sexta-feira, 9 de outubro de 2026
Reforma Tributária

Vanderlan cria grupo de trabalho para discutir regulamentação da reforma tributária 

Segundo Vanderlan Cardoso, autor da iniciativa, criação do grupo reflete compromisso do Senado com discussão abrangente e detalhada

Felipe Cardosopor em
A reforma aprovada em dezembro de 2023 está em fase de regulamentação e caminha rumo à implementação efetiva | Foto: Lindomar Gomes
A reforma aprovada em dezembro de 2023 está em fase de regulamentação e caminha rumo à implementação efetiva | Foto: Lindomar Gomes

O senador Vanderlan Cardoso (PSD), que preside a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, submeteu à votação dos congressistas um requerimento de sua autoria para a criação de um novo grupo de trabalho destinado a discutir a regulamentação da reforma tributária. O documento foi aprovado durante reunião da última terça-feira (11). 

A CAE é tida como peça fundamental na discussão das mudanças fiscais. Agora, com o grupo, a ideia é que possa seguir a mesma linha de atuação durante a tramitação da regulamentação da PEC.

Depois de aprovada a iniciativa, Vanderlan lembrou que a intenção, assim como foi na primeira fase, é diminuir os impactos negativos e ajudar a construir textos que levem o Brasil a um sistema tributário mais justo. “Fazemos isso agora em razão de nossa feliz experiência com o grupo de trabalho desenvolvido aqui e que muito contribuiu para a melhoria do texto da PEC”, explicou.

A reforma aprovada em dezembro de 2023 está em fase de regulamentação e caminha rumo à implementação efetiva. Para essa fase, o Congresso recebeu dois Projetos de Lei Complementar. O primeiro, aborda normas comuns à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), além de questões específicas como o Regime Automotivo do Nordeste e o Imposto Seletivo. 

O segundo, foca nas questões específicas do IBS, incluindo comitê gestor, governança, contencioso administrativo e distribuição de receita para estados e municípios.

Diante desse cenário, o senador antecipou a discussão para que os parlamentares tenham tempo suficiente para contribuir com os projetos que chegarão em breve no Legislativo. “Nosso objetivo com esse grupo criado na CAE é buscar o aperfeiçoamento dessas matérias”, disse. 

A interpretação do senador é que a criação do grupo demonstra o compromisso do Senado em assegurar que a regulamentação da reforma seja discutida de forma abrangente e detalhada. 

Na contramão 

O governador Ronaldo Caiado (União Brasil) é um dos nomes mais críticos à reforma. Em abril, ele falou sobre o assunto em entrevista ao O Hoje. Na ocasião, voltou a criticar alguns pontos, cobrou transparência e reafirmou que deverá ir ao Supremo Tribunal Federal (STF) para judicializar a emenda constitucional promulgada pelo Congresso Nacional no fim do ano passado. 

“O que está posto até o momento foi um total desrespeito a nós, e que os governadores sequer foram consultados. Foi uma coisa que passou apenas na cúpula do governo [federal], com alguns economistas tratando do assunto, e o Congresso Nacional deverá receber hoje o projeto do CBS e do IBS ”, disse. 

E continuou: “as informações que nós tivemos é que realmente estão retirando dos estados as suas prerrogativas constitucionais. Além de nos impor uma carga tributária que será cada vez maior, um favorecimento às estruturas exportadoras com graves prejuízos à sobrevivência dos estados, como o estado de Goiás que é gerador de commodities.”

Desde o ano passado, Caiado tem vocalizado em entrevistas e viagens o descontentamento com a perda de autonomia que os estados enfrentarão com a reforma tributária, prevista para viger a partir de 2032. 

Ao HOJE, o governador argumentou que “no momento em que todos os nossos produtos forem exportados, todo o imposto pago desde ao comprar o combustível, o defensível, o adubo, e todos os gastos que têm, esses gastos serão acumulados e transferidos para a exportadora, a trade”. E acrescentou: “Eles estão preocupados em atender às trades”, sugerindo que com isso os estados terão dificuldade de sobrevivência.

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