Justiça

Moro conduziu interrogatórios sobre autoridades com foro privilegiádo, diz ex-delator

Essas autoridades não poderiam ter sido alvo de invetigações em primeira instância, onde Moro atuava

Luan Monteiropor em
Procuradoria Regional Eleitoral do Paraná se manifesta por cassação de Moro
Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária. Ordem do dia. Na pauta, o PLP 23/2019 que altera a Lei do Simples (Lei Complementar 123, de 2006) para incluir as empresas de suporte, análises técnicas e tecnológicas, pesquisa e desenvolvimento de nanotecnologia entre aquelas que podem optar por aderir ao regime tributário simplificado. Em discurso, à tribuna, senador Sergio Moro (União-PR). Foto: Roque de Sá/Agência Senado

O ex-juiz Sergio Moro teria conduzido pessoalmente interrogatórios que tinham como alvo ministros do Superior Tribunal de Justiça, integrantes do Tribunal Regional Federal da 4ª Região e do Tribunal de Contas do Paraná. A informação consta em documentos obtidos pelo portal g1.

Essas autoridades não poderiam ter sido alvo de invetigações em primeira instância, onde Moro atuava. O ex-juiz, por sua vez, afirmou que “nenhuma autoridade com foro foi investigada” e que haviam suspeitas de tráfico de influência de terceiros, advogados que vendiam facilidade sem houvesse participação dos ministros.

Nos documentos constam depoimentos prestados pelo ex-deputado estadual Tony Garcia, que acusou Moro de tê-lo usado para levantar provas contra autoridades que não poderiam estar sob a mira da Justiça Federal, mas de sim de cortes superiores.

Os depoimentos fazem parte do material entregue por Tony Garcia ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli. O ex-deputado quer anular o acordo que fez com Moro. Ele afirma ter sido usado pelo ex-juiz para cometer ilegalidades.

O primeiro depoimento de Garcia aconteceu no dia 16 de dezembro de 2004, um dia depois de ter assinado o acordo de colaboração.

Ao fechar o acordo, o ex-deputado recebeu, por escrito, “30 tarefas”, que incluíam o uso de escutas ambientais em encontros com políticos e juristas. O material era entregue “em mãos” a Sergio Moro, segundo o processo.

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