segunda-feira, 25 de maio de 2026
Doença crônica

Brasil é o primeiro país a oferecer testes rápidos para Hanseníase

Ministério da Saúde anunciou a distribuição de 150 mil testes para o Sistema Único de Saúde (SUS)

Anna Letícia Azevedopor Anna Letícia Azevedo em 29 de março de 2023
As unidades dos testes foram destinadas às pessoas que tiveram contato com outras pessoas com casos confirmados da doença | Foto: Divulgação/ Freepik
As unidades dos testes foram destinadas às pessoas que tiveram contato com outras pessoas com casos confirmados da doença | Foto: Divulgação/ Freepik

O teste rápido desenvolvido na Universidade Federal de Goiás, em parceria com setor privado, faz parte da Estratégia Nacional para Enfrentamento à Hanseníase 2023-2030, proposta pelo Governo Federal. Dessa forma o teste fará com que os diagnósticos sejam mais rápidos o que possibilita o início do tratamento. Além disso, demonstra a importância dos investimentos em pesquisa no país, que viabilizam conquistas para a saúde pública. 

O Ministério da Saúde anunciou a distribuição de 150 mil testes para o Sistema Único de Saúde (SUS), em janeiro, durante a cerimônia de abertura do seminário “Hanseníase no Brasil: da evidência à prática”. Nesta ocasião, a ministra da Saúde, Nísia Trindade, ainda pontuou sobre a importância do incentivo à pesquisa no Brasil: “Hoje, o Ministério da Saúde anuncia a entrega dos testes que são fruto de pesquisas realizadas por instituições brasileiras. O teste rápido pela Universidade Federal de Goiás e o PCR pela Fiocruz e Institutos de Biologia Molecular do Paraná”.

Como também Angélica Espinosa, representante da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVS/MS), pontuou sobre a importância da luta contra a doença, que vai além da saúde fisiológica até um estigma cultural. “Não é apenas a doença que é negligenciada, mas também as pessoas. Por isso esse seminário é tão importante. O esforço conjunto no combate à infeção é essencial para vencer uma doença que, historicamente, é carregada de estigma”.

As unidades dos testes foram destinadas às pessoas que tiveram contato e prolongado com outras pessoas com casos confirmados da doença, estes ainda estavam em duas categorias: o teste rápido (sorológico) e o teste de biologia molecular (qPCR). Estas modalidades foram incluídas no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de Hanseníase desde o ano passado. 

O teste que recebeu o nome de Bioclin Fast Ml Flow Hanseníase foi desenvolvido pela professora Samira Buhrer, pesquisadora do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública (IPTSP) da UFG, com uma equipe de colaboradores, no Laboratório de Desenvolvimento e Produção de Testes Rápidos (LDPTR). 

Nesse sentido ele funciona por meio de um pequeno volume de amostra de sangue ou soro do paciente, baseado na reação antígeno/anticorpo. Assim, após esta coleta ocorre a análise do material, para a identificação do anticorpo IgM, que leva a formação de uma linha vermelha e apresenta o diagnóstico positivo para a presença da doença. 

A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia, informou que na capital os testes ainda estão no período de implementação no município, e quando esta for finalizada repassará mais informações. 

O que é Hanseníase?

Existem registros de casos de Hanseníase que remontam os períodos bíblicos, com relatos de casos desde 600 a.C. Nessa época a doença era chamada de “lepra”, nome que convencionou-se chamar até recentemente, e que carrega um preconceito social, causado pelas manifestações de manchas na pele, pessoas que tinham a doença a anos atrás eram isoladas do convívio. Entretanto o tratamento da patologia e os estudos desenvolvidos na área tem a cada dia mais conseguido diminuir essa repressão.

Conforme a Sociedade Brasileira de Patologia, a Hanseníase é uma doença que se manifesta na pele e geralmente apresenta manchas na pele, com diminuição local da sensibilidade à dor, ao toque, ao calor e ao frio, além de diminuição da força. Além disso, é causada por uma bactéria chamada Mycobacterium leprae, também conhecida como bacilo de Hansen. A transmissão se dá por meio do contato prolongado com pessoas portadoras da doença. 

No Brasil, o tratamento é disponibilizado pelo SUS e após o diagnóstico o paciente pode receber a medicação de forma gratuita. O que ocorrerá de forma mais ágil por meio do teste rápido. Outro ponto importante a ressaltar é que o país tem a incidência de 30 mil novos casos anuais. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é o país na América com maior incidência de casos da doença.

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