Por reeleição, Lula terá que repetir estratégia do passado
Presidente enfrenta baixa popularidade na véspera do ano eleitoral, assim como aconteceu em 2005
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Na véspera do ano eleitoral, a queda vertiginosa da popularidade do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) preocupa o petista e os interlocutores próximos ao chefe do Executivo. De fato, o desgaste da imagem do governo é perceptível entre os brasileiros e embasado em diversas pesquisas divulgadas ao público. Porém, o cenário desanimador para a cúpula do Planalto já foi enfrentado pelo presidente em 2005 e Lula dá sinais que irá trilhar o mesmo caminho de 20 anos atrás.
Na noite da última segunda-feira, 24, Lula tratou, durante pronunciamento em rede nacional na rádio e na TV, dos programas sociais Pé-de-Meia e Farmácia Popular. Anunciou o pagamento integral de R$ 1 mil para os estudantes aptos e inscritos no programa e relembrou que, recentemente, o governo anunciou a gratuidade de 100% dos 41 itens do Farmácia Popular.
O presidente falou diretamente com os brasileiros sobre alguns feitos de seu governo, exaltando programas sociais, em meio a baixa popularidade. A pesquisa divulgada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) na última terça-feira, 25, mostra que o percentual de brasileiros que avaliam negativamente o governo Lula cresceu de 31% para 44%. A última pesquisa Datafolha, divulgada no último dia 14, apontou que o nível de aprovação de Lula era de 24% – o menor de seus três mandatos.
A situação é desfavorável e se assemelha com a vivida pelo presidente em 2005. No fim daquele ano, também véspera de ano eleitoral, o petista enfrentava a maior crise causada pelo escândalo do mensalão. Lula, que iria se reeleger em 2006, se reinventou para recuperar a popularidade do governo que passou por um tremendo desgaste.
O presidente dá indícios que a estratégia para superar o cenário atual será a mesma que foi usada no desgaste causado pelo mensalão em 2005: exaltar e ampliar os programas sociais do governo. Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e Brasil sem Miséria são alguns exemplos dos programas que ajudaram a salvar a reputação do petista. “Depois de dois anos de reconstrução de um país que estava destruído, estamos trabalhando muito para trazer prosperidade para todo o Brasil, principalmente para quem mais precisa”, afirmou o presidente durante o pronunciamento.
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Os programas de cunho social sempre fizeram parte da agenda lulista, mas, agora, eles representam também a tentativa de sobrevida do governo Lula 3. O impacto das medidas tomadas pelo petista e seus ministros, obviamente, refletem na opinião pública a respeito da gestão e com a popularidade em baixa, cada passo terá de ser dado com muito cuidado.
Lula e os mais próximos do presidente tratam a reeleição com cautela. Com 79 anos, o presidente ainda deve avaliar, junto a lideranças políticas ligadas a ele, se disputará as eleições de 2026. O presidente já tratou do tema publicamente em mais de uma oportunidade e com versões diferentes. Em algumas declarações, Lula exala vigor físico em suas falas e diz que a idade não seria um problema. Em outras, trata a questão de sua saúde para mais um mandato com mais cautela.
Disputando a Presidência ou não, Lula irá participar da corrida eleitoral em 2026. Caso ele não saia como candidato, é improvável pensar que o PT não lance um sucessor atrelado a imagem do chefe do Executivo e que, claro, teria o aval do presidente. Mas, para fazer um sucessor com chances reais de vitória, ou conseguir ser reeleito para seu quarto mandato como presidente, Lula precisará recuperar a sua popularidade, assim como fez quando foi reeleito. (Especial para O Hoje)