terça-feira, 30 de junho de 2026
Teatro

Espetáculo conscientiza alunos sobre gravidez na adolescência

Peça teatral ‘Eu Nasci Mulher’ aborda de forma leve os desafios da gravidez precoce, buscando reduzir índices alarmantes de adolescentes grávidas

Luana Avelarpor Luana Avelar em 18 de junho de 2024
Desde 2017, o espetáculo já foi apresentado mais de 400 vezes em escolas públicas, sendo elogiado por sua relevância e impacto | Foto: Divulgação
Desde 2017, o espetáculo já foi apresentado mais de 400 vezes em escolas públicas, sendo elogiado por sua relevância e impacto | Foto: Divulgação

Nesta sexta-feira (21), o espetáculo ‘Eu Nasci Mulher’ será apresentado em 30 sessões para alunos dos Colégios Estaduais CEPI Independência e Frederico Gonzaga Jayme, em Quirinópolis, Goiás. A peça, que aborda os desafios de uma gravidez na adolescência, visa conscientizar os jovens sobre os riscos e responsabilidades dessa situação.

O enredo gira em torno da história de uma adolescente que descobre estar grávida aos 15 anos, após sua primeira relação sexual. A narrativa explora o medo de revelar a notícia aos pais, as dificuldades enfrentadas e a responsabilidade de criar uma criança. A jovem, que ainda brincava de bonecas, se vê obrigada a lidar com um bebê de verdade, enquanto lida com o abandono pelo pai da criança.

A importância do espetáculo é destacada pelos dados alarmantes sobre gravidez na adolescência no Brasil. A taxa de nascimentos de crianças filhas de mães entre 15 e 19 anos é 50% maior do que a média mundial. Em Goiás, quase 30 mil adolescentes se tornaram mães entre 2020 e 2022, segundo a Secretaria Estadual de Saúde. A falta de informação é apontada como um dos principais fatores que contribuem para esses números.

A peça aborda o tema de forma leve e até cômica, evitando o tom panfletário, mas sem perder a seriedade da mensagem. Desde sua estreia em 2017, a encenação já foi apresentada mais de 400 vezes em escolas públicas, sendo reconhecida por gestores, professores, mães e adolescentes pela sua relevância, promovendo uma reflexão que visa reduzir o número de gravidezes na adolescência, especialmente entre meninas de baixa renda. Além de conscientizar os jovens, a peça também incentiva discussões no ambiente escolar e familiar.

“Adaptamos este espetáculo para tratar de um assunto urgente para uma grande parcela da sociedade que carece de informações básicas e políticas públicas”, explica Natália Melo, produtora da peça.

A encenação utiliza um cenário que remete ao quarto da personagem, facilitando a construção da narrativa através de um diálogo interno da personagem consigo mesma. A história se desenvolve em fragmentos que misturam lembranças e realidade, refletindo os conflitos, decepções e superações da jovem.

A sonoplastia intensifica os momentos de euforia e angústia, servindo como um elemento de reflexão para os adolescentes sobre a importância da prevenção. 

Sinopse 

‘Eu Nasci Mulher’ propõe uma reflexão e os cuidados que os adolescentes devem tomar sobre os riscos de uma gravidez indesejada, em uma idade em que ainda se pode brincar com os bonecos de plásticos e a inevitável transformação ao se ter nos braços um boneco de carne e osso para cuidar. O projeto é financiado pelo Programa Goyazes do Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Cultura.

Gravidez na adolescência em Goiás

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a gravidez na adolescência ocorre entre os 10 e 20 anos e é considerada de alto risco para mãe e bebê. A Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, instituída pela Lei 13.798/2019, ocorre na semana do dia 1º de fevereiro e visa disseminar informações sobre medidas preventivas.

Em Goiás, nasce um bebê por hora de mães com idades entre 10 e 19 anos. O número de adolescentes que se submetem a abortos inseguros também é significativo. Políticas públicas mais eficazes de orientação e prevenção são essenciais para reduzir esses números preocupantes.

A falta de orientação e informação agrava a situação, tornando desafiador levar informações preventivas aos adolescentes. O diretor Norval Berbari enfatiza a necessidade de métodos anticonceptivos e orientações preventivas nas unidades de saúde. “Precisamos de algo que faça os adolescentes entenderem a importância de conhecer métodos anticonceptivos”, destaca Berbari.

A gravidez na adolescência é muitas vezes encarada negativamente do ponto de vista emocional e financeiro, alterando drasticamente as rotinas familiares e causando prejuízos à saúde pública. Além disso, a gravidez precoce pode limitar o desenvolvimento pessoal, social e profissional da gestante, levando à evasão escolar, mortalidade materna, nascimento prematuro e outros problemas.

Em uma pesquisa da ONU, o Brasil registrou 68 nascimentos de mães adolescentes para cada mil meninas de 15 a 19 anos. Entre 2015 e 2018, mais de 62 mil adolescentes ficaram grávidas em Goiás. Embora tenha havido uma redução em 2019, os dados ainda são preocupantes. A Secretaria de Estado da Saúde destaca a importância de uma atenção integral à saúde do adolescente, com prioridade à prevenção e parcerias intersetoriais.

O espetáculo busca, através da arte, sensibilizar e educar os adolescentes sobre a importância da prevenção da gravidez na adolescência. Com apresentações gratuitas em escolas públicas, o projeto leva informações essenciais para um público que muitas vezes não tem acesso a esses recursos, contribuindo para a mudança de uma realidade preocupante.

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