quarta-feira, 28 de outubro de 2026
Igualdade

Lideranças promovem primeira reunião da Frente Parlamentar pelo Fim da Violência Política de Gênero

Encontro, sediado na Assembleia Legislativa, foi palco de um intenso debate sobre os direitos e desafios das mulheres nos espaços de decisão e poder

Felipe Cardosopor em
Foto: Denise Xavier
Foto: Denise Xavier

A Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), em parceria com a Câmara Municipal de Goiânia, realizou, na manhã da última segunda-feira, 28, a primeira reunião da Frente Intermunicipal Pelo Fim Da Violência de Gênero. O encontro foi promovido com o objetivo fortalecer mulheres eleitas, por meio de ações para o enfrentamento contínuo da violência política por elas enfrentadas, e a formação de uma rede legislativa com boas iniciativas focadas no fortalecimento dos mandatos femininos.

A luta das Mulheres

A primeira a falar sobre o assunto foi Bia de Lima, que aproveitou para parabenizar todas as pessoas presentes por resistirem às diversas lutas que enfrentam no dia a dia e afirmou que é o momento de as mulheres abrirem espaços no cenário político. “Esse é o lugar de discutir e construir possibilidades inovadoras, mecanismos de alavancarmos as mulheres na sociedade”.

A deputada contou que infelizmente mulheres ainda são vítimas de preconceito e violência cotidianamente. ”Não podemos abrir mão das mulheres ocuparem seus espaços por medo e violência, precisamos de coragem para enfrentar quem não quer que cheguemos lá, unidas iremos ganhar essa batalha”, afirmou.

Procuradoria da Mulher

A deputada Rosângela também se pronunciou no evento e afirmou que cada reunião dessa soma de forma prática na vida das mulheres, na trajetória, no poder de fala, e contaminando positivamente outras mulheres. “Que a gente possa somar forças a cada uma de vocês para que possamos avançar na garantia dos nossos direitos e contra a violência da mulher”.

Rosângela ainda ressaltou que presidindo a Procuradoria Especial da Mulher na Casa sua missão é somar forças na luta das mulheres e dar aparato legal na garantia dos seus direitos.

Direito das Mulheres

A coordenadora Marcela Iossi deu sequência ao encontro com uma palestra que esclareceu sobre os aspectos jurídicos sobre a lei que criminaliza a violência política de gênero. “Quando falamos de violência contra a mulher tenho que falar de uma legislação específica, uma legislação de ruptura paradigmática”, pontuou.

Marcela explicou que a Lei Maria da Penha engloba todos os tipos de violência sofridas contra a mulher; psicológica, econômica, moral e violência sexual e que a Lei de Violência de Gênero vem para dar um toque de especialidade na violência sofrida pela mulher no âmbito político.

A coordenadora explicou que a lei estabelece que violência política contra a mulher é toda ação, conduta ou omissão com a finalidade de impedir, obstaculizar ou restringir os seus direitos políticos. “Mandatárias e candidatas são protegidas por essa lei ou uma eleitora pode ser vítima quando ela é impedida de votar ou sofre coação”, explica.

Ao concluir sua fala, Marcela ressaltou que o diálogo sobre o tema é necessário para desconstruir um histórico social em que mulheres não cabem em certos ambientes e não podem ter voz política. “Só a legislação não adianta, é preciso ter consciência social que a mulher pode e deve desempenhar qualquer cargo e deve ser respeitada”, concluiu.

Essência 

Para além dos mecanismos de fortalecimento da mulher nos espaços de decisão e poder, a vereadora Aava Santiago explica que o encontro também busca o compartilhamento de relatos de violências já identificadas no âmbito da política municipal e estadual, além de oferecer apoio jurídico para o  enfrentamento à violência de gênero.

“Foi possível identificar casos de violência sofrida por mulheres enquanto agentes políticas nas suas cidades. Nosso objetivo é ouvir os casos, analisar o arcabouço legal, oferecer apoio jurídico e avançar na ideia de elaborarmos, juntas, um calendário positivo e prático de pautas em defesa dos direitos das mulheres”, comenta Aava.

Também participaram do encontro a defensora pública e coordenadora do Núcleo Especial em Defesa e Promoção dos Direitos da Mulher, doutora Tatiana Bronzato; a representante do Grupo de Mulheres Malungo, Sônia Cleide; e a secretária de políticas para mulheres, Tatiana Lemos.

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