Goiânia fez 90 anos e o maior presente foi para o prefeito
Após festança, nonagenário da capital, que teve uma programação talvez nunca vista, mostra força de Rogério Cruz
Depois de uma festa de arromba, além da bagunceira boa que fica, pratinhos, balões, cartazes, mesas e cadeiras espalhadas, é a hora de desembrulhar os presentes. Numa análise, é perceptível que o prefeito foi quem ganhou o maior e melhor presente do ano.
Calhou de, como diria alguém com luxúria vocabular, que o nonagésimo aniversário de Goiânia ocorresse a pouco menos de um ano de um grande desafio ao prefeito da capital, Rogério Cruz, do Republicanos: a eleição que pode lhe dar mais quatro anos de mandato. E que festa, hein?! Que programação!
Não teria como caprichar, independentemente do que a crítica pudesse apontar no aspecto político do chefe do executivo não poderia, de maneira alguma, não comparecer ao evento, se fazendo de persona non grata da própria cidade que o acolheu há quase duas décadas. Que o levou duas vezes à Câmara Municipal.
Cruz e sua equipe não devem ter dormido nos últimos dias. Com uma agenda invejável, da madrugada à outra, em todas as regiões da cidade, Cruz foi tratado como se deve tratar o prefeito de uma cidade como Goiânia: com respeito. Claro que houve algumas exceções, mas quem nunca, não é? Lembrando que o aniversário da cidade calhou, olha a palavrinha aí, no meio de uma greve de servidores do administrativo da educação que fizeram uma passeata paralela ao desfile da comemoração dos 90 anos da capital.
De qualquer forma, é indiscutível que Rogério saiu – e muito – mais forte depois de uma programação que teve uma centenas de ações espalhadas pela cidade. E não poderia faltar a trilha sonora que costuma embalar a maioria de bares, distribuidoras de bebida – que se multiplicam a cada dia – e shows pela cidade: o bom e velho sertanejo. Para fechar com chave de ouro, a cidade ouviu, gratuitamente, na noite de elite da festança, o mais adorado dos goianos – Gusttavo Lima não é de Goiás, viu, ele é mineiro -, ou seja, Leonardo.
A gente já contou a história de Rogério Cruz sob vários aspectos: político, religioso, familiar, aliado, desafeto, vereador e prefeito. Mas um ponto é inegável. Cruz conseguiu ter a sorte de um ganhador na Mega-Sena acumulada ao calhar, na sua gestão, o nonagenário da cidade mais importante de Goiás.
A festa que durou dias teve o protagonismo do prefeito, que recebeu as personalidades com o jeito carioca com que é conhecido em seu entorno e, desde o início da gestão, tenta imprimir à sua identidade político-administrativa, para, então, conseguir popularidade e ultrapassar a barreira eleitoral que normalmente o elegia: a da Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo, e Record TV.
Rogério Cruz, naturalmente, não era dos mais conhecidos quando assumiu a cadeira de prefeito de Goiânia em meio ao luto da morte do cabeça de chapa do pleito municipal de 2020, Maguito Vilela. De qualquer maneira, interpreta-se que, com o carisma com que tem tratado o público desde que assumiu, mantendo boa relação com alguns atores políticos, dentre os quais a maioria da Câmara Municipal e com setores importantes, como empresários, ele avança com enorme possibilidade de vencer no ano que vem.