quarta-feira, 15 de abril de 2026
Xadrez

Lula disposto a sacrificar parte da esquerda para isolar a direita

Para alcançar esse objetivo, Lula está disposto a ‘sacrificar’ parte do PT e associados que estão em cargos importantes no governo

Wilson Silvestrepor Wilson Silvestre em 25 de julho de 2023
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante cerimônia que sancionou o projeto que institui o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e o Programa Cozinha Solidária, no Palácio do Planalto. Aprovado pelo Senado em 12 de julho, o texto que institui o PAA e inclui também o Programa Cozinha Solidária aprovação da Câmara no início do mês. Sérgio Lima/Poder360 20.jul.2023
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante cerimônia que sancionou o projeto que institui o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e o Programa Cozinha Solidária, no Palácio do Planalto. Aprovado pelo Senado em 12 de julho, o texto que institui o PAA e inclui também o Programa Cozinha Solidária aprovação da Câmara no início do mês. Sérgio Lima/Poder360 20.jul.2023

A ofensiva do presidente Lula para ter os partidos do centrão em seu governo tem dois objetivos pouco explorados pela mídia. O primeiro é mais político e tem por objetivo dividir conservadores e isolar a direita. Com isso, limita a união com os bolsonaristas a partir da eleição de 2024.

O segundo amplia sua capacidade em aprovar pautas que mexem com o modelo de administração liberal. Para alcançar esse objetivo, Lula está disposto a ‘sacrificar’ parte do PT e associados que estão em cargos importantes no governo.

Para tanto, ‘amarrar’ o centrão representado pelo PP, UB e Republicanos ao governo significa desidratar a direita e limitar negociações da centro-direita com os possíveis candidatos a presidente da República em 2026. Entre os mais cotados estão os governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), e o de Goiás, Ronaldo Caiado (UB).

O resultado dessa estratégia tem surtido efeito com o recuo de Tarcísio e Zema. De uma certa forma, Caiado também está ‘engessado’, sem muito espaço para avançar em seu projeto de 2026. O UB está boletado na pala do boné vermelho de Lula e, por conta de ser “mais ou menos oposição”, fica difícil Caiado esboçar um discurso mais assertivo no contraponto das contradições do governo Lula. Por enquanto, ele ainda tem um pequeno espaço na mídia nacional por conta de sua defesa dos interesses de Goiás na proposta de reforma tributária.

Partido de um homem só

Lula disse recentemente que o presidente dos EUA, Joe Biden, com 80 anos disputar a presidência novamente “é um estímulo”. Tem duas interpretações na frase: caso seu governo esteja bem avaliado, vai tentar a reeleição; e a outra é para evitar a “guerra” entre petistas. A pergunta que fica é: até quando o PT será uma legenda de um homem só?

Apagar o passado

Lula se convenceu que o País vai continuar dividido e o jeito é tentar “apagar o passado bolsonarista”. Suas declarações públicas demonstram isso e caminha para aprovar leis mais duras contra opositores. Por isso precisa neutralizar a direita e o caminho é o centrão, doido pelo poder.

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