quinta-feira, 18 de junho de 2026
Disputa Eleitoral

Aversão ao petismo pode dificultar planos de Gomide em Anápolis

Se Bolsonaro mergulhar na disputa em Anápolis, pode representar uma séria ameaça ao projeto esquerdista, especialmente ante a já esperada ausência de Lula

Felipe Cardosopor Felipe Cardoso em 22 de maio de 2024
Uma pesquisa realizada pelo Jornal Opção em Anápolis revelou que a gestão Lula não é aprovada pela maioria esmagadora dos anapolinos | Foto: Reprodução
Uma pesquisa realizada pelo Jornal Opção em Anápolis revelou que a gestão Lula não é aprovada pela maioria esmagadora dos anapolinos | Foto: Reprodução

Entre os políticos mais experientes, há um consenso: toda eleição só termina com a abertura das urnas. No contexto específico do município de Anápolis, os rumores relacionados à disputa eleitoral de 2024 apontam para um favorito: Antônio Gomide, ex-prefeito da cidade e atual deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

Gomide é um político experiente, tendo sido testado pela população de Anápolis em duas ocasiões anteriores. Ele conhece bem o funcionamento da máquina pública e pretende explorar essa vantagem ao máximo durante a campanha. No entanto, seu alinhamento político-ideológico com o PT pode ser um obstáculo para alguns eleitores.

As pesquisas pré-eleitorais apontam Gomide como favorito, mas há um dilema. Anápolis é vista como uma das cidades mais inclinadas ao bolsonarismo no Estado. A população tem simpatia pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e, consequentemente, demonstra aversão ao atual governante, o presidente Lula.

Para alguns analistas, Gomide se beneficia mais sem a presença de Lula em seu palanque. Mesmo sendo o presidente da República, Lula não desfruta do prestígio popular em Anápolis. Essa situação começa a se refletir nos números.

Uma pesquisa realizada pelo Jornal Opção em Anápolis revelou que a gestão Lula não é aprovada pela maioria esmagadora dos anapolinos. Apenas 8% dos 600 entrevistados consideram a gestão ótima, enquanto 12% a classificam como boa. A maior fatia, 38%, a considera “péssima”. Gomide tem acesso a esses dados e precisa lidar com o desafio de desidratar o bolsonarismo, que ainda não se manifestou plenamente em Anápolis.

O cenário aponta para Márcio Correa como representante do bolsonarismo. Ele trabalha nos bastidores e migrou do MDB para o PL, partido do ex-presidente. A preocupação de Gomide reside na força que o bolsonarismo pode ganhar quando a corrida eleitoral começar oficialmente.

Diante do desgaste do PT em Anápolis, uma alternativa ventilada é adotar a estratégia de Adriana Accorsi em 2016, quando concorreu à prefeitura de Goiânia. Naquela época, a campanha da petista se distanciou dos símbolos e cores do partido, que enfrentava queda de popularidade devido aos supostos escândalos de corrupção, bem como a queda da então presidente Dilma Rousseff.

No entanto, o que se sabe até agora é que Gomide tende a não contar com o endosso eleitoral do presidente Lula em agendas em Goiás. Conforme mostrou reportagem do HOJE na semana passada, o deputado federal Rubens Otoni (PT) disse que com a crise no Rio Grande do Sul, uma visita do mandatário ao estado goiano deve ficar para depois. Otoni, que é irmão de Gomide e que está em sua coordenação da campanha, reforça que a visita de Lula a Goiás terá caráter institucional e não eleitoral. “A agenda do presidente não será eleitoral. Será institucional, em alguma inauguração ou lançamento de programas”, afirmou.

Fato é que o cenário de agora é completamente diferente daquele em que o Brasil se encontrava há oito anos atrás. Lula está na presidência e pode não fazer o mesmo sentido tentar afastar sua imagem da campanha. Ao mesmo tempo, Bolsonaro, apesar de já não ocupar a mais cobiçada cadeira da política brasileira, segue entre os nomes mais influentes da história do País. Se mergulhar na disputa em Anápolis pode representar uma séria ameaça à esquerda, especialmente ante ao vazio de Lula na disputa.

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