A compulsão alimentar está ligada a fatores biológicos, psicológicos e sociais
Reconhecer a compulsão alimentar o mais cedo possível é essencial para evitar complicações graves, como obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares

A compulsão alimentar é um transtorno alimentar bastante comum, caracterizado pela ingestão exagerada e descontrolada de alimentos em um curto espaço de tempo, mesmo sem estar com fome. Esse comportamento tende a se repetir e é sempre seguido por um sentimento de culpa, além da sensação de perda de controle sobre o ato de comer, prejudicando a qualidade de vida do indivíduo. Especialistas apontam que a origem desse transtorno é multifatorial, envolvendo aspectos biológicos, psicológicos e sociais.
Desequilíbrios emocionais têm um papel importante nesse quadro, já que a relação com os alimentos está diretamente ligada às emoções. A compulsão alimentar pode afetar a saúde física, mental e psicossocial da pessoa, levando ao surgimento de comorbidades, como depressão e ansiedade. Comer grandes quantidades de alimentos pode proporcionar um alívio temporário dessas emoções, mas acaba gerando um ciclo vicioso.
Dietas extremamente restritivas também são um gatilho para episódios de compulsão alimentar, já que a privação excessiva pode resultar em perda de controle. Além disso, a pressão social relacionada à imagem corporal e aos padrões de beleza tem aumentado o risco de comportamentos alimentares desordenados. Por fim, o ambiente em que se vive e a disponibilidade de alimentos ultraprocessados e hiper-palátáveis desempenham um papel relevante, pois esses alimentos estimulam o consumo excessivo, mesmo sem a presença da fome.
Para que se considere a compulsão alimentar, é necessário que os episódios de descontrole alimentar ocorram de forma frequente, várias vezes por semana ou até mesmo diariamente, causando um impacto significativo na saúde.
Dentre os sinais mais evidentes desse transtorno, estão o consumo de grandes quantidades de comida até alcançar um desconforto físico, a incapacidade de recusar qualquer oportunidade de comer, e a continuidade na ingestão de alimentos mesmo quando já se está satisfeito ou sem fome.
Além disso, muitos indivíduos preferem comer sozinhos, muitas vezes por vergonha, e se sentem emocionalmente mal após os episódios de compulsão. A falta de controle sobre a quantidade ou o tipo de comida consumida e a tendência a comer sempre que se encontra emocionalmente instável também são características comuns desse comportamento.
Reconhecer a compulsão alimentar o mais cedo possível é essencial para evitar complicações graves, como obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares, além de prevenir danos à saúde mental, como a baixa autoestima e o agravamento de outros transtornos psicológicos.
O primeiro passo para lidar com essa condição é procurar ajuda profissional, com o objetivo de recuperar o controle sobre os hábitos alimentares e melhorar a qualidade de vida. O tratamento é abordado de maneira multidisciplinar, envolvendo profissionais das áreas de saúde mental e nutrição.
O psicólogo, em particular, desempenha um papel crucial nesse processo, realizando psicoterapia e ajudando o paciente a desenvolver habilidades de regulação emocional, para que ele possa distinguir quando a fome é uma necessidade fisiológica real ou apenas uma forma de lidar com desconfortos emocionais.
Existem diversas abordagens que podem ser adotadas no tratamento da compulsão alimentar. A educação nutricional, por exemplo, é fundamental, pois o nutricionista pode ajudar o paciente a fazer escolhas alimentares equilibradas, sem recorrer a dietas restritivas. Além disso, a estruturação das refeições é importante, com a criação de uma rotina alimentar que inclua refeições e lanches planejados, evitando períodos longos de jejum.
A alimentação consciente é outra abordagem eficaz, focando na prática de comer com atenção, reconhecendo os sinais de fome e saciedade, além de abordar os aspectos emocionais que influenciam o ato de comer.
A terapia comportamental também é uma parte essencial do tratamento, com o objetivo de identificar e trabalhar os gatilhos emocionais que estão ligados aos hábitos alimentares. Em alguns casos, a suplementação com nutrientes, como triptofano, ômega-3 ou probióticos, pode ser considerada como uma estratégia complementar, visando um tratamento mais integrativo e abrangente.