sexta-feira, 14 de agosto de 2026
Transtorno mental

Veja os impactos emocionais do luto prolongado

A forma como cada pessoa vivencia o luto é única, o que significa que não há um tempo fixo ou um padrão de comportamento

Leticia Mariellepor Leticia Marielle em
Veja os impactos emocionais do luto prolongado
Veja os impactos emocionais do luto prolongado. | Foto: Reprodução/Canva

O luto é uma resposta emocional resultante de uma perda significativa. Embora seja mais associado à morte, essa experiência também pode ocorrer após situações dolorosas, como o fim de um relacionamento, a perda de um amigo ou de um emprego, além de outras despedidas e decepções.

A forma como cada pessoa vivencia o luto é única, o que significa que não há um tempo fixo ou um padrão de comportamento determinado para esse processo. No entanto, alguns sinais são comuns, como uma tristeza profunda, a perda de interesse nas coisas e a sensação de desânimo, como se a vida tivesse perdido o sentido. Além disso, os efeitos podem ser observados também no corpo, com dores, lapsos de memória e mudanças no sono, como insônia ou sonolência excessiva.

Considerado uma reação natural a momentos de perda, o luto pode se tornar um problema de saúde quando é intenso e se prolonga por muito tempo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o luto prolongado como um transtorno mental na Classificação Internacional de Doenças (CID). Essa condição também passou a ser reconhecida como um transtorno mental no manual de diagnósticos da Associação Americana de Psiquiatria (APA).

O transtorno de luto prolongado é caracterizado por uma resposta emocional persistente e generalizada, que envolve uma saudade constante após a perda, acompanhada de sentimentos de tristeza, culpa, raiva e negação. A pessoa pode ter dificuldades em aceitar a perda, sentindo que uma parte de si mesmo se foi. Além disso, há uma incapacidade de experimentar alegria, o que dificulta o envolvimento em atividades sociais.

Para a OMS, o luto prolongado é considerado patológico quando persiste por mais de seis meses e ultrapassa o tempo esperado conforme as normas culturais e sociais de cada pessoa. Esse transtorno também pode prejudicar a vida pessoal, familiar, social, educacional e profissional. Seus sintomas são semelhantes aos da depressão e da ansiedade, mas a principal diferença está na causa: no luto prolongado, a perda é o gatilho do sofrimento.

Esse transtorno pode afetar pessoas de todas as idades. Como a compreensão de morte e perda varia conforme a faixa etária, as reações também se adaptam ao estágio de desenvolvimento de cada pessoa. 

O luto para as crianças

No caso das crianças, elas podem não expressar diretamente seus sentimentos de saudade ou preocupação com a morte, mas esses sentimentos podem se manifestar em brincadeiras ou outros comportamentos relacionados ao tema da separação. Elas podem esperar o retorno da pessoa falecida ou sentir angústia ao retornar a lugares onde estiveram com ela pela última vez. Além disso, podem desenvolver medo de que outras pessoas morram ou se preocupar excessivamente com o bem-estar de seus cuidadores.

Crianças mais novas podem alternar entre momentos de tristeza e comportamentos aparentemente normais. Já em adolescentes, a raiva associada à perda pode se manifestar por meio de irritabilidade e problemas de comportamento.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), antes dos 3 anos, as crianças entendem a morte apenas como ausência. Entre 3 e 5 anos, a morte é vista como um estado de sono, e elas acreditam que seus desejos e palavras podem evitá-la ou provocá-la. Entre 5 e 7 anos, compreendem a morte como irreversível, e, aos 10 e 11 anos, começam a entender a morte de maneira mais abstrata, formulando ideias sobre suas causas.

Entre crianças e adolescentes, o luto prolongado costuma ser acompanhado por sentimentos de abandono e rejeição. Nessa fase, alguns comportamentos podem se destacar, como o isolamento, a retração, a dificuldade de concentração e a dificuldade para se socializar, além de sinais de sofrimento emocional intenso. Embora o luto seja sempre associado a perdas, ele não está restrito à morte. A perda de vínculos familiares, como a separação dos pais, por exemplo, também pode desencadear o luto prolongado.

Na vida adulta, os sintomas mais comuns do luto prolongado envolvem a dificuldade de concentração e a queda na produtividade, além de um sentimento de desvalorização da vida e de incapacidade.

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