segunda-feira, 22 de junho de 2026
Imunização

A partir de 2024, reforço da vacina contra poliomielite será injetável

A atualização faz parte da ação de multivacinação do Ministério da Saúde, que planeja retomar as altas coberturas vacinais em todo o país

Larissa Oliveirapor Larissa Oliveira em 10 de julho de 2023
||
Doctor vaccinating baby in clinic. Little baby get an injection. Pediatrician vaccinating newborn baby. Vaccine for infant child. Child's Immunization, Children's Vaccination, Health concept.|senior woman holding red heart shape with syringe and showing her arm with bandage after got vaccinated or inoculation due to spread of corona virus, population, social or herd immunity concept|Administering oral polio virus vaccine to toddlers

Conforme o Calendário Nacional de Vacinação, a vacina injetável contra poliomielite é aplicada aos 2, 4 e 6 meses de vida. O reforço deve ocorrer aos 15 meses de idade e, atualmente, é oferecido através da versão popularmente conhecida como gotinha. A partir de 2024, o Ministério da Saúde informou que o reforço não será mais fornecido na versão oral. Após completarem as três primeiras doses da vacina, as crianças brasileiras irão tomar um único reforço com a versão inativada e injetável do imunizante. 

De acordo com o Ministério da Saúde, a dose de reforço aplicada atualmente aos quatro anos não será mais necessária. O esquema vacinal com quatro doses garantirá a proteção contra a pólio. A atualização foi debatida e aprovada pela Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização. A decisão foi tomada após considerarem os critérios epidemiológicos, as evidências relacionadas à vacina e as recomendações internacionais sobre a proteção contra a doença. 

Vale ressaltar que essa atualização não representa o fim imediato do imunizante na versão popularmente conhecida como “gotinha”. O Ministério da Saúde considera que a mudança representa um avanço tecnológico para maior eficácia do esquema vacinal em todo o território nacional. O Zé Gotinha, símbolo histórico da importância da vacinação no Brasil, vai continuar na missão de sensibilizar as crianças, os pais e responsáveis em todo o país, participando das ações de imunização e campanhas do Governo Federal. 

Multivacinação

Em fevereiro deste ano, o Ministério da Saúde lançou a mobilização nacional “Vacina é vida. Vacina é para todos”. A mensagem tem o objetivo de sensibilizar e engajar toda a sociedade para a retomada das altas coberturas vacinais no Brasil, principalmente entre as crianças. A meta do Governo Federal é retomar a confiança da população nos imunizantes para que o país volte a ser referência internacional em vacinação, atingindo a meta de 90% de cobertura em todas as vacinas. 

O Ministério da Saúde planeja checar as cadernetas de vacinação de menores de 15 anos para atualizá-las com as doses faltantes. Segundo a ministra da Saúde, Nísia Trindade, a retomada das altas coberturas vacinas é uma prioridade do governo federal. “Esse é um movimento, não uma campanha isolada, justamente pela ideia de continuidade e pelo constante monitoramento de resultados. Esse trabalho não se restringe ao Ministério da Saúde, por isso estamos indo aonde estão os movimentos da sociedade”, explicou. 

Para desenvolver a ação de multivacinação, o Ministério da Saúde vai repassar mais de R$ 151 milhões para estados e municípios investirem em todas as vacinas do calendário nacional. A portaria com a destinação dos recursos será publicada nas próximas semanas. Melhorar o planejamento das ações de vacinação tem o objetivo de combater o risco de reintrodução de doenças que já foram eliminadas pela imunização, como a poliomielite, por exemplo. 

Poliomielite 

De acordo com a biomédica Carolina de Fátima, a poliomielite também é conhecida como paralisia infantil. “É uma doença infectocontagiosa transmitida pelo poliovírus que vive no intestino. Embora ocorra com maior frequência em crianças menores de 4 anos, adultos também podem ser contaminados. A pessoa infectada pode desenvolver dores nas articulações, pé torto, crescimento assimétrico das pernas, osteoporose, paralisia, dificuldade na fala e atrofia muscular”, explicou. 

O Ministério da Saúde recomendou que a vacinação contra a poliomielite deve ser reforçada no Brasil após ter sido confirmado um caso da doença no Peru. Desde 1989, não houve nenhum caso de pólio no Brasil. Entretanto, em 2022, a Comissão Regional de Certificação para a erradicação da poliomielite na região das Américas classificou o Brasil como região de “muito risco” para novos casos da doença. Além disso, as coberturas vacinais contra a pólio sofreram quedas sucessivas nos últimos anos.

No ano passado, a cobertura nacional ficou em 77,19%, longe da meta de 95% para essa vacina. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde de Goiás (SES-GO), pouco mais da metade dos goianos se vacinaram em 2022. A cobertura de vacinas contra poliomielite foi de 57,46%. Ainda segundo a SES, a vacinação de crianças menores de 5 anos vem caindo desde 2019. Por conta disso, a entidade de saúde destacou que a mobilização para retomar as altas coberturas vacinais no país é fundamental.

Importância

Para auxiliar no processo de retomada, a Secretaria Estadual de Saúde de Goiás (SES-GO) criou uma plataforma para verificar quantas crianças menores de 2 anos estão com a vacinação atrasada. De acordo com a entidade, nenhuma das vacinas para crianças nessa faixa etária atingiu 95% de cobertura. “Nós precisávamos de um painel que contabilizasse as crianças que estavam com a vacinação em atraso com doses já previstas”, afirmou a gerente de imunização da SES-GO, Joice Dorneles.

Assim, foi criado o Painel Imuniza, que tem o intuito de tentar zerar o número de doses pendentes na população infantil. Com a plataforma, as prefeituras dos municípios poderão procurar as famílias destas crianças, a fim de sanar um dos maiores obstáculos alegados pelos pais que deixam seus filhos sem as vacinas em dia, segundo Joice. “Muitos alegam o difícil acesso ao imunizante, pelos locais de vacinação funcionarem somente em horário comercial”, apontou a gerente de imunização.

Outra justificativa dada por muitos pais para não vacinar os filhos é o medo. “Por causa da Covid, muitas pessoas tiveram uma apreensão de serem vacinadas, especialmente por, em alguns casos, o imunizante ter causado alguns efeitos adversos. O que é preciso entender, caso estes efeitos sejam sentidos, já que não aparecem em todo caso, é o seguinte: eles são transitórios. A vacina é prevenção e traz proteção para doenças que já foram erradicadas, como o sarampo e a poliomielite”, enfatizou Joice Dorneles.

Siga o Canal do Jornal O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do Jornal O Hoje.
Tags: