quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Olho em 2026

PSD flerta com a centro-direita, mas gera desconfiança

Críticas de Gilberto Kassab à gestão petista gerou interpretações variadas

Thiago Borgespor em
PSD flerta com a centro-direita, mas gera desconfiança
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A pouco mais de um ano para o início da corrida eleitoral de 2026, cada movimento dos caciques da política brasileira serão observados com mais intensidade – e com variadas interpretações. As recentes críticas do presidente do PSD, Gilberto Kassab, ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) movimentaram os bastidores da situação e da oposição.

O mandatário da sigla expoente do Centrão afirmou, nesta semana durante evento em São Paulo, que os partidos de centro estão “criando uma alternativa para 2026”. “Se fosse hoje, o PT não estaria na condição de favorito. Eles perderiam a eleição”, disse o presidente do PSD. 

Além disso, o secretário do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) não poupou críticas à gestão de Haddad, chefe da equipe econômica de Lula. Kassab comparou Haddad com ex-ministros da Fazenda.

“O sucesso da economia precisa de ministros da Economia fortes. Já tivemos FHC, Henrique Meirelles, Paulo Guedes. Eles comandavam. Hoje existe uma dificuldade do ministro Haddad de comandar. Haddad não consegue se impor no governo. Um ministro da Economia fraco é sempre um péssimo indicativo”, afirmou o secretário. 

As críticas ácidas de Kassab foram recebidas de diferentes formas. No Planalto, as declarações ligaram o alerta da alta cúpula do governo. A avaliação é que o presidente do PSD pode estar sinalizando que o apoio à reeleição de Lula está longe de ser fechado e, caso aconteça, custará caro. 

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Já a oposição ao governo entende que as críticas foram estratégicas e não refletem um afastamento de Kassab da gestão petista. Os interlocutores do grupo liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) enxergam o movimento como uma pressão para obtenção de mais cargos ministeriais. Lula ensaia uma reforma ministerial desde o fim do ano passado e as principais siglas de centro seriam as principais beneficiadas, com uma maior representatividade no Poder Executivo.

Ademais, a oposição a Lula comenta que as críticas do presidente do PSD a Haddad é uma tentativa do dirigente e representante do Centrão se aproximar mais de siglas de centro-direita – o que é visto com desconfiança pela ala bolsonarista, já que o ex-presidente e seus aliados não enxergam Kassab como um político genuinamente à direita. 

Outra possibilidade é que Kassab irá tentar emplacar Tarcísio para a disputa pela Presidência da República. Próximo do governador de São Paulo, o mandatário do PSD prevê dois caminhos: ser candidato ao governo de São Paulo, enquanto apoia Tarcísio para a presidência ou, o mais provável, que é ser o vice na chapa encabeçada por Tarcísio, na disputa por São Paulo – e quem sabe lançar o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), na disputa pelo Planalto. Para preparar o terreno e ser aceito pelo eleitorado de Tarcísio, o dirigente de centro precisa se afastar de Lula e se aproximar cada vez mais de partidos e líderes à direita. 

Em suma, Kassab possui um leque imenso de oportunidades. O apoio do PSD será crucial nas disputas eleitorais do próximo ano. A legenda é a maior bancada no Senado Federal, com 15 senadores; a quinta maior bancada da Câmara dos Deputados, com 44 deputados; e possui 887 prefeituras sob seu comando, mais do que qualquer outro partido. (Especial para O Hoje)

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