Congresso

A ligação da bancada goiana e o centrão

Bloco informal pressiona presidente Lula por cargos, mas petista insiste na tese de que tem ministérios “introcáveis”

Francisco Costapor em
Bloco informal pressiona presidente Lula por cargos, mas petista insiste na tese de que tem ministérios “introcáveis”. | Foto: Roque Sá
Bloco informal pressiona presidente Lula por cargos, mas petista insiste na tese de que tem ministérios “introcáveis”. | Foto: Roque Sá

O chamado “centrão” é um termo antigo, utilizado para designar os parlamentares que formavam maioria na Assembleia Constituinte que deu origem à Constituição de 1988. Posteriormente, ganhou um novo significado, mas ainda como rede apoio a qualquer governo e com poder de barganha. 

Entre as siglas, os destaques são o PP, MDB, PSD, União Brasil, Republicanos, Podemos e mais. A maioria dos eleitos goianos está nessas legendas: Silvye Alves e Zacharias Calil, União Brasil; Glaustin da Fokus (Podemos); José Nelto e Adriano do Baldy, Progressistas (PP); Célio Silveira e Marussa Boldrin, MDB; Jeferson Rodrigues (Republicanos); e Ismael Alexandrino (PSD). 

Em entrevista recente ao Jornal O Hoje, Ismael Alexandrino falou da composição com o governo federal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Vale lembrar, o PSD também esteve com o ex-presidente Bolsonaro (PL) no passado.

“O PSD é um partido da centro-direita. É um partido que dialoga com os governos que querem dialogar”, pontua. “Não é intransigente, não é fisiológico. Quer governabilidade por convicção. É muito coeso.” O parlamentar reforça que trata-se de uma das maiores siglas do País. Inclusive, é a maior do Senado, tendo o senador Rodrigo Pacheco (MG) como presidente daquela Casa. 

Destaca-se que o PSD ocupa três ministérios no governo Lula. São eles: Agricultura (Carlos Fávaro), Pesca (André de Paula) e Minas e Energia (Alexandre Silveira). “É natural que, estando como governo, o PSD queira participar”, conclui Ismael Alexandrino.

Pressão

E como disse Ismael, é natural que, quando uma legenda está no governo, ela quer participar. E o centrão quer cargos. O presidente Lula precisou engrossar o tom em relação a alguns ministérios. “Tem ministros que não são trocáveis”, disse o petista em meio à pressões na sexta (14). 

Entre eles está o Ministério da Saúde, comandado por Nísia Trindade, que tem o maior orçamento na Esplanada. “Eu tenho muito orgulho de ter escolhido a Nísia ministra da Saúde.[…] Eu vou viajar agora, eu disse pra Nísia já publicamente. Tem ministros que não são trocáveis. Têm pessoas e têm funções que são uma coisa da escolha pessoal do presidente. Ela não é ministra do Brasil, ela é minha ministra”, deixou claro.

O Ministério do Desenvolvimento Social, de Wellington Dias, também é cobiçado pelo centrão. Na última quinta-feira (13), à Record, ele também reforçou: “Esse ministério é um ministério meu. Esse ministério não sai. A Saúde não sai. Não é o partido que quer vir para o governo que pede ministério. É o governo que oferece o ministério. É só fazer uma inversão de valores. No momento certo, nós vamos conversar. Da forma mais tranquila possível, não quero conversa escondida, não quero conversa secreta.”

Xadrez

Inclusive, a coluna Xadrez, do Jornal O Hoje, apontou que Lula só negocia cargos se houver votos. “Pela terceira vez, o presidente Lula está vivendo a volúpia por cargos do chamado ‘centrão’. Só que agora, para ‘passar mel na boca do eleitor’, líderes influentes desse bloco, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e Marcos Pereira (Republicanos), dizem que apoiam o governo, mas com restrições. No entanto, pedem cargos o tempo todo, ‘principalmente aqueles que furam poço’, ou seja, que têm recursos”, observa o colunista Wilson Silvestre.

Ele completa: “Para contrapor essa volúpia famélica por um naco do poder, o presidente Lula avisa: cargos agora só com o apoio explícito ao governo. O caso da ex-ministra do Turismo, Daniel Carneiro (ainda no União?), gerou desgaste ao presidente, que, pressionado, acabou cedendo a vaga para um aliado do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Embora filiado ao União Brasil, o novo ministro do Turismo, Celso Sabino (PA), é do agrado da bancada federal comandada por Luciano Bivar e Antônio Rueda.”

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