sexta-feira, 23 de outubro de 2026
Heroína anônima

Sangue doado, vidas mudadas: a surpreendente trajetória de uma heroína anônima

Estado é referência no Centro-Oeste, com mais de 250 mil pessoas cadastradas como doadoras de medula

Micael Mourapor em
“Fazer o bem sem olhar a quem é o que nos move. Podemos ser a resposta de uma oração de uma família em desespero”, conta Vanessa. Foto: Alexandre Paes O Hoje
“Fazer o bem sem olhar a quem é o que nos move. Podemos ser a resposta de uma oração de uma família em desespero”, conta Vanessa. Foto: Alexandre Paes O Hoje

Moradora do Tocantins na época em que fez seu cadastro no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), a Vanessa Silva Rodrigues, de 37 anos, é um exemplo de solidariedade. Ela compartilhou sua experiência sobre o processo que culminou na doação, realizada em abril de 2023.

“Foi em 2020, durante uma ação de doação de sangue na minha cidade. A Igreja Adventista organizava eventos como esse com um ônibus de coleta. Fui ao centro cedo, por volta das 5h, e aproveitei para fazer meu cadastro no Redome. Nem imaginava que um dia seria chamada”, conta.

Três anos depois, em maio de 2023, Vanessa recebeu a ligação que mudaria sua vida e a de outra pessoa. “Quando me ligaram, pensei que fosse trote, porque era um número com DDD 021. Mas depois que explicaram o processo e o impacto que isso teria na vida de alguém, aceitei sem hesitar. Já era doadora de sangue, então não vi razão para recusar.”

Vanessa explica que todo o processo foi conduzido com cuidado e organização. “Eles me enviaram para Fortaleza para exames. Passei três dias lá, tudo custeado pelo Redome. Apesar de inicialmente a doação ser planejada para a veia do braço, como minhas veias não eram calibrosas, optaram pela coleta via veia femoral. Foi um procedimento tranquilo, e no dia 18 de abril de 2023, consegui realizar a doação.”

Sobre a importância de doar, Vanessa é enfática. “Fazer o bem sem olhar a quem é o que nos move. Muitas pessoas só querem ajudar quem conhecem ou familiares. Mas a gente nunca sabe o dia de amanhã. Podemos ser a resposta de uma oração de uma família em desespero.”

A autônoma agora se dedica a conscientizar outras pessoas sobre a importância de ser doador. “Onde vou, incentivo todos a se cadastrarem, doarem sangue, plaquetas. É muito gratificante saber que você pode salvar uma vida. Quando vejo alguém dizendo que se cadastrou por minha causa, fico muito feliz. Somos escolhidos para esse propósito.”

Para ela, o gesto de doar não tem preço. “Demorou três anos para me chamarem, mas pode levar mais tempo para outros. O importante é fazer o cadastro. Saber que posso ter salvado uma vida é a maior recompensa.”

Visando incentivar a doação de medula, o Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi – HGG, em parceria com a Rede Estadual de Serviços Hemoterápicos- Rede Hermo, realizou nesta quarta-feira (12) mais uma edição do projeto Saúde na Praça que ocorre desde 2017, este ano com o foco na ‘Mobilização Nacional para Doação de Medula Óssea’. 

A Diretora Geral da Rede Hemo, Denyse Silva Goulart, destacou a importância das parcerias estabelecidas pelo Hemocentro para engajar mais pessoas na doação de sangue, plaquetas e medula óssea, com ênfase na mobilização para doação de medula óssea . De acordo com Goulart, o Hemocentro tem se dedicado a desmistificar os processos de doação, um trabalho essencial para salvar vidas não apenas no tratamento de doenças crônicas, mas também em cirurgias e transplantes.

“A nossa missão é engajar o público, especialmente os jovens, para que se tornem doadores de medula óssea”, afirmou a diretora. 

Ela destacou que, embora Goiás seja referência no Centro-Oeste com mais de 250 mil pessoas cadastradas como doadoras de medula, a região ainda enfrenta desafios, especialmente com a falta de diversidade genética no banco de dados. “A maioria dos cadastrados são pessoas brancas e pardas, e o desafio está em incluir mais doadores negros, indígenas e de outras etnias, já que a compatibilidade genética é essencial para o sucesso do transplante”, explicou.

Segundo Goulart, o Hemocentro busca reduzir o tempo de espera para transplantes de medula óssea, que atualmente conta com cerca de 650 pessoas aguardando tratamento em todo o Brasil. O cadastro para doação de medula óssea é simples: pessoas de 18 a 35 anos, com boa saúde e sem histórico de doenças graves, podem se inscrever. Após o cadastro, é coletada uma amostra de sangue, e caso a pessoa seja compatível com alguém que precise do transplante, ela é contatada para realizar a doação.

Goulart compartilhou ainda um dado positivo em 2024, 16 pessoas que se cadastraram na Rede Hemo realizaram transplantes de medula, um número que evidencia o impacto positivo da campanha.

“Ao incentivar a doação de medula óssea, estamos não apenas salvando vidas, mas também plantando boas sementes de solidariedade na sociedade”, concluiu a diretora, reforçando o convite para que mais jovens participem das campanhas e ajudem a salvar vidas.

Goiás é referência no cadastro de doadores de Medula

O Dr. Adriano de Moraes Arantes, coordenador do serviço de transplante de medula óssea do Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi (HGG), destacou a relevância de levar o tema da doação de medula óssea para o público.  O médico ressaltou que, ao disseminar informações sobre o transplante, é possível aumentar a conscientização sobre sua importância e incentivar as pessoas a se tornarem doadoras.

“É fundamental que a população compreenda que a doação de medula óssea é um ato simples, mas de extrema importância, não só para salvar vidas, mas para garantir que o Brasil continue sendo um dos líderes mundiais em doação de medula”, afirmou o Dr. Adriano. 

O Brasil ocupa atualmente o terceiro lugar no mundo em número de registros de doadores, com mais de 25 milhões de pessoas cadastradas. O médico também destacou que, anualmente, no mês de setembro, o país celebra o Dia Internacional do Doador de Medula Óssea, um marco importante para valorizar essa causa.

Segundo o médico, o processo de doação começa com um cadastro simples, no qual a pessoa doa uma amostra de sangue, sem compromisso imediato de doar a medula. O objetivo é formar um banco de dados atualizado, já que os registros podem expirar com o tempo, especialmente entre doadores mais velhos. Dr. Adriano explicou que o Brasil prioriza doadores entre 18 e 35 anos, mas o cadastro permanece válido até os 60 anos.

“Manter esse registro atualizado é essencial para garantir que, quando um paciente precisar de uma medula óssea compatível, o doador possa ser localizado de maneira eficiente”, afirmou o especialista.

O coordenador ainda abordou a questão das informações errôneas e o medo das pessoas em relação à doação. Ele ressaltou que a disseminação de fake news é um obstáculo que precisa ser combatido com informações claras e precisas. “É importante que a população saiba que o processo é seguro e que a doação de medula óssea salva vidas. Combater a desinformação é essencial para o sucesso dessa campanha”, concluiu Dr. Adriano

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:
HGG medula ossea

Veja também

Festival Viva Goiânia reúne Seu Jorge, Murilo Huff e Sandra de Sá na Avenida Goiás neste sábado

ANIVERSÁRIO DE GOIÂNIA

Goiânia 93 anos: veja a programação completa do Festival Viva Goiânia neste sábado

Festival Viva Goiânia reúne shows, esporte, moda e gastronomia na Avenida Goiás a partir das 9h, ...
Anápolis

tragédia em Goianésia

PCGO investiga morte de jovem de 21 anos em um motel em Goianésia

Jovem passou mal durante encontro e foi encontrada sem vida em uma suíte; homem que estava com ela ...
Polícia investiga mortes de 36 bebês em São Paulo

investigação

Polícia investiga mortes de 36 bebês em São Paulo

Inquérito apura seis casos de crianças que morreram após possíveis infecções hospitalares; adv...
Incêndio destrói apartamento de babá de filha de Virginia Fonseca em Goiânia

Incêndio em edificação

Incêndio destrói apartamento de babá de filha de Virginia Fonseca em Goiânia

A babá Jaqueline Bianca relatou nas redes sociais que perdeu os bens que levou anos para conquistar...
Operação da PCDF mira consórcio do tráfico que movimentou R$ 1,3 milhão em 60 dias

Tráfico de drogas no DF

Operação da PCDF mira consórcio do tráfico que movimentou R$ 1,3 milhão em 60 dias

Investigação aponta que grupo comprava drogas em outros estados e distribuía os entorpecentes a t...
Uso de remédios sem prescrição pode causar intoxicação e agravar doenças

Alerta na saúde

Uso de remédios sem prescrição pode causar intoxicação e agravar doenças

Pesquisa indica que nove em cada dez brasileiros tomam medicamentos sem prescrição; especialistas ...
Pai de Meghan Markle é investigado após denúncia do próprio filho nas Filipinas

IMAGENS DE ABUSO INFANTIL

Pai de Meghan Markle é investigado após denúncia do próprio filho nas Filipinas

Thomas Markle Jr. diz ter encontrado imagens de abuso sexual infantil entre os pertences do pai, em ...
Ônibus serão gratuitos no domingo de eleição em Goiânia e região metropolitana

2º TURNO

Ônibus serão gratuitos no domingo de eleição em Goiânia e região metropolitana

Gratuidade valerá durante toda a operação da RMTC no dia 25; linhas terão frequência de dias ú...