de várias fazendas e, como ele é o único cliente daquele lugar, ele mesmo define o preço. “Muitas vezes o produtor de leite vai vender por R$ 3,50, esse leite vai para as usinas de pasteurização, que gera custo. Depois é embalado e vendido para os supermercados que também precisam de lucro”, finaliza.

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