quarta-feira, 15 de julho de 2026
Gasto

Brasil vai rever custo do preso para o sistema prisional; valor pode chegar R$ 38 mil por mês em presídios federais

País gasta quase quatro vezes mais com sistema prisional em comparação com educação básica

Mariana Fernandespor Mariana Fernandes em 15 de julho de 2023 às 13:07
País gasta quase quatro vezes mais com sistema prisional em comparação com educação básica | Foto: Divulgação
País gasta quase quatro vezes mais com sistema prisional em comparação com educação básica | Foto: Divulgação

O advogado mineiro Alexander Barroso, conselheiro do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, foi designado presidente do Grupo de Trabalho que vai revisar os critérios para o custo mensal de um preso. O prazo para realização do trabalho é de 60 dias, prorrogáveis por mais 60.

De acordo com o Sistema de Informações do Departamento Penitenciário Nacional (SISDEPEN), o custo médio mensal de um detento no Brasil é de R$ 1.819, podendo ultrapassar os R$ 3 milhões em determinados estados. No entanto, nos presídios federais, onde estão detidos indivíduos considerados altamente perigosos e membros do crime organizado, o custo mensal pode chegar a impressionantes R$ 38 milhões, de acordo com informações de um conselheiro. Esse valor elevado é atribuído, em parte, ao esquema de segurança exigido nesses locais. O país conta com um total de cinco presídios federais.

Os dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) coletados em 2022 provam que o custo de um preso é consideravelmente superior ao de um estudante da rede municipal de ensino. De acordo com o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), um aluno da educação básica recebe um investimento mínimo médio anual de R$ 5,6 mil, o que equivale a aproximadamente R$ 470 ,00 por mês, um valor quatro vezes menor. A atualização mensal dos custos relacionados aos detentos no Brasil é recente e foi realizada após um estudo na Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da USP, que identificou a falta de transmissão em relação às informações relacionadas aos presídios brasileiros.

Na época, o grupo de pesquisadores, liderados pelo professor Cláudio do Prado Amaral, já buscava definir o valor gasto com cada encarcerado, entretanto, de todos os Estados brasileiros consultados durante a pesquisa, apenas três responderam às solicitações, e nenhum deles informou se os números seguiam os parâmetros do Ministério da Justiça. 

Conforme informado a universidade, José Rubens Plates relatou que o acesso aos gastos da administração carcerária está previsto na Resolução 6 do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP) e era sonegado ao cidadão brasileiro. “O problema foi solucionado após a conclusão da primeira parte da pesquisa, cujos resultados da falta de transparência foram encaminhados diretamente ao Ministério da Justiça.” 

Mudança de olhar

De acordo com o professor Amaral, o comparativo dos valores destinados à educação e ao sistema carcerário chama a atenção, mas se torna ainda mais relevante quando associado ao caráter dessocializador do sistema prisional. Pesquisas nacionais e internacionais apontam que, em 90% dos casos, uma pessoa encarcerada sai do sistema prisional com dificuldades em exercer atividades cotidianas, classificadas, pelo professor, como socialização negativa.

Frente a essa realidade, o procurador defende que “a sociedade brasileira precisa mudar a ótica com que olha as cadeias”, deixando de lado o desprezo e adotando uma postura de análise social dos presídios brasileiros. 

Cláudio explica que o acesso aos dados do sistema penitenciário é essencial para garantir a participação da sociedade na construção de políticas públicas. A população só pode questionar e cobrar mudanças do poder público se tiver acesso aos valores gastos com cada encarcerado, direito fundamental de todo cidadão, diz. “As pesquisas desenvolvidas no ambiente universitário e acadêmico possuem potencial de impacto social positivo”.

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