Pelas águas do Rio Quente
Paraíso da beleza natural em solo goiano. Ao todo são 18 nascentes que proporcionam uma temperatura média da água de 37,5ºC
Beleza exótica, clima sempre ameno, fauna e flora abundantes fazem do Brasil o lar de algumas das fontes termais mais incríveis do mundo. Um verdadeiro paraíso se tornou um dos destinos turísticos mais procurados do país, amplamente conhecido por abrigar o maior rio de água quente do mundo (12 quilômetros de extensão).
Emancipada em 1988, a cidade de Rio Quente atrai milhares de turistas todos os anos graças aos seus atrativos únicos. O município de encantos naturais oferece aos visitantes uma experiência rica e inesquecível que inclui o contato direto com a natureza em um clima interno confortável, agradável e perfeito para fugir de tudo e relaxar nas águas quentes. E ao contrário do que muitos pensam, elas não são aquecidas por ter alguma reação com vulcões. Ao total são 18 nascentes que proporcionam uma temperatura média da água de 37,5ºC.
O processo geotérmico é responsável pelo aquecimento da águas, pois a Serra de Caldas possui fissuras, que ao serem penetradas pelas águas das chuvas, descem até o subsolo e ao atingir o lençol freático, chegam com temperatura altíssima, que fazem com que elas subam com a pressão ao adquirirem a temperatura média de 38 graus celsius.
“Existem pontos termais espalhados aí pelo Brasil e pelo mundo, mas da forma como foi concebida aqui é único. Nós estamos aqui numa área de preservação permanente, aqui é uma área de uma beleza natural e uma riqueza única”, explica, Neide Tavares, gerente de sustentabilidade da Aviva.
O Parque Estadual da Serra de Caldas Novas, é a principal fonte de recarga das fontes termais. Antes, essa reserva era formada por duas rochas impermeáveis, mas houve um processo geológico, conhecido por cavalgamento, que fez com que o processo das duas rochas se ‘roçarem’ entre elas fossem criada fissuras, e por ela ter um formato plano, acaba absorvendo 100% da água da chuva.
“A medida que essa água da chuva penetra nessas fendas que foram criadas, ela vai descendo ao sentido do centro da terra, que é onde é mais quente, então quando ela chega a mais ou menos mil metros de profundidade, ela aquece 60 graus e forma uma pressão. Porque à medida que ela vai descendo, ela vai aquecendo, então ela vai ficando muito pressionada, e essa pressão faz com que ela retorne por outras fendas”, afirma Neide.
A cidade por ser uma nascente de água, obtêm o aquífero mais raso e a água brota naturalmente a 37 graus e meio, na medida que ela retorna, se mistura e mineraliza com outras substâncias que tem no solo. Já Caldas Novas, é uma cidade que tem também, mas possui o aquífero mais profundo, tendo que ser retirada de poço artesiano, um poço que capta a água da chuva.
“Aqui é uma água cheia de bicarbonato de cálcio e magnésio, tem um pouco de CO2 nela, então ela é uma água também radioativa”, destaca. “Ela é medicinal no sentido de gerar um bem-estar e o seu próprio organismo promove essa melhoria no organismo”, continua.
Parque das Fontes
As fontes naturais, o coração do Rio Quente, possuem oito piscinas aquecidas com águas correntes e são cercadas pela beleza da Mata do Cerrado. Além de relaxantes, também apresentam propriedades curativas, e além disso, a vazão faz com que a água seja atualizada a cada 20 minutos.
“Essas minas nascem dentro das próprias piscinas e foi concebido assim há 60 anos, quem conhece aqui há muito tempo vai ver que a característica do Parque das Fontes ela não foi mudando muito ao tempo, justamente porque a gente tem essa preservação sem muitas construções, porque a permeabilidade do solo que é importante para a gente renovar essa água”, diz Neide.
Com a junção das fontes são mais de 4,2 milhões de litros de água por hora. A regulamentação da água termal equivale a uma padronização e exploração de ouro e prata. E por ser uma construção de lavra, a comunidade tem a obrigação de dar retorno econômico, além de prestar contas do uso dessa água.
“Esse aqui a gente fala que é o bem mais nobre, então a gente está usando para balneabilidade, para gerar esse bem-estar. Aqui depois que elas são utilizadas no Parque das Fontes, a gente faz a captação dela para consumo. Hoje, 100% da água utilizada em todas as nossas operações são daqui”, explica.
O Rio Quente Resorts sedia uma estação de tratamento de água, que faz a distribuição para todos os hotéis do complexo. A água que vem direto do balneário para ser utilizada nas piscinas naturais, depois segue para o consumo.
“Depois que elas são utilizadas aqui, a gente faz também a desinfecção para o Hot Park, que é o segundo aproveitamento. E o terceiro, depois que ela é utilizada nas piscinas, ela vai para a irrigação do jardim. A lavanderia, a horta, as atividades dos hotéis, tomar banho, toda a água vem daqui. E depois de utilizar nas nossas operações, a gente tem uma estação de tratamento de efluentes, então 100% dos efluentes que nós geramos aqui é tratado na nossa estação de tratamento. E aí sim a gente devolve ela, já com o padrão de lançamento de efluentes, depois que elas são utilizadas nas nossas águas exclusivas”, finaliza a gerente de sustentabilidade.