sexta-feira, 17 de julho de 2026
Debate

Caiado cobra senadores sobre debate da reforma tributária

Governador goiano continua em busca de apoio para mudança de texto antes de votação no Senado Federal

Yago Salespor Yago Sales em 1 de agosto de 2023 às 12:30
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O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), esteve em São Paulo, no conhecido Clube Monte Líbano, para participar de um debate sobre o texto da reforma tributária, aprovado pela Câmara dos Deputados, que começa, nesta semana, a ser discutido pelo Senado Federal. 

Caiado aproveitou para cobrar mais discussão dos senadores. “Espero que os senhores senadores possam requerer sessões temáticas no plenário do Senado Federal para debater sobre a proposta de reforma tributária. Neste sentido, estaremos todos no debate, com a relevância que merecemos. Afinal, é uma medida que mexe com a vida de todos”, disse o governador goiano.

Crítico ao texto, Caiado tomou café da manhã com empresários e políticos que estão alinhados com a ideia de que, como está, o texto traria prejuízos a diversos setores da sociedade, sobretudo aos estados brasileiros. 

Promovido pelo Instituto Unidos Brasil, Caiado participou do debate intitulado “Reflexões sobre o texto aprovado da Reforma Tributária”. O presidente da Federação Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços de Limpeza e Conservação (Febrac), Edmilson Pereira de Assis, representou o setor.

O primeiro painel fez uma avaliação da PEC aprovada na Câmara dos Deputados. Já o segundo discutiu os possíveis impactos para as áreas de serviço, comércio, agronegócios, indústria e a proposta complementar. Por fim, no painel 3, o tema principal foi a avaliação política da PEC aprovada.

“É um momento de extrema importância discutir este tema que impactará na vida de todos os brasileiros, sobretudo na das empresas, que geram emprego e renda”, comentou Edmilson Pereira.

Segundo ele, no formato como proposta foi apresentada, a reforma causará inflação, desemprego e um estímulo à pejotização, uma vez que o principal insumo do setor de serviços – mão de obra – não dará direito a crédito, ao passo que se o mesmo profissional constituir uma microempresa, a sua contratação irá gerar crédito de CBS/IBS.

O Instituto Unidos Brasil é uma entidade sem fins lucrativos e sem vinculação político-partidária e tem como propósito defender a economia do Brasil, gerar empregos, fomentar o empreendedorismo e valorizar o papel de empreendedores e a sociedade produtiva.

Como uma entidade técnica e profissional, o instituto trabalha de forma independente, sob regras de governança e códigos de conduta, obedecendo aos princípios democráticos e técnicos em defesa dos interesses de seus apoiadores de forma íntegra, ética e transparente.

Dentre os impostos mencionados no texto estão a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS): com a junção do IPI, PIS e Cofins; Imposto Sobre Bens e Serviços (IBS), reunindo o ISS e o ICMS, além da criação do chamado Imposto Seletivo (IS) – salvo algumas exceções como, por exemplo, serviços de educação, serviços de saúde, medicamentos e produtos agropecuários, que terão tratamento menos traumático, a ideia do texto é tributar com a mesma alíquota todos os demais setores.

No entanto, a pretendida substituição de tributos, que será longa, se estendendo até 2033, afetará diretamente o setor que mais emprega no Brasil, especialmente com carteira assinada: o setor de serviços. Segundo um estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a compensação do aumento da carga tributária no setor de serviços ameaçaria 3,8 milhões de empregos.

O evento ocorreu entre 7h30 e 12h30, no Clube Monte Líbano e buscou esclarecer a complexidade da Reforma Tributária – especificando os pontos positivos e negativos – e a importância das Leis Complementares que serão debatidas no Congresso Nacional. 

Além do governador goiano, palestraram no encontro os senadores Efraim Filho (União Brasil/PB), relator do GT da reforma tributária na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e Sérgio Moro (União Brasil). Ainda esteve no debate o economista-chefe da Warren e ex-secretário da Fazenda e Planejamento de São Paulo, Felipe Salto, o ex-ministro e a senadora Soraya Thronicke. 

Mais de 30 entidades dos setores de comércio, serviços e indústrias marcaram presença. O Instituto Unidos Brasil anunciará, durante o seminário, a estratégia para colocar em pauta uma ampla Reforma Administrativa no Congresso Nacional. A expectativa é de que em três meses o IUB consiga reunir mais de 100 entidades para levantar a pauta.

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