Estresse e sono são associados ao aumento de ocorrências do AVC
Atendimento rápido pode ser escapatória para consequências mais danosas para pacientes com AVC
Em 2016, Diomar Pereira dos Santos, estava no trabalho, assim como fazia todos os dias. Com uma vida corrida e sob pressão e estresse, começou a sentir uma tontura, e após se abaixar para molhar o rosto, levantou a cabeça e sua esposa e funcionários perceberam que um lado de sua face estava paralisado. Ele caiu no chão. “Foi uma cena preocupante. Questão de segundos do incômodo que ele sentou e automaticamente um lado dele adormeceu e quando ele caiu acionamos o socorro”, relata sua esposa, Riziomar dos Reis Gomes.
Na época o empreendedor tinha 40 anos,ou seja, muito jovem para um Acidente Vascular Cerebral (AVC), que de acordo com avaliação da equipe médica foi do tipo isquêmico. Existe o hemorrágico. “O SAMU chegou e falaram que era suspeita de um AVC. E após chegar ao hospital eles fizeram a tomografia na cabeça”. Era o diagnóstico que dava respostas para a queda e do que estava por vir na vida de Diomar e de sua família.
O AVC é uma doença do vaso que está dentro das doenças associadas ao sistema circulatório. De acordo com Helena Rezende Silva Mendonça, médica neurologista, essa doença é típica do envelhecimento, apesar de acontecer com pessoas mais jovens. “Com o passar dos anos o envelhecimento natural faz a pele enrugar, desidratar e deixar ressecados os vasos, dando maior probabilidade de eventos vasculares cerebrais em função do envelhecimento natural”, explica a especialista.
José Guilherme Schwam Júnior, médico Neurologista, aponta que as doenças metabólicas, como a pressão alta e diabetes, agridem muito a parede do vaso e aumentam muito o risco de AVC. “A gente sabe que as pessoas mais ansiosas, mais estressadas, elas tendem a se alimentar pior, dormirem pior, ter mais níveis elevados de pressão arterial, fazem menos atividade física e isso tudo gera maiores riscos da doença”, destaca.
A prevalência de AVC entre pessoas abaixo de 50 anos quase dobrou no período da pandemia de Covid-19, acendendo o alerta para a doença que lidera as causas de internações e mortes no país e que sempre esteve associada a idades mais avançadas. Dados preliminares compilados pela Organização Mundial de AVC (World Stroke Organization, a WSO) mostram que a taxa de pessoas com menos de 45 anos acometidas pela doença passou de 10%, antes da crise sanitária, para 18%, no fim do ano passado.
Segundo os especialistas, existem dois tipos de AVC, que são dois grandes grupos, em um deles o vaso entope e falta o sangue, comumente chamado de isquémico. Já o segundo, e o que o vaso se rompe, causando o vazamento de sangue para dentro do tecido cerebral, conhecido como hemorrágico.
O AVC isquêmico é muito mais frequente do que o hemorrágico, já que os fatores de risco são a pressão alta, diabetes e colesterol alto, tendo de um quanto do outros. Mas outros fatores que estão muito associados com a ocorrência dos eventos isquêmicos são os aumentos repentinos da pressão, que levam a uma ruptura do vaso. No caso dos hemorrágicos a gente tem alguns outros fatores de risco como por exemplo alterações na parede do vaso, que podem ser genéticos, como formação de aneurismas, e a ocorrência de sangramentos, em especial quando a pessoa vai envelhecendo.
Hoje temos remédios que mudam totalmente a evolução do paciente que teve AVC. Alguns exemplos são os trombolíticos, que é uma intervenção de prevenção da trombose e do cateterismo. Cada paciente é um caso diferente, e os critérios de intervenção variam de acordo com os exames de imagem, tomografia e ressonâncias, que nós levam a conclusão do laudo e melhor tratamento para prevenir nossos acidentes vasculares no cérebro”, conclui Helena.
Sintomas do AVC
Nas últimas três décadas, o AVC liderou as causas de mortes no Brasil, mas após a adoção de um programa nacional de enfrentamento da doença, em 2011, em que foram criados centros de enfrentamento da doença, passou para o segundo lugar. Em 2022, porém, voltou à liderança. O neurologista destaca que roncar, bufar, virar de um lado para o outro, cochilar por muito tempo durante o dia, acordar durante a noite e dormir muito pouco ou até demais contribuem para um sono de má qualidade e podem aumentar o risco de derrame.
Os principais sintomas que mostram que o paciente ou que a pessoa está evoluindo para um AVC são aqueles conhecidos, como o rosto que fica assimétrico, fica torto, e quando você manda a pessoa sorrir e ela sorri torto. Outro sintoma comum é quando se pronuncia palavras enroladas ou ela não fala nada e nem compreende o que se pede. Segundo José, quando o paciente tem esses sintomas relacionados à dor de cabeça, que pode ser súbita, a chance de ser um AVC hemorrágico passa a ser maior.
“Controlar a pressão é um fator importantíssimo para prevenção do AVC. Assim como controlar diabetes, diminuir o colesterol, manter o colesterol baixo, principalmente o LDL, e fazer atividades físicas pelo menos 50 minutos por semana”, orienta. Ter uma boa noite de sono, tratar a apneia e ter uma vida com alimentação sem tanto excesso de gordura, de fritura, de sal colaboram para a prevenção. “A gente não pode esquecer que o tabagismo é terrível, sendo um fator de risco grave também para o AVC”, lembra José Guilherme.
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