Como diagnóstico precoce salvou a vida de homem com câncer de próstata
Até o final de 2022, José Raimundo vivia sem qualquer sintoma da neoplasia maligna, que já estava se desenvolvendo em seu corpo de forma discreta e silenciosa, sem qualquer aviso prévio
Depois que completou 50 anos de idade, José Raimundo (nome fictício), com 67 anos atualmente, que não possuía histórico familiar de casos de câncer de próstata, começou a fazer os exames de rotina e prevenção contra a doença. “Inicialmente fazia uma vez por ano, mas agora faço de seis em seis meses”, diz ele, que prefere o anonimato muito por causa do tabu envolvendo o tipo de doença com a qual teve de conviver nos últimos meses.
José recebeu o diagnóstico da doença em maio deste ano. Ele conta que sempre teve a consciência de que qualquer homem está suscetível a ter um câncer de próstata, por isso sempre teve muito cuidado com os hábitos alimentares e preocupações com exercícios físicos. Mas, o que o salvou de possíveis maiores complicações pelo câncer foi o hábito de fazer os exames de rotina. “Isso me proporcionou um diagnóstico precoce da doença, o que permite um tratamento com grande perspectiva de cura”, relata.
Até o final de 2022, José Raimundo vivia sem qualquer sintoma da neoplasia maligna, que já estava se desenvolvendo em seu corpo de forma discreta e silenciosa, sem qualquer aviso prévio. Ao consultar o médico no início de 2023 e fazer os exames de rotina, aquilo que poderia ser somente mais uma consulta de prevenção, mostrou uma variação no Antígeno Prostático Específico (PSA) – sigla que se refere aos antígenos específicos da próstata, que são moléculas produzidas por essa glândula, inclusive quando ela está saudável -, e após os exames complementares, foi constatado que José estava com câncer de próstata.
Ao descobrir a doença, o homem que agora precisava se submeter a uma série de tratamentos, ficou com o psicológico abalado, mas se manteve firme na luta contra o câncer. “Apesar de ficar abalado, frente à situação estabelecida não tem muito o que lamentar, o necessário é ver o que precisa ser feito e tomar decisões. Foi o que fizemos”.
Com o apoio familiar e o acompanhamento médico, o homem iniciou os tratamentos contra a doença. “Fiz a cirurgia há quase dois meses e os resultados são excelentes, conforme exames realizados após a cirurgia. Hoje não tomo nenhum remédio em razão desta doença”, comemora ele, ao alertar sobre a importância do diagnóstico precoce que salvou a sua vida. “Independente da idade e do histórico familiar, entendo que todos os homens precisam deixar preconceitos e tabus de lado e realizarem as prevenções periódicas, pois certamente poderão evitar um mal maior”, alerta José Raimundo.
O médico oncologista Adriano Augusto, diz que o câncer de próstata é uma doença silenciosa, que em sua grande maioria, não apresenta sintomas nos casos iniciais. Dessa forma, a melhor maneira de prevenir a doença, é fazendo o exame de prevenção com frequência. “Então o homem não tem que esperar ter sintoma algum para fazer o exame de prevenção, para fazer o exame de rotina anualmente”, orienta o especialista.
Quando os sinais começam a surgir, a doença já está numa fase mais avançada, e nesses casos, dificilmente há uma solução clínica para o problema, segundo o especialista. “A doença vai crescendo, vai se agravando, aí ele vai começar a ter dificuldade para urinar, afilamento de jato urinário, perde a pressão, começa a levantar várias vezes à noite, pode ter sangramento urinário, dores ósseas terríveis, emagrecimento e até evoluir para a morte, às vezes sem fazer o diagnóstico”, alerta o médico.
Os tratamentos são feitos de forma individualizada, de acordo com o agravamento do câncer e da idade do paciente. “A gente precisa saber em que fase da vida essa pessoa se encontra, como é que é a questão urinária, o tipo de tumor, se é um tumor mais agressivo, menos agressivo, então a gente considera isso tudo para determinar o tratamento”, explica. Desse modo, existem casos onde o paciente pode precisar somente de acompanhamento médico, outros precisam passar por cirurgias, serem submetidos a radioterapia ou a tratamento medicamentoso. “Quando o paciente não pode operar nós temos a radioterapia, que é um tratamento muito eficaz para câncer de próstata, e nos casos mais avançados eventualmente o tratamento com bloqueio hormonal ou com quimioterapia”, salienta.
Quando detectado em estágio inicial, o câncer pode ser curado com cirurgia ou com radioterapia. O diagnóstico é feito a partir de exames de prevenção, que consistem na dosagem de PSA, que é um exame de sangue capaz de identificar se há alterações nesta dosagem ou não. “Quando esse PSA está alterado, precisamos saber o porquê disso”. O médico destaca que nem sempre que o PSA está alterado significa que a pessoa esteja com câncer. Por isso, há outro exame que pode identificar a doença, é o exame de toque retal. “A partir dos 50 anos de idade ou a partir dos 45, se o homem for da raça negra ou tiver um histórico de câncer de próstata na família, sendo o parente em primeiro grau, deve começar a fazer o exame de prevenção”, alerta o médico.
Cultura do homem “forte” dificulta exames de prevenção de câncer de próstata, diz especialista
A psicóloga Nádia Santana afirma que a resistência ao exame de rotina que identifica o câncer de próstata se dá, de um modo geral, pela cultura. Os homens crescem ouvindo que precisam ser fortes e dar conta de tudo sozinhos, e isso faz com que haja maior dificuldade para esse homem se disponibilizar para tratamentos psicológicos e até mesmo para consultas de rotina, qualquer que sejam elas. Somado a isso, tem a questão sexual, onde muitas vezes o paciente acha que se submeter ao exame de prevenção, coloca em “xeque a sua masculinidade”.
Dessa forma, estas questões continuam sendo tabus na sociedade. Apesar disso, a psicóloga afirma que ao longo dos anos, tem observado algumas evoluções nesse sentido e em relação aos tratamentos psicoçógicos. “Nós evoluímos muito, hoje em dia a maioria dos hospitais que tratam de câncer tem uma equipe de profissionais da psicologia”, afirma.
A psicologia da saúde tem uma atuação muito importante quando se trata do câncer. “Temos um trabalho muito importante desde o diagnóstico até os tratamentos”, pontua. Ao receber o diagnóstico, o paciente precisa de acompanhamento psicológico por uma série de razões, principalmente quando se trata de explicar para esse paciente que o diagnóstico não é uma sentença, segundo a especialista. “A gente ainda tem muito aquela visão de quando se tem um diagnóstico de câncer é um diagnóstico de terminalidade, de morte. Então a equipe de psicologia auxilia nisso e faz com que esse paciente entenda que o diagnóstico não é uma sentença”, explica.
Além disso, durante o processo dos tratamentos da doença, que são tratamentos difíceis, o apoio psicológico é fundamental. “Têm pesquisas comprovando que quando a pessoa faz um tratamento psicológico a qualidade de vida no processo do tratamento da doença até a recuperação é melhor e torna mais possível a cura”, finaliza.
No Brasil, estimam-se 71.730 novos casos de câncer de próstata por ano para o triênio 2023-2025. Atualmente, é o segundo tipo de câncer mais incidente na população masculina em todas as regiões do país, atrás apenas dos tumores de pele não melanoma. Além disso, é a segunda causa de óbito por câncer na população masculina.
A idade é o principal fator de risco para o câncer de próstata, sendo mais comum em homens a partir dos 60 anos de idade, bem como, histórico familiar de câncer de próstata antes dos 60 anos e obesidade para tipos histológicos avançados.
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