segunda-feira, 12 de outubro de 2026
Evento

Goiânia recebe espetáculo “Hi.a.to” da Cia Catavento

Circo leva para cena um pouco do que foram esses últimos anos de Felipe investigando as técnicas circenses

Lanna Oliveirapor em
Circo leva para cena um pouco do que foram esses últimos anos de Felipe investigando as técnicas circenses | Foto: Divulgação
Circo leva para cena um pouco do que foram esses últimos anos de Felipe investigando as técnicas circenses | Foto: Divulgação

Ao longo dos últimos anos, o diretor Felipe Nicknig tem investigado a técnica circense nas acrobacias aéreas e difundido bastante o trabalho com os aéreos dinâmicos. Além disso, tem se debruçado sobre questões estéticas em busca de possibilidades e formas do fazer circense. Toda essa dinâmica resultou no espetáculo ‘Hi.a.to’, que entra em sua primeira circulação nacional nesta semana. As primeiras apresentações ocorrem em Goiânia, na sexta-feira (2) e no sábado (3), no Teatro Goiânia Ouro, às 20h. Com entrada franca, a Cia Catavento dá o ponta pé inicial com ansiedade e otimismo.

O mais novo e maduro trabalho da Cia Catavento cai na estrada a partir de junho. ‘Hi.a.to’, que teve a sua estreia em 2021, passa por Brasília (DF), Anápolis (GO), Porto Alegre (RS), Santa Cruz do Sul (RS), Campo Grande (MG), Uberlândia (MG) e Fortaleza (CE). O início da jornada será por Goiânia, a única cidade da circulação que vai receber duas apresentações. Em seguida, o grupo se apresenta no Eixo Cultural Íbero-Americano, no dia 10 de junho. No dia seguinte (11), é a vez do Teatro Municipal de Anápolis. Esse projeto conta com apoio do Fundo Estadual de Cultura de Goiás.

Hiato, na língua portuguesa, significa o encontro de duas vogais que pertencem a sílabas diferentes, ou seja, se constituem, estão juntas e separadas ao mesmo tempo. Também representa o encontro de duas pessoas em cena que experimentam essa linha tênue entre instabilidade e estabilidade, equilíbrio e desequilíbrio, competitividade e cooperação, explorando as possibilidades desta relação, sem romper com nenhum dos lados, afinal de contas é necessária certa prudência ou a vida seria impossível, ou então muito breve. 

O espetáculo, que apresenta ao público números com trapézio, tecido e passeio aéreo, ainda oferece uma trilha sonora autoral que oferece uma experiência estética e sensorial sobre esses sentimentos narrados por Nicknig. Para que serve a utopia? Quando Eduardo Galeano foi interpelado por essa questão ele respondeu: “para caminhar”. É justamente esse sentimento que move o diretor da Companhia Catavento. “Este caminhar é sobre a vida, sobre o viver, sobre todos os desafios, anseios, medos e coragens que se interpõem na caminhada contra a nossa vontade”, compartilha.

Goiânia ainda recebe três oficinas gratuitas pelo projeto. No dia 18 de agosto a companhia vai oferecer uma de criação em aéreo, na Sede da Catavento, no Setor Bela Vista. No mesmo local, a companhia estende seu trabalho também para uma oficina de técnicas de acrobacias aéreas no dia 25 de agosto. O projeto ainda contempla o Núcleo de Pesquisa e Experimentação em Circo, cujo trabalho se desdobra de abril a setembro. Por fim, a companhia ainda vai estrear um espetáculo em setembro deste ano.

A circulação

Um catavento para a companhia: é como Felipe Nicknig define a circulação desse espetáculo neste momento. Neste ano em que completam 11 anos, a circulação vem como oportunidade de dar vazão ao que construíram ao longo desses anos e fortalecer ainda mais o trabalho da companhia. Durante essa última década, a Catavento realizou diferentes frentes de trabalho com a intenção de construir trabalhos que pudessem circular por outras cidades, estados e países. “Acredito que essa circulação chega num momento que, por pelo menos dois anos, viemos construindo: este movimento de expandir nossos horizontes, extrapolar os muros da nossa atuação em Goiânia e no estado de Goiás”, comenta o diretor.

Viajar pelo País levando um trabalho autoral, além de dar visibilidade para a companhia, é uma oportunidade ímpar de crescimento e maturidade, segundo Nicknig. A circulação, comenta, traz um novo ritmo de trabalho, diferente ao que estão habituados em Goiânia. “Aprender como é fazer circo e arte em cada lugar, se deparar com diferentes públicos, com diferentes profissionais de outras cidades e estados provoca muitas reflexões e intercâmbios”, comenta o diretor. 

Felipe Nicknig conta que a escolha das cidades contemplou o desejo de circular de norte a sul do País. Além disso, eles se pautaram nas relações que já tinham cultivado com artistas, produtores e espaços que desenvolvem trabalho com circo e teatro. Assim, foi possível incluir no projeto oito cidades, além de Goiânia, para receber o espetáculo. “Para nós é importante expandir os trabalhos da Cia Catavento para outras cidades e estados e também garantir esses intercâmbios com grupos que já desenvolvem trabalhos em suas regiões. Porque isso soma muito com o trabalho de divulgação da circulação bem como da própria companhia e de seus trabalhos”, comenta o diretor. 

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