quinta-feira, 15 de outubro de 2026
Luta contra o Câncer

Mulher que teve câncer de colo do útero conta como diagnóstico tardio lhe custou ‘caro’ nos tratamentos

A recepcionista Dalva Izabel Alves, foi diagnosticada com a doença em 2017, aos 40 anos de idade, após crises hemorrágicas

Ronilma Pinheiropor em
Mulher que teve câncer de colo do útero conta como diagnóstico tardio lhe custou ‘caro’ nos tratamentos
Logo que descobriu a anomalia

O câncer do colo do útero é o terceiro tipo de câncer mais incidente entre as mulheres no Brasil, com exceção de tumores de pele não melanoma. De acordo com o Ministério da Saúde, a incidência maior é entre mulheres com idade entre 25 a 59 anos.

A recepcionista Dalva Izabel Alves, que tem 47 anos atualmente, foi diagnosticada com a doença em 2017, aos 40 anos de idade, após crises hemorrágicas que duravam de dois a três meses. Ao sentir os sintomas, a mulher foi ao médico, que a princípio achou que se tratava de um mioma – tumor uterino benigno formado por tecido muscular.

O tumor foi descoberto a partir do exame preventivo Papanicolau, teste realizado para detectar alterações nas células do colo do útero. O exame também pode ser chamado de esfregaço cervicovaginal e colpocitologia oncótica cervical. “Foi onde eles descobriram que se tratava de um câncer de colo de útero”, relembra a recepcionista.

Logo que descobriu a anomalia, Dalva iniciou o processo de tratamentos e a luta contra o câncer durou cinco meses. Nesse período, ela foi submetida a 32 radioterapia, seis quimioterapia e três braquiterapia. “Foi um tratamento bem agressivo, bem agressivo mesmo, principalmente as rádios. Me queimou muito, eu quase não conseguia urinar porque estava muito queimado por dentro”, lembra a mulher ao dizer que ficou debilitada na época. Vômitos, enjoos, falta de apetite e fraquezas, foram alguns dos efeitos colaterais do tratamento.

No geral, o câncer de colo do útero é assintomático, podendo os sintomas surgirem quando a doença já está em um estágio mais avançado. A explicação é da médica ginecologista e obstetra do Hospital Estadual da Mulher (Hemu), Maria Elaine Assis. O sangramento é um dos principais sinais desse tipo de tumor, segundo Maria.

Por se tratar de uma doença silenciosa, o exame preventivo torna-se um importante aliado para o diagnóstico precoce, que pode evitar maiores complicações pela doença e salvar a vida da mulher.

Como o câncer está relacionado ao Papilomavírus Humano (HPV) – vírus transmitido por meio do contato sexual sem o uso de preservativos – a partir do início da vida sexual, a pessoa precisa fazer exames periódicos para prevenir contra Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).

Nesse sentido, a prevenção contra o câncer de colo do útero começa com a vacina contra o HPV. Imunizante disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS), para crianças e adolescentes com idades entre 9 e 14 anos. A vacina contempla os dois principais sorotipos do vírus que causam verrugas anogenitais, sendo 6 e 11; e também protege contra o sorotipo 16 e 18, que estão envolvidos em quase 100% dos casos de câncer de colo de útero.

A outra forma de proteção contra a doença, é por meio do preservativo, produtos disponibilizados gratuitamente pelo SUS, que podem ser adquiridos nas Unidades de Saúde em todo o país. “Além disso, esta é uma orientação para todas essas doenças que são sexualmente transmissíveis”, destaca a médica.

Tratamentos

Os tratamentos contra o câncer de colo do útero, vão depender do estágio e gravidade da doença, é o que afirma a médica com especialidade em ginecologia e oncologia, Rossana de Araújo Catão Zampronha.

Assim, quando há uma lesão de alto risco, costuma-se retirar a parte do útero que está afetada pelo tumor. Em casos em que a lesão é considerada invasiva, ou seja, apresenta alto risco, o tratamento é feito a partir da retirada completa desse órgão.

Esse foi o caso da Dalva, que perdeu o útero para o câncer. A mãe da Bruna Isabel, 22, e do Felipe Augusto, 18, ainda queria ter mais filhos, porém, o desejo se tornou impossível, já que não tem mais o órgão reprodutor feminino.

Rossana explica ainda que há casos em que é preciso fazer a retirada de linfonodos da região pélvica, também associada à retirada do útero. Já nos quadros em que não é possível fazer o procedimento cirúrgico, é necessário usar outros meios como a radioterapia exclusiva, associada a uma quinta terapia semanal, que vai potencializar o tratamento, o efeito da radioterapia, de acordo com a especialista.

Quando a doença se encontra em estágios mais avançados, onde há comprometimento dos gânglios linfáticos, ou seja, os linfonodos da pelve ou de outros órgãos, envolve uma combinação de quimioterapia e radioterapia ou apenas quimioterapia. Além disso, a mulher corre o risco de perder outros órgãos além do útero, em caso de metástase – quando as células do câncer se desprendem do tumor principal e se disseminam, se alojando em outras partes do corpo, como tecidos e órgãos distantes do local onde a primeira lesão se iniciou, formando novos tumores.

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