Reforma tributária: emenda “cavalo de troia” agrada Caiado
Apesar disso, governador não recua em criticar texto e deve intensificar labuta por mudanças antes da votação no Senado. Apreciação está prevista para outubro
Incluída às pressas, uma emenda do texto da reforma tributária aprovada, em dois turnos, pela Câmara dos Deputados, tem a cara de um dos pontos de reivindicação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil). Trata-se da possibilidade de estados mais agrícolas criarem taxas para o setor, ou seja, criação de tributos para investimento até 2043. O texto, no entanto, vai ser analisado pelo Senado Federal até outubro próximo.
Goiás conta atualmente com o Fundeinfra, um organismo que cobra uma taxa do agronegócio, para investimento em infraestrutura que beneficia o setor. O fundo foi aprovado pela Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego) a pedido do governo, desagradou produtores rurais, foi analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas acabou avalizado pela Corte.
O texto da reforma tributária, e/ou pelo menos como estava sendo discutido, preocupava Caiado e a sua equipe econômica, pois havia o temor de o trabalho com a “taxa do agro” ter sido em vão. Com a emenda, apelidada de “cavalo de tróia”, foi incluída, e deve passar pelo Senado sem modificações pela mobilização dos estados mais produtores – além de Goiás, Mato Grosso e Santa Catarina.
Caiado notabilizou-se como o número 1 na contestação da reforma tributária, defendendo o pacto federativo e criticando a mobilização dos estados do sudeste, junto ao governo federal, e a elite política – industrial – da Câmara Federal, para a aprovação do texto sem garantias a estados que pouco a pouco procuram o desenvolvimento.
Em uma declaração quando esteve em Brasília no último dia 4, Caiado explicou a tentativa de aglutinar apoio. O que parece que deu certo, já que teve, mesmo que timidamente, apoio de poucos governadores. “Vamos continuar trabalhando cada vez mais, sensibilizando os deputados e as deputadas para que, realmente, não implantem uma reforma que será extremamente danosa a todos nós brasileiros”, reafirmava Caiado diante da posição contrária ao texto como está. O governador esteve com deputados da bancada goiana para angariar apoio à oposição. “Não são mudanças apendiculares que vão salvar o texto. O conceito principal fere a constituição do País, os entes federados, tira nossas prerrogativas e impõe uma carga tributária muito maior aos cidadãos que recebem até quatro salários mínimos”, explicou ele que, acompanhado por diversos prefeitos de municípios goianos e integrantes da equipe de governo, Caiado defendeu a junção de forças diante da situação.
Sobre a posição de manter-se contrário ao texto, ele tem afirmado que é inegociável quando o assunto é perda de independência, arrecadação ou capacidade de formulação de políticas públicas, sociais e de investimento do Estado. “A ponderação que fiz aqui é que os deputados não aprovam esse texto. Isso é desrespeitoso, é extirpar da Constituição uma cláusula pétrea, do pacto federativo”, disse ainda.
Nessa labuta em busca de apoio por mudanças no texto, Caiado voltou a ser sensação para concorrer à presidência da República em 2026. E parece que a alcunha de representante dos “contra” da reforma como foi estabelecido o texto tem dado certo. Caiado se encontrou com o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro na sexta-feira, o que pode ser uma estratégia interessante para o chefe do executivo goiano: Bolsonaro tem uma grande fila de eleitores que devem esperá-lo em 2030, quando vai poder retornar às urnas após condenação à inelegibilidade.
Ao lado de Bolsonaro, Caiado foi indagado sobre o pleito de 2026. O governador respondeu: “A pessoa tem que ter aquilo que é experiência, que eu tenho suficiente, para saber que não existe o eu sozinho dentro de uma pré-candidatura, mas sim um sentimento partidário para que você possa ter a estrutura fundamental para a sua candidatura, e também uma base de alicerce para que ela possa ser movimentada em todos os estados do país.”
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