segunda-feira, 21 de setembro de 2026
novo codigo eleitoral

Projeto que cria novo Código Eleitoral sofre ataques por organizações civis

Críticos apontam que a proposta fragiliza a fiscalização e tramita sem a integração da sociedade civil

João Reynolpor em
Projeto que cria novo Código Eleitoral sofre ataques por organizações civis
PLP deve ser votado em plenário antes de outubro para que seja integrada na eleição de 2026. | Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

Há pouco mais de um ano das eleições gerais de 2026, o Senado Federal deve votar com celeridade, já para o início de 2025, um Projeto de Lei (PLP) que deve criar um novo código eleitoral brasileiro. A expectativa é que o projeto seja um dos primeiros a serem votados pelo grupo para que seja plenamente integrado no ano de 2026 a tempo dos votos nas urnas. O que deve ocorrer seguindo a atual conjuntura da presidência pelo senador Davi Alcolumbre (União Brasil-PB)

O PLP foi primeiramente apresentado e aprovado na Câmara em 2021, sob a chefia de Arthur Lira (PP-AL), mas foi criticado por minar a fiscalização partidária e alterar regras de pesquisas eleitorais que favorecem os veteranos na política. Desde o final de 2024 o projeto tramita no Senado sob a relatoria do senador Marcelo Castro (MDB-PI) que alterou alguns pontos críticos, como a “censura” das pesquisas eleitorais há um dia dos votos, mas apenas repaginou outros como a “taxa de acerto” nas pesquisas pelo “indicador de confiabilidade”.

Organizações como a Instituto Marielle Franco, Instituto de estudos socioeconômicos (INESC), Transparência Partidária, Transparência Eleitoral Brasil e o Movimento do Ministério Público Democrático (MPD) já manifestaram, através do Pacto pela Democracia, contra a PLP e pedem que seja feita uma audiência público a fim de trazer a sociedade civil para o debate. “Foi gestada no âmbito de um grupo de trabalho com limitadíssimo espaço para participação social e não passou por nenhuma das comissões da Câmara dos Deputados. Em menos de dois meses após a apresentação formal, foi levada ao Plenário e aprovada pela Câmara dos Deputados sem que fosse realizada uma audiência pública sequer para a discussão do texto proposto.”

O cientista político Luiz Signates afirma que a proposta engloba dois aspectos da vida pública política, o desejo da impunidade dos crimes políticos e a argumentação enganosa perante a população a um projeto que beneficie apenas a classe política. “A vontade [de alguns políticos] de não serem punidos também sempre existiu, mas, antes, havia um certo pudor em aprovar leis que afrouxassem a atuação do Judiciário em face de ações ilegais. Parece que, nos últimos tempos, esse pudor tem dado lugar a uma perda de escrúpulos.”

O projeto na Casa

Agora, a proposta foi rapidamente resgatada e tramita antecipadamente nas mãos do senador Otto Alencar (PSD-BA), que preside a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado mesmo antes da formação do colegiado. 

Um dos pontos mais criticados por instituições de transparência é o fim da padronização na publicações de contas partidárias no Sistema de Divulgação das Prestações de Contas Anuais (SPCA), e o fim da apuração de irregularidades contábeis na prestação de contas pela Justiça Eleitoral, o que torna o corpo há um mero checador de informações. 

Vale lembrar que a apuração de irregularidades é o que inibe a prática de superfaturamento e fraudes do dinheiro público nas eleições, como foi divulgado com exclusividade a cassação das contas do ex-deputado federal Jovair Arantes pelo Jornal O HOJE. Todas as eleições os partidos podem acessar recursos de um fundo eleitoral que acumula cerca de R$ 6 bilhões em recursos públicos. 

Além disso, o projeto prevê a diminuição do tempo de análise crítica e o julgamento das contas partidárias, de cinco anos para 360 dias do prazo de análise a três anos do julgamento pela Justiça. Outro ponto apontado no texto também altera a inelegibilidade de agentes políticos, ao limitar em no máximo oito anos para interstício eleitoral, e a data do início em que a decisão é válida. 

O assunto na atualidade é de grande aderência por parlamentares da oposição no Congresso que planejam voltar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) às urnas. Sobre isso, dois projetos de leis foram apresentado na Câmara e devem ser pautados com urgência pelo presidente Hugo Motta (Republicanos-PB), um que diminui o limite para apenas dois anos e altera um outro projeto que altera a Lei da Ficha Limpa para a inelegibilidade só seja reconhecida com um processo de ambas a justiça criminal e a eleitoral.

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