sexta-feira, 6 de novembro de 2026
Investigação da PF

Polícia Federal indicia Bolsonaro por fraude em certificados de vacinação

As investigações, relacionadas a uma suposta fraude em certificados de vacinação contra a Covid-19, resultaram no relatório final da Polícia Federal, que também indiciou outras 16 pessoas por crimes similares

Tathyane Melopor em
Polícia Federal indicia Bolsonaro por fraude em certificados de vacinação
As investigações

A Polícia Federal (PF) indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seu ex-ajudante de ordens Mauro Cid, e o deputado federal Gutemberg Reis (MDB-RJ) pelos crimes de associação criminosa e inserção de dados falsos em sistema de informação. As investigações, relacionadas a uma suposta fraude em certificados de vacinação contra a Covid-19, resultaram no relatório final da Polícia Federal, que também indiciou outras 16 pessoas por crimes similares.

Segundo a PF, Bolsonaro e seus auxiliares teriam inserido informações falsas no sistema de vacinas do governo federal para fabricar certificados de vacinação falsos contra a Covid-19. Esse caso marca a primeira vez em que Bolsonaro é indiciado dentro das investigações em andamento na Polícia Federal. As acusações incluem associação criminosa e inserção de dados falsos em sistemas públicos, como o registro de vacinação para ele e sua filha mais nova, Laura Bolsonaro, de 12 anos, que não teriam sido verdadeiros.

Indiciados pela PF

Além de Bolsonaro, Mauro Cid, e Gutemberg Reis, outras pessoas foram indiciadas pela PF, incluindo familiares, assessores, ex-funcionários e autoridades locais. Entre eles estão Gabriela Santiago Cid, esposa do ex-ajudante de ordens; Marcelo Costa Câmara, Max Guilherme Machado de Moura e Sergio Rocha Cordeiro, assessores do ex-presidente; Luis Marcos dos Reis, sargento do Exército; Ailton Gonçalves Barros, ex-major do Exército; Farley Vinicius Alcântara, médico; João Carlos de Sousa Brecha, então secretário de Governo de Duque de Caxias; Cláudia Helena Acosta Rodrigues da Silva e Camila Paulino Alves Soares, funcionárias municipais de Duque de Caxias; Eduardo Crespo Alves, militar; Paulo Sérgio da Costa Ferreira; e Marcelo Fernandes Holanda.

Investigação dos certificados de vacinação

A inserção de dados falsos nos sistemas SI-PNI e RNDS do Ministério da Saúde resultou na alteração da verdade sobre a condição de imunização contra a Covid-19 dos beneficiários, permitindo que essas pessoas emitissem certificados de vacinação falsos para burlar as restrições sanitárias impostas pelas autoridades públicas.

De acordo com o relatório final enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), os documentos de imunização foram emitidos a partir de endereços de IP do Palácio do Planalto. O relatório detalha que quatro emissões foram registradas no aplicativo ConecteSUS, sendo três delas nos dias 22, 27 e 30 de dezembro de 2022. 

Não apenas isso, mas o IP 170.246.252.101, vinculado à Presidência da República e cadastrado no Palácio do Planalto, foi identificado como o ponto de acesso para duas das emissões, ocorridas nos dias 22 e 27 de dezembro. Segundo a PF, esses acessos foram realizados pelo usuário do ex-presidente, Jair Bolsonaro.

“Desta forma, é possível concluir que o acesso ao aplicativo ConecteSUS e as consequentes emissões de certificado de vacinação contra a Covid-19, nos dias 22 e 27 de dezembro de 2022, pelo usuário do ex-Presidente da República JAIR BOLSONARO foram realizados no Palácio do Planalto, local condizente com a atividade então exercida por JAIR MESSIAS BOLSONARO. Da mesma forma, o acesso ao aplicativo ConecteSUS e a emissão de certificado de vacinação contra a Covid-19 no dia 30 de dezembro de 2022 foram realizadas por meio do telefone celular de MAURO CESAR CID, então chefe da Ajudância de Ordens do ex-Presidente da República JAIR BOLSONARO”, afirma a PF.

As consequências legais desses delitos podem envolver penas que variam de um a três anos de reclusão pelo crime de inserção de dados falsos em sistemas de informações, até reclusão de dois a doze anos por falsidade ideológica de documento público. 

As revelações ganham ainda mais peso com a recente delação premiada de Mauro Cid, que afirmou que as informações falsas foram inseridas a pedido de Jair Bolsonaro. Com o relatório final agora nas mãos do ministro Alexandre de Moraes, do STF, espera-se que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresente denúncias formais contra os indiciados.

O que diz a defesa

Em resposta ao indiciamento, o advogado de Jair Bolsonaro, Fabio Wajngarten, lamentou o “vazamento” da informação e destacou a necessidade de um processo revestido de técnica e procedimento adequados, em vez de se tornar midiático e parcial.

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