quinta-feira, 8 de outubro de 2026
Protesto

Estudantes são agredidos e detidos em protesto contra escolas cívico-militares na Alesp

Confronto na Assembleia Legislativa de São Paulo marca votação do projeto de Tarcísio

Vitória Bronzatipor em
Projeto de Tarcísio de Freitas prevê que PMs da reserva recebam mais do que professores da rede estadual | Foto: Reprodução
Projeto de Tarcísio de Freitas prevê que PMs da reserva recebam mais do que professores da rede estadual | Foto: Reprodução

Estudantes contrários ao projeto de criação de escolas cívico-militares em São Paulo foram vítimas de agressão e detenção por parte da Polícia Militar na tarde desta terça-feira (21), na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). O projeto, de autoria do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), está em votação na Alesp.

Os estudantes, que tentavam acompanhar a votação do projeto na galeria do plenário, foram impedidos de entrar pela PM, que utilizou escudos e cassetetes para conter os manifestantes. Vídeos registrados pelos próprios estudantes mostram a ação truculenta da PM.

Em nota oficial, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) confirmou a detenção de sete pessoas “após tentarem invadir o plenário”. A pasta informou que as imagens da ação serão analisadas e a ocorrência encaminhada ao 27º Distrito Policial (Campo Belo).

O episódio gerou forte repercussão, com entidades de defesa dos direitos humanos e políticos de oposição condenando a ação da PM. O deputado estadual Edmir Chedid (União Brasil) criticou as medidas repressivas e a forma acelerada com que o projeto está sendo tramitado na Alesp.

Projeto

O projeto prevê a criação de 50 escolas cívico-militares no estado ainda em 2025. O modelo prevê a presença de policiais militares da reserva na gestão das unidades escolares, com funções de “segurança escolar” e desenvolvimento de “atividades extracurriculares de natureza cívico-militar”.

A proposta tem sido alvo de críticas por parte de especialistas em educação, que questionam a constitucionalidade do modelo e seus impactos pedagógicos. O projeto também gera controvérsia por prever que os PMs da reserva receberão um adicional de até R$ 6.034, valor superior ao piso salarial dos professores da rede estadual paulista.

A implementação de escolas cívico-militares em São Paulo se insere em um contexto nacional de debate sobre a militarização da educação. O governo federal, sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), extinguiu o programa nacional de fomento a esse tipo de escola, alegando que o modelo fere a Constituição e as diretrizes da educação brasileira.

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