segunda-feira, 15 de junho de 2026
Decisão

Mauro Cid recorreu ao direito de ficar em silêncio pelo menos 40 vezes em CPI dos Atos Golpistas

Silêncio foi embasado em decisão da ministra Cármen Lúcia, que autorizava o tenente-coronel a ficar calado quando algo pudesse incriminá-lo

Mariana Fernandespor Mariana Fernandes em 12 de julho de 2023
Brasília (DF) 11/07/2023  Depoimento para CPMI do golpe do tenente-coronel Mauro César Barbosa Cid, ex-ajudante-de-ordens do então presidente Jair Bolsonaro.Foto Lula Marques/ Agência Brasil.
Brasília (DF) 11/07/2023 Depoimento para CPMI do golpe do tenente-coronel Mauro César Barbosa Cid, ex-ajudante-de-ordens do então presidente Jair Bolsonaro.Foto Lula Marques/ Agência Brasil.

O ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, decidiu nesta terça-feira (11) ficar em silêncio durante o depoimento à CPI dos Atos Golpistas do Congresso Nacional. O silêncio de Cid foi embasado em decisão da ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF) que o autorizou a ficar calado quando fosse perguntado sobre assuntos que pudessem incriminá-lo. 

Ao menos 40 vezes, Cid recorreu a esse direito durante o tempo em que foi questionado na CPI e negou a responder a todas as perguntas dos parlamentares. A posição de Cid incomodou o presidente da CPI, deputado Arthur Maia (União Brasil), que disse analisar as “medidas cabíveis”  contra o coronel. 

“Isso acarretará na necessidade de nós […] apresentarmos uma denúncia contra o senhor Cid ao Supremo Tribunal Federal, haja vista que a ministra do Supremo determinou que, aquilo que não o incriminasse, ele tinha obrigação de responder, uma vez que ele não está aqui só como depoente, mas como testemunha. É o procedimento que ele está adotando e, obviamente, cabe à CPI adotar as medidas cabíveis”, acrescentou.

Entre as perguntas que ficaram sem resposta está a da relatora da CPMI, senadora Eliziane Gama, sobre o cartão de vacina de Bolsonaro. O militar também não respondeu sobre o vandalismo no dia 8 de janeiro, questão levantada pela deputada Laura Carneiro. As intenções de golpe do ex-presidente Bolsonaro também ficaram sem resposta.

Leia também: Cid diz que não participava de decisões

Segundo políticos de carreira, o silêncio poderia ajudá-lo a não se comprometer ainda mais, tendo em vista que ainda há muitas investigações na Polícia Federal e no Supremo Tribunal Federal que possam incriminá-lo.

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