sexta-feira, 15 de maio de 2026
Mudanças

As trocas de Caiado no primeiro escalão do governo goiano

Secretária estadual da Economia, Selene Peres pediu demissão e foi substituída pelo economista Francisco Sérvulo, que estava na Sead. Exoneração ocorreu em meio a impasse da pasta com Poderes Judiciário e Legislativo

Gabriel Neves Matospor Gabriel Neves Matos em 22 de maio de 2024
As mudanças no secretariado do governo estadual foram publicadas no Diário Oficial de Goiás na manhã de ontem | Foto: Reprodução
As mudanças no secretariado do governo estadual foram publicadas no Diário Oficial de Goiás na manhã de ontem | Foto: Reprodução

O governador Ronaldo Caiado (União Brasil) fez ontem (21) duas trocas no primeiro escalão do seu governo. A secretária estadual da Economia, Selene Peres, pediu demissão da pasta e foi substituída pelo economista Francisco Sérvulo, que estava no comando da secretaria estadual de Administração (Sead). Caiado nomeou o procurador de Estado Alan Tavares para exercer a chefia da Sead no lugar de Sérvulo.

As mudanças no secretariado do governo estadual foram publicadas no Diário Oficial de Goiás na manhã de ontem. As trocas ocorrem em meio a impasses da secretaria de Economia com os Poderes Legislativo e Judiciário. Uma nota técnica da pasta enviada à Secretaria do Tesouro Nacional (STN) em abril revelou que quatro dos sete Poderes e órgãos autônomos goianos encerraram 2023 com despesas primárias que furaram o teto estabelecido pela lei do Regime de Recuperação Fiscal (RRF).

De acordo com a nota técnica, o Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) excedeu o limite em R$ 150,2 milhões no final do ano passado. Também ultrapassaram o teto a Defensoria Pública do Estado (DPE-GO), com R$ 51,435 milhões acima do limite; a Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), com R$ 6,1 milhões; e o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-GO), que superou o teto em R$ 1,487 milhão.

Legislativo e Judiciário divulgaram notas criticando a nota técnica da secretaria da Economia. Ao HOJE, o Tribunal de Justiça de Goiás afirmou na semana passada que não estourou o teto e que todas as despesas criadas por lei no período foram previamente aprovadas pelo Conselho de Supervisão do Regime de Recuperação Fiscal.

“Além disso, os gastos deste Poder em custeio e investimento são exclusivamente arcados com recursos provenientes de arrecadação própria e, por isso, encontram- se fora do Regime de Recuperação Fiscal, por decisão do Supremo.” O TJ-GO também criticou a metodologia da pasta.

O presidente da Alego, Bruno Peixoto (União Brasil), disparou comentários à Selene Peres em entrevista à rádio CBN Goiânia. “A secretária foi deselegante com sua nota. Até porque, estamos trabalhando em sintonia, cortando despesas. O benefício que o RRF traz é parcelamento de dívidas e juros, e o único beneficiado é o Poder Executivo”, disse ele.

O governador Ronaldo Caiado negou na semana passada que houvesse uma crise em sua gestão por conta do episódio. A demissão de Selene Peres teria caráter “técnico”. No entanto, auxiliares próximos do governo estadual dizem que o celeuma entre a secretária e os Poderes provocou ruídos e pressão para que Caiado promovesse a exoneração.

Peres chegou à pasta em abril do ano passado, logo após a ex-secretária da Economia Cristiane Schmidt pedir exoneração. A participação efetiva no debate sobre a reforma tributária teria sido um dos pontos a favor de Peres para que Caiado a escolhesse como novo nome para chefiar a secretaria.

Peres é também uma das autoras da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Ela atuou na elaboração da lei quando era assessora econômica do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Francisco Sérvulo Freire Nogueira, o novo titular da secretaria estadual da Economia, já foi secretário adjunto da pasta. Ele é mestre em Teoria Econômica pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB). É também especialista em Planejamento Estratégico e Desenvolvimento e em Políticas Públicas e Gestão Governamental pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap), além de possuir especialização em Economia do Setor Público pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Já o procurador do Estado Alan Tavares, que assume a Sead, é membro do Conselho de Supervisão do Regime de Recuperação Fiscal do Estado de Goiás, criado pelo Ministério da Economia. Tem especialização em Direito Público, Direito Civil e Direito Processual Civil, tendo sido coordenador do Núcleo de Execução Fiscal da Procuradoria-Geral do Estado de Goiás (PGE), entre 2009 e 2011. Foi também procurador-chefe da Procuradoria Setorial da antiga Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), atualmente Secretaria de Estado da Economia, entre 2014 e 2015.

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