terça-feira, 3 de novembro de 2026
Economia

Setor de serviços cresce 3,1% em 2024, aponta IBGE

Esse crescimento é significativo, considerando que, entre 2021 e 2024, a alta acumulada chegou a 27,4%

Micael Mourapor em
Os números também superaram o desempenho de 2023, que teve uma alta de 2,9% Foto: Divulgação
Os números também superaram o desempenho de 2023, que teve uma alta de 2,9% Foto: Divulgação

Em 2024, o setor de serviços no Brasil alcançou um crescimento acumulado de 3,1%, encerrando o ano com resultados positivos pelo quarto ano consecutivo, um feito iniciado desde o início da série histórica, em 2012. Esse crescimento é significativo, considerando que, entre 2021 e 2024, a alta acumulada chegou a 27,4%. Os números também superaram o desempenho de 2023, que teve uma alta de 2,9%. As informações foram divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS).

Em termos gerais, o resultado de 2024 apresentou desempenho positivo em quatro dos cinco segmentos destacados. Os setores que mais se destacaram foram os serviços de informação e comunicação, bem como os serviços profissionais, administrativos e complementares, ambos com crescimento de 6,2%. Os serviços prestados às famílias também apresentaram um bom desempenho, com um aumento de 4,4%, enquanto os demais serviços avançaram 1,1%.

No entanto, o único segmento que registrou queda foi o dos transportes, que teve uma retração de 0,7%. De acordo com Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa, essa queda foi impulsionada principalmente pela diminuição da receita do transporte rodoviário de cargas, que foi impactada pela menor safra colhida no Brasil no ano passado. Essa situação reflete uma redução na demanda por transporte de produtos, o que afetou os níveis de desempenho desses segmentos.

Dezembro de 2024 

Em dezembro, o volume de serviços no Brasil recuou 0,5%, marcando o segundo resultado negativo consecutivo. O setor acumulou uma perda de 1,9% nos dois últimos meses de 2024. No entanto, é importante destacar que essa retração ocorreu após um recorde histórico registrado em outubro, o que elevou uma base de comparação e pode ter contribuído para o desempenho mais fraco no final do ano. Quando comparamos com o mesmo mês de 2023, o crescimento foi de 2,4%, diminuindo que, apesar da queda em relação aos meses anteriores, o setor ainda manteve um ritmo positivo em termos anuais.

A análise por setores no último mês de 2024 mostra que, na transição de novembro para dezembro, três das cinco categorias apontaram retração. A maior queda foi observada na categoria “outros serviços”, que caiu 4,2%, devido, principalmente, ao mau desempenho dos serviços financeiros auxiliares, como a redução na demanda por serviços bancários e financeiros relacionados a crédito e seguros. Além disso, os serviços profissionais, administrativos e complementares também tiveram um acréscimo de 0,7%, assim como as atividades de informação e comunicação, que recuperaram 0,7% no mesmo período.

Em contraste com o que foi observado, o segmento de serviços prestados às famílias teve um desempenho positivo, com crescimento de 0,8% em dezembro. Esse segmento continua sua trajetória de crescimento, acumulando uma alta de 7,8% entre maio e dezembro de 2024, o que mostra a força do setor, especialmente nas áreas de serviços domésticos e de cuidados pessoais. Os transportes, por sua vez, tiveram uma recuperação de 0,1% em dezembro, após uma queda expressiva de 3,5% no mês anterior, o que indica que o setor ainda estava tentando se recuperar após dificuldades enfrentadas no final de 2024.

Apesar da queda no último mês do ano, o setor de serviços terminou 2024 em um patamar 15,6% acima do nível pré-pandemia, registrado em fevereiro de 2020. No entanto, o setor ainda se encontra 1,9% abaixo do ponto mais alto de toda a série histórica, registrado em outubro de 2024. Isso demonstra que, apesar dos desafios enfrentados no último trimestre de 2024, o setor de serviços continua em uma trajetória de recuperação quando comparado aos anos anteriores à pandemia, embora ainda não tenha atingido o auge observado no último trimestre de 2024.

Esses dados refletem um setor que segue em expansão, mas que também enfrenta desafios específicos, como a desaceleração no transporte de cargas e a queda em certos serviços financeiros. A recuperação ainda é notável em vários segmentos, e o crescimento de longo prazo, especialmente no período pós-pandemia, revela resiliência e adaptação da economia de serviços no Brasil. O desempenho de 2024, embora com algumas oscilações no final do ano, destaca a importância do setor como motor de recuperação econômica e sua adaptação a novos padrões de consumo e demanda.

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