sexta-feira, 19 de junho de 2026
Espetáculo Sensorial 

Quasar Cia de Dança celebra 35 anos com apresentações em Goiás 

Pela primeira vez, a companhia utiliza a arte como ferramenta de conscientização ambiental, no espetáculo ‘Menos da Metade’

Letícia Leitepor Letícia Leite em 12 de dezembro de 2023
No palco, os bailarinos da Quasar se transformam em um elo entre a audiência e a natureza do Cerrado, tecendo uma narrativa que busca envolver e fazer sentir a grandiosidade e a fragilidade desse bioma | Foto: Layza Vasconcelos
No palco, os bailarinos da Quasar se transformam em um elo entre a audiência e a natureza do Cerrado, tecendo uma narrativa que busca envolver e fazer sentir a grandiosidade e a fragilidade desse bioma | Foto: Layza Vasconcelos

Reconhecida por sua linguagem singular, desenvolvida ao longo de mais de três décadas, a goiana Quasar Cia de Dança, uma das principais companhias de dança do Brasil, está comemorando seus 35 anos de existência com a estreia do espetáculo ‘Menos da Metade’. Com uma pré-estreia marcada para a Cidade de Goiás, no dia 16 de dezembro, no Teatro São Joaquim, a obra terá sua premiére em Goiânia nos dias 19, 20 e 21, no Teatro Madre Esperança Garrido. Já em janeiro a cidade de Quirinópolis/GO também será contemplada, no dia 7, no Teatro Municipal Teotônio Vilela.

A Quasar Cia de Dança acredita que a arte pode ser uma poderosa ferramenta de transformação e conscientização. Por isso, através do espetáculo, eles buscam despertar a consciência do público e incentivar ações em prol da preservação do Cerrado. A destruição se transforma em esperança e a indiferença se converte em ação.

Ao assistir a essa obra, o espectador será convidado a refletir sobre a necessidade de preservar esse bioma tão ameaçado, entendendo que a destruição do Cerrado não é apenas uma perda para a biodiversidade, mas também para o equilíbrio climático global. O grupo nos lembra que a preservação do Cerrado é uma responsabilidade de todos nós, e que é possível construir um futuro onde esse bioma floresça e encante as gerações futuras. É hora de agir e proteger esse patrimônio natural tão valioso.

Ineditismo temático e engajamento ambiental 

Neste momento especial, o coreógrafo Henrique Rodovalho decidiu fazer uma pausa em suas temáticas habituais para abordar um assunto urgente e relevante para toda a sociedade. Com o espetáculo ‘Menos da Metade’, a Quasar trata sobre a destruição do bioma Cerrado, um tema que reflete a urgência da sobrevivência e a importância da preservação ambiental.

O diretor artístico traz algo completamente diferente de tudo que já fez até agora. Através da dança, ele convida o público a refletir sobre a relação entre a humanidade e o meio ambiente, mostrando como a destruição do Cerrado afeta diretamente nossa existência e a sobrevivência de um ecossistema devastado. Segundo Rodovalho, menos da metade é a quantia que ainda resta da flora característica de nosso estado.

No palco, os bailarinos da Quasar se transformam em um elo entre a audiência e a natureza do Cerrado, tecendo uma narrativa que busca envolver e fazer sentir a grandiosidade e a fragilidade desse bioma. Através de movimentos e expressões corporais, eles evocam a beleza, a contorção, as temperaturas, as texturas e as fragrâncias desse ambiente tão rico e ameaçado.

Sobre sua nova obra, o coreógrafo ainda diz:  “Eu tenho pensado nesse trabalho há bastante tempo e cada vez mais percebo a necessidade dele. Esse ano estamos vivendo temperaturas fora do comum em todo o Brasil, com secas devastadoras em alguns lugares e chuvas destruidoras em outros. Até mesmo para quem é produtor rural, essas condições são prejudiciais. E Goiás é o estado que mais tem terras produzindo soja ou criando bovinos. Uma coisa que tenho pensado é na real necessidade de se desmatar mais terras, para garantir novas safras e rebanhos. Precisamos, sim, de reflorestar as áreas de conservação já degradadas, com consciência de que nosso futuro e de nossos descendentes depende disso. A ideia desse espetáculo da Quasar é levantar essas questões, mesmo que cause incômodo em quem não pensa dessa maneira. Debater isso, a partir de um estado que desmata e que está perdendo seus biomas é nossa obrigação.”

Espetáculo sensorial 

Além da dança, o espetáculo conta com uma produção impecável. A iluminação, assinada por Henrique Rodovalho, expressa as fases pelas quais o Cerrado se transforma ao longo das estações e intempéries naturais ou provocadas pelo homem. O figurino, criado por Cássio Brasil, o cenário idealizado por Marcus Camargo, e os aromas de Leonora Rocha Lima, complementam a experiência visual e sensorial do espetáculo.

A trilha sonora de Luiz Fernando Clímaco e Henrique Reis inclui canções que remetem à composições consagradas de músicos goianos, além das sonoridades características do Cerrado e ritmos percussivos, que tanto impactam quanto emocionam. O elenco é formado por bailarinos goianos, que também se destacam em seus trabalhos de interpretação, sendo eles e elas: Alice Campelo, Felipe Silva, Gleysson Moreira, Gustavo Silvestre, Luiza Scalabrini, Marcella Landeiro, Murilo Heindrich, Thaís Kuwae, Tiago Ferreira e Wanessa Paula.

O Cerrado brasileiro, a precariedade de sua preservação e o aumento da temperatura global. O Cerrado, segundo maior bioma brasileiro, é um tesouro natural que abriga uma rica biodiversidade e é fundamental para a manutenção do equilíbrio ambiental. No entanto, infelizmente, esse ecossistema está sendo devastado a uma velocidade alarmante. A destruição do Cerrado não apenas causa a perda de espécies únicas e ameaçadas de extinção, mas também contribui para a elevação da temperatura mundial.

Isso ocorre porque o bioma atua como um regulador climático, absorvendo grandes quantidades de dióxido de carbono e liberando oxigênio. Com a expansão da agropecuária, a urbanização desenfreada e a exploração descontrolada dos recursos naturais, o Cerrado está sendo transformado em áreas de cultivo, pastagens e empreendimentos imobiliários. 

Essas atividades têm causado desmatamento, erosão do solo, perda de nascentes e contaminação dos rios, comprometendo a sobrevivência não apenas da fauna e flora, mas também das comunidades tradicionais que dependem desses recursos.

É urgente que a sociedade se conscientize sobre a importância de preservar o Cerrado e tome medidas para sua conservação. A Quasar Cia de Dança, em seu novo espetáculo ‘Menos da Metade’, busca sensibilizar o público para essa tragédia ambiental, utilizando a arte como uma poderosa ferramenta de transformação e despertar de consciências.

Em Goiânia, os ingressos podem ser adquiridos pelo site. Na Capital, a sessão do dia 21, contará com audiodescrição, para pessoas cegas ou com baixa visão.

Serviço

Espetáculo ‘Menos da Metade’

Quando: 16, 19, 20, 21 de dezembro e 7 de janeiro

Onde: R. Moretti Foggia – Goiás; Av. Contorno, Nº 241, St. Central – Goiânia e R. José Melgaço da Fonseca, Nº 293-363, Centro – Quirinópolis

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