sábado, 24 de outubro de 2026
Reforma Tributária

Regulamentação da reforma tributária é vista como prioridade por Haddad

Grupo de trabalho discute aperfeiçoamentos no texto da reforma tributária para agilizar sua aprovação

Alexandre Paespor em
Regulamentação da reforma tributária é vista como prioridade por Haddad
Líder do Governo estima mais de 400 votos para aprovação na Câmara | Foto: Antonio Cruz/ABr

Apesar da complexidade, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (2) que o projeto de lei que estabelece a reforma tributária tem potencial para ser aprovado antes do recesso parlamentar, com ajustes no texto. Haddad se reuniu com os parlamentares do grupo responsável pelo projeto que estabelece o Comitê Gestor, um órgão formado por representantes dos estados e dos municípios encarregados de gerir o futuro Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

“Recebemos hoje a segunda comissão da regulamentação da tributária. Está todo mundo bastante otimista com o calendário, com a qualidade do texto, com os aperfeiçoamentos que certamente o Congresso vai apresentar, mas confiantes de que vai ser um texto melhor, do ponto de vista técnico e político e social”, disse Haddad após o encontro. O recesso parlamentar está previsto para começar no dia 18 de julho.

Regulamentação da reforma tributária é vista como prioridade por Haddad

O ministro optou por não se pronunciar sobre a sugestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de adicionar apenas as carnes típicas do consumo da classe mais desfavorecida na relação de produtos isentos de impostos na cesta básica. Durante uma entrevista concedida a uma estação de rádio da Bahia, o presidente argumentou a favor da isenção tributária exclusivamente para as carnes populares, sugerindo que os impostos sejam mantidos apenas para os cortes mais nobres, como a picanha.

“Já mandamos nosso PL [projeto de lei] ao Congresso, com a cesta básica definida pelo Poder Executivo, com a participação do presidente. Debates estão acontecendo, amanhã vai se apresentar os relatórios dos dois grupos para apreciação. Mas a discussão está sendo feita”, declarou Haddad.

Segundo o ministro, o Congresso está tratando a reforma tributária sem distinções partidárias. “Se tem um processo suprapartidário que está acontecendo no Brasil, é o da reforma tributária. Você não consegue nem distinguir um parlamentar do outro, porque o partido está todo mundo empurrando para o mesmo lado, de pacificar esse país em relação a isso, de diminuir litigiosidade, aumentar a transparência, fazer todo mundo pagar para pagar menos, o consumo popular ter uma incidência menor de alíquota, está todo mundo na mesma linha, todo mundo concorda nos princípios”, declarou Haddad.

Em relação ao calendário de votação, o ministro ressaltou que a emenda constitucional da reforma, que exige quórum maior, de três quintos dos votos (308 votos na Câmara), foi aprovada. “Agora é um momento de acerto de detalhes. Os temas centrais já estão na Constituição. O que entra aqui e lá é detalhe, não é isso que vai impedir. E outra coisa. É uma votação só, 257 votos. Então, está tudo bem mais tranquilo.”

Ao lado do ministro da Fazenda, o líder do Governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), estimou que a regulamentação da reforma tributária será aprovada com mais de 400 votos na Casa.

Dívida dos estados

Em relação ao projeto que renegocia a dívida dos estados, Haddad disse que pretende se reunir-se ainda nesta semana com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). O ministro considera o debate “bastante avançado” e maduro.

“Estamos no Senado conversando, tenho reunião prevista sobre isso nesta semana, com o presidente Pacheco. Já avançou muito, já avançamos nos critérios, considero que o processo está adiantado. O indexador continuará sendo o IPCA [Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo]“, lembrou o ministro.

Nesta terça, Pacheco receberá governadores na residência oficial para discutir o tema. Inicialmente, havia a possibilidade de Haddad se reunir com Pacheco no fim desta tarde, também na residência oficial. Posteriormente, o Senado informou que o ministro não participará da reunião. No lugar dele, irá o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan. Também está confirmada a presença do líder do Governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (sem partido-AP), e do ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha.

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