domingo, 11 de outubro de 2026
Gestão

Nem sempre governadores goianos elegem sucessor

Ronaldo Caiado, que impediu uma sucessão em 2018, aposta em Daniel Vilela

Francisco Costapor em
Ronaldo Caiado, que impediu uma sucessão em 2018, aposta em Daniel Vilela | Foto: Reprodução
Ronaldo Caiado, que impediu uma sucessão em 2018, aposta em Daniel Vilela | Foto: Reprodução

É certo que o vice-governador Daniel Vilela (MDB) deverá ser o sucessor de Ronaldo Caiado (União Brasil). O atual gestor tem ampla base na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) e, conforme os últimos levantamentos, goza de prestígio junto à população goiana. 

Neste sentido, ele pode, realmente, ter sucesso em fazer o sucessor. Claro, as variáveis são grandes e o cenário político é instável. Ainda assim, as expectativas giram em torno de Vilela. Pelo estado, é preciso lembrar, não há regra e ambos os casos já aconteceram.

Começando pela redemocratização, Iris Rezende “fez” Henrique Santillo em 1987. Contudo, eles romperam e, em 1991, o ex-prefeito de Goiânia retornou ao cargo de Executivo estadual. Naquele ano, o emedebista derrotou Paulo Roberto Cunha com 56,39% dos válidos. 

Segundo analistas consultados, Iris tentava manter influência na gestão Santillo, mas, sem sucesso, brigaram. Para assumir em 1995, contudo, o cacique do MDB conseguiu levar um sucessor ao poder: o vice Maguito Vilela. Ele derrotou Lúcia Vânia, com resultado de 56,42% a 43,58% no pleito de 1994.

Maguito até poderia disputar a reeleição em 1998 – já permitida naquele momento –, mas preferiu concorrer ao Senado. Ele tentaria ajudar o ex-governador Iris Rezende a fazer o retorno ao cargo, mas, dessa vez, não houve sucesso em fazer o sucessor. 

Em eleição apertada, o segundo turno terminou favorável ao ex-governador Marconi Perillo (PSDB): 53,28% a 46,72%. Em 2002, o tucano se reelegeu e, em 2006, fez o sucessor, o então vice Alcides Rodrigues, que derrotou Maguito por 57,14%. 

Com situação semelhante à de Iris e Santillo, Marconi rompeu com Alcides e entrou na disputa em 2010 como oposição. Ele enfrentou, contudo, Rezende, novamente, e venceu por 52,99% a 47,01%. Em 2014, se reelegeu contra o mesmo adversário: 57,44% a 42,56%. 

Já no ano 2018, Marconi tentou emplacar o vice, José Eliton, que terminou em terceiro na disputa, com 13,73%. O governador Ronaldo Caiado levou o pleito em primeiro turno com 59,73%. O segundo colocado foi Daniel Vilela, 16,14%.

Caiado se reelegeu em 2022 com Daniel na vice. Em 2026, a expectativa é de emplacar Vilela para governador e fazer o sucessor. O páreo, que ainda está longe, já teve nomes ventilados. O próprio Marconi Perillo pode tentar, mais uma vez, ocupar o Palácio das Esmeraldas. O senador Vanderlan Cardoso (PSD), que encerra o mandato, também é cotado, assim como Wilder Morais (PL), que ainda estará na metade da gestão no Senado. Por fora, o PT também pode colocar um nome na disputa.

Daniel

Caiado tem dado protagonismo a Daniel desde o começo. O governador, que segundo aliados tenta viabilizar uma candidatura à presidência, não disputa mais o governo de Goiás. Vilela, em contrapartida, tenta fortalecer o MDB para 2024 de olho em 2026.

Ele fez as pazes com o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (Patriota), que voltará à legenda, e agora deve buscar emedebistas históricos. Como o prefeito de Catalão, Adib Elias (sem partido), e o ex-prefeito de Formosa, Ernesto Roller (sem partido).

Ao Jornal O Hoje, Adib negou o retorno no momento, mas admitiu não guardar rancor – ele e Roller foram expulsos da legenda em 2019 por apoiarem Caiado em 2018. Fontes ligadas ao prefeito, todavia, garantem que o retorno ao partido já estaria acertado. 

O vice ainda estaria em contato com outras lideranças para o retorno ou mesmo filiação ao partido. Caiado, hoje, não tem mais expectativa de poder em relação ao Executivo estadual. Daniel, sim. Assim, o emedebista corre para aparar arestas e garantir força.

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