quarta-feira, 14 de outubro de 2026
Fruto do cerrado

Pequi é coroado ‘Rei’ do cerrado com Lei de estímulo à produção

A legislação estabelece medidas de proteção do bioma, proibindo a exploração predatória dos pequizeiros e estimulando o cultivo de mudas

Letícia Leitepor em
Pequi é coroado ‘Rei’ do cerrado com Lei de estímulo à produção
Seja acompanhado de arroz ou consumido puro, fresco entre outubro e janeiro ou em conserva durante o ano todo, é inegável que o povo goiano adora pequi. Foto: Alexandre Paes | O Hoje

Com um tamanho semelhante ao de uma maçã e uma casca verde, no seu interior, um caroço envolto por uma polpa macia e amarelada, com uma fina camada de espinhos logo abaixo da polpa, exigindo cuidado ao consumi-lo cozido. Abaixo desses espinhos, há uma amêndoa gostosa e suave. Nas feiras e mercados, seja acompanhado de arroz ou consumido puro, fresco entre outubro e janeiro ou em conserva durante o ano todo, é inegável que o povo goiano adora pequi. 

E agora a política desse fruto ganhou mais um aliado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva formalizou a Lei 15.089, de 2025, que cria a Política Nacional para o Manejo Sustentável, Plantio, Extração, Consumo, Comercialização e Transformação do Pequi e de outros frutos e produtos nativos do Cerrado. 

Publicada no Diário Oficial da União, essa nova norma visa conciliar a proteção ambiental com o desenvolvimento socioeconômico das comunidades que dependem desse ecossistema. Esta legislação se originou do PL 1.970/2019, um projeto de autoria do deputado federal Rogério Correia (PT-MG). Durante sua apreciação no Senado, os relatores foram Soraya Thronicke (Podemos-MS) e Jorge Kajuru (PSB-GO).

A lei estabelece medidas de proteção para o bioma, proibindo a exploração predatória dos pequizeiros e estimulando o cultivo de mudas dessas árvores, o que promete um futuro mais sustentável tanto para a região quanto para seus produtores.

Entre os objetivos da política federal de manejo do pequi, estão o incentivo a preservação de áreas de ocorrência do pequizeiro e de outros produtos nativos do Cerrado, identificar as comunidades tradicionais que vivem da coleta desses frutos, pesquisar o folclore relacionado ao tema e promover eventos culturais para estimular o turismo, incentivar o comércio desses produtos e desenvolver selos de qualidade e de procedência.

Fruto de polpa amarela

A realidade é que entre os goianos dos pés rachados, o pequi é um caso de amor e ódio. Uns amam e lambem até os dedos, já outros não aguentam nem sentir o cheiro. A estudante Nicole Fernandes faz parte do time que no tradicional almoço de domingo na casa da vó, serve entre cinco ou seis caroços no prato.

“Não tem como ser goiana e não gostar de pequi, ainda mais acompanhado de uma galinha caipira”, destaca.

O pequi é um fruto característico do Cerrado e seu nome, de origem Tupi, significa “pele espinhenta”. O pequizeiro é uma árvore de copa frondosa que pode chegar a 12 metros de altura. Suas folhas são grandes, cada uma composta por três grandes folíolos, cobertos por uma penugem e com as pontas entrecortadas.

A colheita do pequi acontece entre novembro e janeiro. Vale destacar que a germinação dos caroços pode levar até um ano, sendo que menos da metade deles realmente germina. 

A polpa do pequi contém o dobro de vitamina C em comparação a uma laranja e é abundante em vitaminas A, E e carotenóides. Esses atributos fazem do fruto um importante aliado na luta contra o envelhecimento e na prevenção de doenças oculares. Além disso, os benefícios se estendem: sua amêndoa é utilizada para extrair um óleo nutritivo que possui propriedades anti-inflamatórias, cicatrizantes e de proteção gástrica.

Menos conhecida do que a polpa, a castanha do fruto também possui um grande potencial para diversas utilizações. Ela pode ser consumida de várias maneiras: in natura, torrada, com sal ou caramelizada. Seu óleo é aromático e pode ser empregado na fabricação de cosméticos. Além disso, a castanha é utilizada na produção de um licor, que é bem mais leve do que o derivado da polpa.

Fruto típico do centro-oeste impactará a economia regional

Os frutos do Cerrado exercem um grande impacto tanto na cultura quanto na economia da região. O pequi, o baru e outros frutos não são apenas ingredientes de receitas típicas, mas também se tornam fontes de renda para milhares de produtores que os utilizam como matéria-prima. Esses produtos podem ser processados e transformados em óleos, polpas ou cosméticos, conquistando cada vez mais espaço no mercado e estimulando a economia local.

No primeiro semestre de 2024, a Ceasa registrou vendas de R$ 1,3 milhão com a comercialização de 857 toneladas deste fruto. Em 2021, a extração de pequi totalizou mais de 74 mil toneladas, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estado de Minas Gerais lidera a produção, seguido por Goiás e Tocantins. Segundo o IBGE, o pequi corresponde a 98,6% do extrativismo realizado no estado de Goiás.

Esse fruto é amplamente utilizado na culinária local em pratos saborosos, como o arroz com pequi, além de servir como tempero, conservar, e ainda ser matéria-prima para a fabricação de licores, sorvetes e ração animal. Em suma, o pequi é um ingrediente bastante versátil.

Para aqueles que trabalham com o fruto como o chefe Pedro Ernesto cuidar dele é também zelar pela cultura e culinária local, ele conta que existem diversas maneiras de utilizar o pequi. 

“O pequi é um fruto do cerrado que é rico para fazer vários tipos de pratos entre eles sobremesa, mousse e entradas. Eu consigo fazer entradas com ele, serve também para conserva, além do convencional, que é a galinhada, frango com pequi, comida bem regional”, explica.

Ernesto destaca que está na época boa para fazer o pequi em conserva, para ir utilizando durante todo o ano. “Eu sempre compro os pequi em conserva, principalmente de Ceasa ou de produtor e já deixo guardado para o ano inteiro para poder fazer”, finaliza.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:

Veja também

Homem investigado por roubo a fazenda de desembargador no DF morre em ação da PM em Goiás

Violência

Homem investigado por roubo a fazenda de desembargador no DF morre em ação da PM em Goiás

Conhecido como “Cocá”, homem foi morto durante abordagem policial em Águas Lindas
Mãe é presa suspeita de agredir filho de 8 anos por tirar foto dela dormindo em Goiás

Violência Doméstica

Mãe é presa suspeita de agredir filho de 8 anos por tirar foto dela dormindo em Goiás

Menino sofreu lesões no rosto, nas costas e em uma das pernas; avó percebeu os ferimentos e denunc...
INSS regulamenta benefício para mulheres afastadas do trabalho por violência doméstica

LEI MARIA DA PENHA

INSS regulamenta benefício para mulheres afastadas do trabalho por violência doméstica

Afastamento deve ser determinado pela Justiça; pagamento pode durar até seis meses, sem exigência...
MP estabelece novas regras para conter ligações abusivas e golpes por telefone

golpes

MP estabelece novas regras para conter ligações abusivas e golpes por telefone

Medida prevê autenticação de chamadas e bloqueio de ligações não identificadas; em Goiás, Pro...
Goiânia registra aumento de barbeiros e monitora doença de Chagas

monitoramento

Goiânia registra aumento de barbeiros e monitora doença de Chagas

Capital identificou 29 insetos entre janeiro e setembro de 2026; ações de vigilância incluem prev...
Polícia investiga morte de menina após afogamento em parque aquático no Ceará

EM INVESTIGAÇÃO

Polícia investiga morte de menina após afogamento em parque aquático no Ceará

Investigadores aguardam laudo pericial para esclarecer as circunstâncias do caso; Isis Maria, de 10...
Foragido suspeito de incendiar carro e comércio da ex é preso em Inhumas

Crima contra a mulher

Foragido suspeito de incendiar carro e comércio da ex é preso em Inhumas

Homem foi localizado em uma área de mata de difícil acesso após levantamento de informações da ...
Comurg vai pagar bônus de até R$ 1,7 mil a 652 empregados em Goiânia

BÔNUS

Comurg vai pagar bônus de até R$ 1,7 mil a 652 empregados em Goiânia

Programa vale até abril de 2027, custa até R$ 359,97 mil por mês e prevê pagamento a partir de 8...