sexta-feira, 6 de novembro de 2026
Fim da checagem de fatos

“Questões como raça, religião e gênero, seguem sendo protegidas”, responde Meta à AGU

Empresa de Mark Zuckerberg foi notificada pela AGU para esclarecer o fim do sistema de checagem de fatos, que, segundo a instituição, compromete o combate às fake news e aos discursos de ódio

Bruno Goulartpor em
“Questões como raça, religião e gênero, seguem sendo protegidas”, responde Meta à AGU
Foto: Flickr

Poucas horas antes do término do prazo de resposta dado pela Advocacia-Geral da União (AGU), que se encerrava nesta segunda-feira (13), a Meta, que controla Facebook, Instagram e WhatsApp, enviou um e-mail esclarecendo o encerramento do Programa de Verificação de Fatos. A empresa informou que a medida será, por enquanto, “restrita aos Estados Unidos” e destacou que está em fase de testes no país um sistema de “notas da comunidade” como alternativa à checagem de fatos.

Na resposta, a companhia de Mark Zuckerberg reafirmou o compromisso com os direitos humanos e a liberdade de expressão, classificada como um “direito humano fundamental que possibilita o exercício de outros direitos”. Além disso, assegurou que continuará priorizando a segurança e a privacidade dos usuários e ressaltou sua responsabilidade em combater abusos nos serviços.

Leia mais: Por enquanto, fim de checagem de fatos é limitado aos EUA, diz Meta

Sobre a Política de Conduta de Ódio, a Meta informou que, mesmo com alterações, questões como raça, etnia, religião, orientação sexual, identidade de gênero, entre outras seguem sendo protegidas. A plataforma também garantiu que seguirá removendo conteúdos que incitem violência, apresentem ameaças à segurança pública ou individual, ou disseminem desinformação que possa gerar riscos físicos ou interferir em processos políticos, como eleições e censos.

Por fim, explicou que as mudanças têm como objetivo reduzir excessos na aplicação das políticas, direcionando os sistemas automatizados para violações graves, como terrorismo, exploração sexual infantil, tráfico de drogas e fraudes.

Notificação da AGU

A AGU notificou extrajudicialmente, na última semana, a Meta sobre o fim do programa de checagem de fatos, expressando preocupação com a decisão. Segundo a instituição, o mecanismo era fundamental no combate à disseminação de fake news e na mitigação de discursos preconceituosos, especialmente contra grupos vulneráveis, como imigrantes, mulheres e a comunidade LGBTQIA+.

“Manifestações em plataformas digitais não podem ser realizadas para gerar desinformação sobre políticas públicas nem minar a legitimidade das instituições democráticas”, afirma a AGU em trecho da notificação. 

Mudanças

Em um vídeo divulgado nas redes, Mark Zuckerberg anunciou que a Meta substituirá o sistema de checagem de fatos realizado por terceiros pelo recurso “notas da comunidade”. O novo modelo é semelhante ao utilizado pelo X (antigo Twitter) e permite que os próprios usuários sinalizem publicações potencialmente prejudiciais.

O novo sistema, entretanto, levantou preocupações no Brasil. O Ministério Público Federal (MPF) também solicitou esclarecimentos da empresa sobre como pretende lidar com a proliferação de desinformação e garantir que conteúdos nocivos não se espalhem nas redes sociais.

Regulamentação das redes sociais

A decisão da Meta também mobilizou o governo federal. Na última sexta-feira (10), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com ministros para discutir a regulamentação das redes sociais no Brasil. O chefe da Casa Civil, Rui Costa, informou que será criado um grupo de trabalho para dialogar com o Congresso Nacional e entidades da sociedade civil sobre a necessidade de aperfeiçoar as leis brasileiras no combate à desinformação e ao discurso de ódio.

Rui Costa destacou que a regulamentação é uma prioridade para o governo em 2025 e que o grupo de trabalho buscará avançar em propostas que estão paradas no Congresso. Entre as medidas em discussão, está a possibilidade de adotar sanções econômicas contra empresas que não cumprem as obrigações legais de combate à desinformação.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:
AGU Meta resposta

Veja também

GDF prevê orçamento de R$ 80,1 bilhões para 2027; saúde e educação terão R$ 34,6 bilhões

POLÍTICA

GDF prevê orçamento de R$ 80,1 bilhões para 2027; saúde e educação terão R$ 34,6 bilhões

Proposta apresentada à CLDF prevê aumento de 7,7% em relação a 2026 e destina R$ 34,6 bilhões �...
PT ainda não definiu apoio à candidatura de Issy Quinan à presidência da Alego

DE OLHO NA ALEGO

PT ainda não definiu apoio à candidatura de Issy Quinan à presidência da Alego

Deputados Fabrício Rosa e Kátia Maria não confirmam adesão ao emedebista; bancada petista avalia...
José Mário Schreiner é reeleito para mais quatro anos à frente da Faeg

DIREÇÃO DA FAEG

José Mário Schreiner é reeleito para mais quatro anos à frente da Faeg

Chapa única recebeu 102 votos de sindicatos rurais goianos e ficará responsável pela entidade no ...
Dino convoca audiência no STF para discutir ações contra o fim da escala 6×1

ESCALA 6x1

Dino convoca audiência no STF para discutir ações contra o fim da escala 6×1

Reunião está marcada para 10 de novembro e terá participação de representantes de trabalhadores...
Fachin pede manifestação da PGR antes de decidir sobre soltura de Daniel Vorcaro

BANCO MASTER

Fachin pede manifestação da PGR antes de decidir sobre soltura de Daniel Vorcaro

Defesa do ex-banqueiro questiona indiciamento da Polícia Federal em investigação sobre operaçõe...
Indicação ao STF volta à tona, com Messias e Pacheco cotados novamente 

Suprema Corte

Indicação ao STF volta à tona, com Messias e Pacheco cotados novamente 

Reeleição de Lula retoma articulações em torno da vaga na Suprema Corte e divergências sobre no...
Issy Quinan tenta acordo com dissidentes para evitar disputa pela presidência da Alego

POLÍTICA

Issy Quinan tenta acordo com dissidentes para evitar disputa pela presidência da Alego

Deputado afirma ter 22 apoios manifestados, mas mantém negociação com parlamentares que articulam...
Eduardo Bolsonaro diz não temer ações de democratas contra ele e Flávio nos EUA

midterms

Eduardo Bolsonaro diz não temer ações de democratas contra ele e Flávio nos EUA

Após vitória democrata, Eduardo Bolsonaro comenta possível pressão contra família nos EUA