quarta-feira, 14 de outubro de 2026
PREÇO DA CARNE

Preço da carne: picanha e contra-filé estão mais caros em 2024

Carnes como a alcatra (3,02%) e até a picanha, um dos cortes mais nobres, registrou elevação nos preços

Thaynara Raquelpor em
PICANHA E CONTRA-FILÉ./ Foto Divulgação.
PICANHA E CONTRA-FILÉ./ Foto Divulgação.

Os preços da picanha, contra-filé e outros cortes, subiram de forma expressiva em setembro de 2024, marcando a maior alta desde 2020. Segundo o IBGE, o preço médio aumentou 2,97% no mês, impulsionado por fatores climáticos e menor oferta de abates. O contra-filé, em particular, teve o maior aumento, com alta de 3,79%. Outros cortes também subiram, como a alcatra (3,02%) e até a picanha, um dos cortes mais nobres, registrou elevação nos preços.

Preço da carne sobe em setembro: maior alta desde 2020

Setembro de 2024 trouxe um aumento significativo nos preços da carne, refletindo condições menos favoráveis para a produção pecuária. A seca prolongada, junto com as queimadas em diversas regiões, afetou a disponibilidade de pastagens e forçou os produtores a utilizar mais ração para alimentar o gado. Isso elevou os custos de produção e, consequentemente, os preços ao consumidor.

Além disso, o número de abates foi menor em comparação com o primeiro semestre, quando os preços estavam em queda. Em 2023, o preço das carnes recuou 9,37%, refletindo maior oferta. Porém, com a entressafra e o clima seco, os preços subiram 0,44% no acumulado de 2024.

Carne de primeira e segunda: todos os cortes subiram

Entre os cortes que mais subiram, o contra-filé lidera com alta de 3,79%, seguido pela alcatra e a carne de porco, que também sofreram aumentos. A costela e o patinho tiveram elevação em torno de 3%, e até mesmo cortes de segunda, como o acém e o peito, apresentaram elevações de preço.

Eliane Silva, aposentada de 60 anos, conta que reduziu o consumo de carne devido ao preço alto: “Carne só entra na mesa uma vez por mês”, diz ela. Em vez disso, Eliane opta por carnes mais baratas, como frango e carne de porco, ou substitui por ovos.

O impacto da estiagem nos preços da picanha e contra-filé

O aumento do preço da carne em 2024 está diretamente ligado à estiagem. A seca intensa reduziu a qualidade das pastagens, tornando necessário o uso de ração. O economista Luis Otavio Leal, da G5 Partners, destaca que a seca foi mais severa do que o esperado, o que prejudicou ainda mais a produção de carne. Além disso, o fim de ano costuma trazer um aumento natural na demanda por carnes, o que contribui para a pressão sobre os preços.

Outro fator que pesou foi o preço da arroba do boi gordo. De acordo com o Cepea, o valor médio da arroba subiu de R$ 238,33 no final de agosto para R$ 268 no final de setembro, representando um aumento de 12% em apenas um mês.

O que esperar dos preços da picanha e contra-filé nos próximos meses?

Especialistas acreditam que o preço da carne continuará subindo nos próximos meses. As festas de fim de ano, que costumam elevar a demanda, somadas à estiagem prolongada, devem manter a tendência de alta. No atacado, os preços já subiram cerca de 6%, e o impacto pode ser ainda maior para o consumidor final.

Com a estiagem e a entressafra prejudicando a produção, o preço da carne subiu em setembro de 2024 e deve continuar a aumentar nos próximos meses. Diante desse cenário de alta, consumidores estão buscando alternativas. Francisco Leite, de 62 anos, afirma que também reduziu o consumo de carne: “Gostaria de comer picanha pelo menos uma vez por mês, mas não dá”, lamenta. Para driblar os preços altos, ele tem optado por cortes mais baratos, como o acém.

Como economizar com o aumento do preço da carne

 Especialistas recomendam buscar opções mais econômicas, como cortes de carne mais baratos ou até outras fontes de proteína.Alternativas como carne de frango, carne de porco e até ovos têm ganhado espaço nas refeições dos brasileiros, que sentem o impacto da alta nos preços da carne.

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