Organização criminosa roubou R$ 2,3 milhões de ex-jogador Paolo Guerrero, afirma delegado da PF
Investigação da Polícia Federal revela esquema de fraude no FGTS de atletas estrangeiros
Uma operação da Polícia Federal desvendou um esquema criminoso que desviou R$ 2,3 milhões do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) de Paolo Guerrero, ex-jogador de Corinthians, Flamengo e Internacional. A quadrilha, especializada em fraudes envolvendo o FGTS, focava em atletas estrangeiros que, após jogarem no Brasil, retornavam aos seus países de origem e esqueciam do benefício previdenciário.
O delegado Caio Porto Ferreira, da força-tarefa da Caixa Econômica Federal, explicou, em entrevista exclusiva à CNN, que a quadrilha monitorava contas com altos saldos, priorizando aquelas de jogadores estrangeiros. Os fraudadores obtinham documentos originais dos atletas e produziam falsificações para sacar os recursos. Três núcleos compunham o grupo criminoso: um responsável pela obtenção dos documentos, outro pelo contato com profissionais do futebol, e o terceiro pela interação com profissionais de bancos.
A investigação descobriu que os principais alvos mantinham laços com atletas em atividade e empresários do futebol, utilizando-se dessa proximidade para acessar os documentos e as contas do FGTS dos jogadores. Em resposta às denúncias, alguns criminosos tentaram devolver parcialmente os valores desviados.
Em nota, a Caixa Econômica Federal destacou que as informações sobre os casos estão sob sigilo, sendo compartilhadas apenas com autoridades policiais e de controle.
Guerrero percebeu o saque indevido de seu FGTS em junho de 2022, quando tentou realizar um saque em Porto Alegre. Após registrar a ocorrência junto à Polícia Federal, o ex-jogador foi informado por seu ex-motorista que os criminosos queriam devolver parte do valor. A equipe jurídica de Guerrero contatou advogados do Banco Santander, onde foi aberta uma conta em nome do jogador com documentos falsificados, por meio da qual os golpistas transferiram o valor desviado.
Após um procedimento administrativo contestando o saque indevido, a Caixa Econômica Federal restituiu o valor ao FGTS de Guerrero cerca de seis meses depois, após intensa insistência da equipe jurídica do jogador.
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