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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025
Mandavê

Marcelo Borges relembra trajetória e critica qualidade do futebol goiano no podcast MandaVê

Ex-jogador fala sobre sua trajetória no futebol, critica a gestão dos clubes goianos e destaca a importância da imparcialidade nos comentários esportivos

Postado em 27 de fevereiro de 2025 por Luana Avelar
Para Borges, a falta de capacitação dos dirigentes compromete o crescimento do futebol goiano. Foto: O Hoje
Para Borges, a falta de capacitação dos dirigentes compromete o crescimento do futebol goiano. Foto: O Hoje

O comentarista esportivo Marcelo Borges foi o convidado da edição mais recente do podcast MandaVê, do jornal O Hoje, apresentada por Juan Allaesse e pelo jornalista Herbert Alencar. Durante a conversa, Borges relembrou sua trajetória como jogador profissional, refletiu sobre os desafios da carreira e criticou a atual qualidade do futebol goiano.

Marcelo Borges começou o episódio abordando sua personalidade forte. Segundo ele, sempre foi temperamental, mas nunca se envolveu com algo ilícito. “O que eu acho que está errado, eu questiono, sem temer ninguém”, afirmou. Ele ressaltou que, em todos os clubes onde trabalhou, deixou amigos e portas abertas para possíveis retornos.

Natural de Guapó, no interior de Goiás, Borges revelou que a ideia de seguir a carreira esportiva partiu de seu pai. “Ele era comerciante, e quando eu vim para Goiânia, com 14 anos, havia cerca de mil garotos tentando uma vaga no Goiás. Joguei o Campeonato Goiano e segui em frente”. No entanto, ele destacou que, apesar do grande número de talentos, poucos jogadores conseguiam se firmar no futebol profissional.

Ao longo da carreira, Borges defendeu diversos clubes, incluindo Goiás, Ponte Preta, Vila Nova e América-MG. Conquistou o acesso para a Série A do Campeonato Brasileiro em 1994 pelo Goiás e, em 2008, foi campeão da Segunda Divisão do Campeonato Goiano com o Santa Helena.

Desafios no futebol e passagem pela Ponte Preta

Em determinado momento da carreira, Borges cogitou abandonar o futebol. Depois de se decepcionar com algumas pessoas no Goiás, pensou em voltar para Guapó e desistir do esporte. No entanto, um conselho do pai fez com que reconsiderasse. “Ele disse para eu ir para a Ponte Preta e não desistir da carreira”, contou. A decisão trouxe novas oportunidades: “Foram coisas maravilhosas que aconteceram, e vejo que foi Deus mesmo. Saí de uma cidade pequena e fui eleito o melhor jogador da Série B”.

Borges permaneceu na Ponte Preta por um ano e um mês, mas recusou um convite para retornar mais tarde. “Nunca gosto de voltar, porque sei que não vou jogar como na primeira vez”. Mais tarde, quando retornou ao clube como comentarista esportivo, foi muito bem recebido.

Críticas ao futebol goiano

Durante o bate-papo, Borges analisou o futebol goiano e apontou uma queda de qualidade nos últimos anos. Para ele, o torcedor perdeu o encanto porque o nível técnico diminuiu. “A federação faz sua parte, mas falta capacitação dos dirigentes”, criticou. Entre os clubes do estado, destacou o Anápolis como um time competitivo, que mantém um padrão de jogo consistente dentro e fora de casa.

A seriedade do comentário esportivo

O ex-jogador também comentou sobre a importância da imparcialidade no jornalismo esportivo. Ele mencionou que assistiu a parte da transmissão do Campeonato Goiano deste ano e ficou incomodado com algumas posturas dos comentaristas. “Tinha muita piadinha sem graça e um desrespeito terrível. Tem que tomar cuidado com o que se fala, principalmente em jogos entre times rivais, como Goiás e Vila Nova, porque as torcidas são apaixonadas”.

Para ele, a profissão exige profissionalismo e seriedade. “O que determina um bom comentário é o respeito. Às vezes, um cara é ótimo no esporte, mas não tem a mesma qualidade ao comentar. Aqui em Goiás, vejo alguns ‘piadistas’ que não têm graça e falta profissionalismo”.

Borges destacou que, ao analisar uma partida, o comentarista não pode se deixar levar por preferências pessoais. “No seu íntimo, você pode torcer pelo seu time, mas na frente das câmeras, precisa ser imparcial e fazer os comentários certos”.
Além disso, alertou sobre o impacto das palavras no meio esportivo. “Comentar jogo é algo muito sério, porque mexe com a emoção das pessoas. Às vezes, um comentário mal colocado pode gerar brigas ou polêmicas desnecessárias”.

Para finalizar, Borges criticou a gestão do Goiás nos últimos anos. Segundo ele, o clube tem contratado gestores ineficientes, o que impacta diretamente no desempenho do time. “Se o profissional for bom e eficiente no que faz, ele supera qualquer obstáculo. Mas, infelizmente, o Goiás tem contratado cada um pior do que o outro”.

Reflexões sobre a carreira e o futuro

Ao longo do episódio, Borges demonstrou orgulho de sua trajetória no futebol e como comentarista esportivo. Para ele, o aprendizado e as experiências vividas moldaram sua forma de enxergar o esporte. “A história foi bem construída e ficou marcada na minha vida”.

Sua principal mensagem ao longo da conversa foi sobre a importância da seriedade na profissão. “Ser comentarista é uma responsabilidade enorme, porque estamos lidando com algo que gera paixão e envolvimento. O respeito deve estar acima de tudo”.

A entrevista com Marcelo Borges trouxe um panorama sobre os desafios da carreira esportiva e reflexões sobre o atual cenário do futebol goiano. A crítica à falta de qualidade nos clubes do estado e o alerta sobre o papel dos comentaristas esportivos reforçam a necessidade de um olhar mais profissional sobre o esporte.

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