sábado, 26 de setembro de 2026
Inovação

Goiás implementa identificação biométrica para recém-nascidos

Expectativa é que o sistema pioneiro no Brasil possa ser implantado em todas as maternidades do estado até outubro de 2025

Renata Ferrazpor em
Goiás
Foto: Divulgação/PCGO

Papais e mamães de Goiás podem respirar aliviados, sem medo ou preocupação se, na hora do parto, seu bebê será trocado ou até mesmo sequestrado por pessoas mal-intencionadas. Isso porque, na última terça-feira, 18 de março, o governador do estado de Goiás, Ronaldo Caiado, anunciou a implementação do Sistema de Identificação Neonatal por meio de identificação digital nas maternidades do estado.

A iniciativa, pioneira no Brasil, visa garantir a segurança dos recém-nascidos desde o momento do parto, prevenindo trocas, sequestros e outras irregularidades. O projeto foi desenvolvido pela Superintendência de Identificação Humana da Polícia Civil de Goiás (PCGO) e promete revolucionar a segurança infantil no estado.

Com o sistema, a Polícia Civil de Goiás, por meio da Superintendência de Identificação Humana, dá um passo inovador na proteção da infância, garantindo a identificação biométrica de recém-nascidos ainda na maternidade.

Com apoio da Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO), Goiás se torna o primeiro do Brasil a realizar a coleta biométrica da mãe e do bebê imediatamente na sala de parto, eliminando qualquer risco de erro ou troca e reforçando a segurança das famílias. 

O projeto foi apresentado à imprensa em coletiva nesta sexta-feira (21), e teve início no Hospital Estadual e Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, em Goiânia, onde foi realizada a primeira capacitação dos servidores nos dias 19 e 20 de março.

Essa etapa preparatória tem como objetivo testar os sistemas, capacitar as equipes e definir os procedimentos operacionais necessários antes da expansão do programa para outras maternidades estaduais.

No protocolo do Identificação Neonatal Goiás, a biometria é realizada em três etapas: uma coleta inicial na sala de parto, uma segunda coleta na alta hospitalar para confirmar a identidade do bebê e da mãe, garantindo que o vínculo permaneça intacto, e a vinculação dos dados no sistema de identificação civil para a emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN) do bebê.

A iniciativa também possibilita que os pais solicitem o documento ainda na maternidade, evitando deslocamentos futuros e tornando o acesso mais ágil e eficiente. Além disso, serão criadas Salas de Identificação Neonatal dentro das maternidades, oferecendo um ambiente lúdico e acolhedor para proporcionar um atendimento confortável às famílias.

O delegado-geral da PCGO, André Ganga, destacou que a iniciativa amplia a segurança das famílias “do momento do parto até a alta da maternidade”. “A Polícia Civil de Goiás está escrevendo um novo capítulo na identificação civil do Brasil, efetivando o cumprimento do princípio da proteção integral da criança”, declarou.

O superintendente de Identificação Humana de Goiás, Webert Leonardo, afirmou que o projeto visa criar um elo seguro entre mãe e filho, ressaltando que a pele dos recém-nascidos exige equipamentos específicos e delicados para a coleta biométrica. 

“Esse projeto vem sendo idealizado desde 2019 e será implementado gradualmente para garantir a máxima eficiência e segurança”, explicou. O secretário de Saúde do estado, Rasivel dos Reis, destacou a importância dessa iniciativa para a segurança dos bebês, afirmando que os enfermeiros capacitados serão responsáveis pela coleta das digitais.

Karine Silva, de 25 anos, que está grávida de três meses e ainda não sabe o sexo do seu bebê, viu a novidade com bons olhos. Sendo mãe de primeira viagem, ela declarou que a iniciativa a deixa mais segura. “Eu fico muito feliz, né? Imagina poder ter a segurança de que meu bebê não será trocado, como a gente já viu acontecer em Goiás”, afirmou.

Como incentivo à adesão das maternidades, o estado lançará o Selo Maternidade Segura, uma certificação que reconhecerá oficialmente as unidades de saúde que adotarem o programa, reafirmando o compromisso com a segurança e a cidadania dos recém-nascidos. A expectativa é que, até outubro, todas as maternidades da rede pública estadual já estejam operando com o sistema.

Troca de bebês em hospitais de Goiás reforça a importância do projeto 

A tecnologia surge como um avanço crucial para evitar casos como os registrados nos últimos anos envolvendo a troca de bebês em maternidades goianas. A inovação busca eliminar erros humanos que podem acarretar em transtornos irreparáveis para as famílias.

Casos recentes reforçam a necessidade desse sistema. Em Inhumas, região Metropolitana de Goiânia, duas famílias descobriram que tiveram seus bebês trocados no Hospital da Mulher no ano de 2021. A troca só foi identificada três anos depois, em 2024, quando um dos pais solicitou um exame de DNA por suspeitar da paternidade da criança. 

O teste confirmou que o bebê não era seu filho biológico, levando à descoberta do erro. A Polícia Civil investiga o caso, enquanto o hospital afirma estar colaborando com a apuração dos fatos.

Tudo começou quando Cláudio Alves solicitou um exame de DNA após se separar da esposa, Yasmin Kessia da Silva, de 22 anos. Ao receber o resultado de incompatibilidade genética, a mulher também quis refazer o teste, levando à constatação de que o bebê que criava não era biologicamente seu. 

A jovem então lembrou de outra família que estava no hospital no mesmo dia do parto e conseguiu contato com eles. Ao refazerem os exames, Isamara Cristina Mendanha, de 26 anos, e Guilherme Luiz de Souza, de 27, descobriram que o bebê que criavam também não era seu filho biológico.

Outro caso emblemático ocorreu no Hospital de Urgências de Trindade (Hutrin). Um casal descobriu que teve seu bebê trocado logo após o parto no ano de 2019, e a troca foi confirmada por exame de DNA após 18 dias. 

A suspeita começou porque o recém-nascido não apresentava semelhança física com os supostos pais. A mãe, que teve complicações no parto e não pôde ver o bebê imediatamente, recebeu a criança já trocada das mãos da equipe hospitalar.

O delegado responsável pelo caso, André Fernandes, afirmou que a troca ocorreu devido a um erro nas pulseiras de identificação dos bebês. A PC segue investigando para apontar os responsáveis pelo equívoco. Enquanto isso, as famílias enfrentam um turbilhão emocional ao tentarem recuperar seus filhos biológicos.

Leia mais: Inscrições para o Pé-de-Meia Licenciaturas vão até 30 de março com bolsas de R$ 1.050

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:
Goiás inovação PCGO Recém-nascidos Segurança Sistema Biométrico em bebês

Veja também

MPGO aponta falta de medicamentos e exames em unidades de Goiânia

Impasse na saúde da capital

MPGO aponta falta de medicamentos e exames em unidades de Goiânia

Problemas no abastecimento persistem mesmo após a prefeitura informar que adotava medidas para regu...
STF iguala licença-maternidade para mães biológicas e adotantes

clt

STF iguala licença-maternidade para mães biológicas e adotantes

Decisão garante 120 dias de afastamento remunerado, prorrogáveis por mais 60, sem distinção entr...
Centro de Goiânia recebe 4ª promessa de revitalização em dois anos

PREVISÃO DO TEMPO

Goiânia terá sábado (26) abafado, com máxima de 35°C e céu encoberto

Temperatura mínima será de 23°C, enquanto umidade do ar poderá cair para 30% no período mais qu...
Concurso para Auditor Fiscal em Rio Verde está com inscrições abertas

Concurso Público

Concurso para Auditor Fiscal em Rio Verde está com inscrições abertas

Remuneração do cargo parte de R$ 4.809 e pode chegar a R$ 16.831,50
Acidente entre caminhão e carro na GO-244 fere motorista e mata quatro bois em Porangatu

Porangatu

Acidente entre caminhão e carro deixa motorista ferido e quatro bois mortos na GO-244

Motorista do carro teve fraturas na face e nos membros inferiores; caminhão levava 35 bois na carro...
Foragido morre após confronto com policiais na divisa entre DF e Goiás

troca de tiros

Foragido morre após confronto com policiais na divisa entre DF e Goiás

Homem era monitorado por suspeita de transportar drogas entre Águas Lindas e o Distrito Federal e e...
Criminosos usam TikTok para divulgar venda de conteúdo de abuso sexual infantil

INVESTIGAÇÃO

Criminosos usam TikTok para divulgar venda de conteúdo de abuso sexual infantil

Investigação identificou mais de 30 perfis que direcionavam interessados ao Telegram, onde materia...
TCM impede redução de escalas na Saúde de Goiânia e cobra explicações sobre financiamento

Impasse na saúde da capital

TCM impede redução de escalas na Saúde de Goiânia e cobra explicações sobre financiamento

Prefeitura terá de manter plantões e serviços nos parâmetros de agosto enquanto apresenta ao Tri...