terça-feira, 30 de junho de 2026
Coalizão Florestas & Finanças

Bancos brasileiros são principais financiadores do agronegócio ligado ao desmatamento global

Estudo revela investimentos de bilhões de dólares em empresas envolvidas em violações socioambientais no Brasil

Luana Avelarpor Luana Avelar em 6 de dezembro de 2023
Banco do Brasil se destaca como principal financiador, com empréstimos totalizando 71 bilhões de dólares para o agronegócio. | Foto: Freepik
Banco do Brasil se destaca como principal financiador, com empréstimos totalizando 71 bilhões de dólares para o agronegócio. | Foto: Freepik

Um estudo internacional da Coalizão Florestas & Finanças aponta os bancos brasileiros como principais financiadores do agronegócio associado ao desmatamento global. No período de janeiro de 2016 a setembro de 2023, essas instituições canalizaram mais de 127 bilhões de dólares para empresas envolvidas em violações socioambientais nos setores de carne bovina, soja, óleo de palma, celulose, papel, borracha e madeira. O Banco do Brasil, sob controle governamental, se destacou como líder nesse financiamento.

Empresas operando no Brasil receberam mais de 20 bilhões de dólares anualmente, totalizando 188 bilhões entre 2016 e 2023. Suzano, Klabin e Marfrig lideraram os beneficiários, embora investigações recentes tenham exposto práticas como extração de minérios em áreas de preservação e denúncias de trabalho escravo. O relatório destaca a necessidade de atenção urgente a essas práticas e implementação de políticas mais eficazes.

O estudo apontou que o Banco do Brasil liderou empréstimos totalizando 71 bilhões de dólares para empresas do agronegócio com potencial impacto nas florestas durante o período analisado. A resposta do banco enfatizou sua política de crédito com critérios socioambientais. O Itaú foi identificado como o 20º maior investidor global associado ao desmatamento. Ambos os bancos se destacaram negativamente nas avaliações de políticas corporativas de sustentabilidade, ressaltando a necessidade de medidas mais robustas e transparentes.

Durante a COP 28, o relatório destacou a discrepância entre os investimentos destinados à exploração comercial dos biomas e as medidas para conter os efeitos da crise climática. Enquanto o Fundo de Perdas e Danos para países em desenvolvimento, anunciado durante a conferência, conta com 420 milhões de dólares, os bilhões investidos em atividades que ameaçam as florestas são considerados desproporcionais. A coalizão Florestas & Finanças reforça a necessidade urgente de regulamentação mais rigorosa para responsabilizar as instituições financeiras pelos impactos ambientais de seus financiamentos.

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