segunda-feira, 29 de junho de 2026
Fugiram

O sumiço dos gatinhos Zé e Zoe e da cachorrinha Lucy

A dor que Cinthia descreve é similar à perda de um membro qualquer da família

João Reynolpor João Reynol em 30 de dezembro de 2023
Cinthia sai todos os dias de sua casa para procurar Zoe (ao seu colo) e Zé | Foto: Reprodução
Cinthia sai todos os dias de sua casa para procurar Zoe (ao seu colo) e Zé | Foto: Reprodução

Para Cinthia Nogueira, de 56 anos, passar o período de Natal e Ano Novo sem os seus três gatos Zé, Zoe e Léo, e o seu cachorro Darwin era algo impensável até pouco tempo atrás. Contudo, parte de sua vontade foi tirada de si quando o casal de felinos Zoe e Zé saíram de sua casa numa quinta-feira (7), para não voltarem até depois do Natal. 

Cinthia descreve seus gatos com muita atenção nos mínimos detalhes, a fêmea Zoe é de coloração preta com manchas brancas no corpo, ela descreve o comportamento da gata como a “mais normal da ninhada”. Já o macho Zé é considerado mais arisco, grudado em Zoe o tempo inteiro por crescerem juntos e possui pêlo longo e cinza.

A dor que Cinthia descreve é similar à perda de um membro qualquer da família, pois a falta de notícia dos felinos a corrói por dentro, como assim descreve. “Eu saio todo dia aqui perto de casa na rua para olhar por eles, mas vejo aquele mato e os carros andando e não consigo não me preocupar”, como diz Cinthia.  

Outra pessoa que possui um sofrimento similar à Cinthia é o Bruno Pereira, tutor da cadela Lucy que sumiu na tarde da terça (19). Segundo ele, a cadela de pelagem caramelo fugiu após terem levado ela para a casa de um amigo. “Essa foi a primeira vez que algo desse tipo acontece com ela. Ela nunca fez isso”, diz Bruno.

A dor, inclusive, transcende sua família humana para a cedala Luna, mãe de Lucy, que está depressiva desde o sumiço da filha. “Ela sempre foi muito carinhosa, era sempre ela que recebia a gente em casa. Sentimos muita falta de sua companhia, a família inteira chorou um pouco, até a Luna está triste”. Contudo, também relata a mesma esperança de Cinthia para achar a Lucy com vida e saudável.

Esse tipo de angústia da saudade é sentida por vários goianienses todos os anos, e em especial em épocas de festividades de fim de ano por causa de barulhos, luzes e muita movimentação perto da residência. 

Como diz Ana Clara Gonçalves, médica veterinária, o melhor a se fazer nestas horas são cuidados para diminuir o estresse no animal. “O que a pessoa pode fazer é colocar um algodão na orelha do bicho em queima de fogos por exemplo. O tutor também pode levar o animal para um local onde ele possa se sentir seguro como um quarto, uma sala”, diz Ana.

Para os bichos que este procedimentos mais simples não resolvam existe a oportunidade de medicamentos psicoativos, mas Ana esclarece a necessidade da atenção ao medicar. “Para os animais em estado ‘críticos’ nesta época, recomendo que o tutor procure um veterinário para prescrever um medicamento como um calmante. Contudo, cada caso é um caso, e não podemos utilizar tudo em todos por isso a necessidade de médico veterinário”.

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