quarta-feira, 21 de outubro de 2026
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Remédios terão aumento a partir de 1º de abril, menor reajuste em 7 anos

Crescimento previsto é de 3,8%, podendo atingir até 5,06%

Renata Ferrazpor em
Aumento
Foto: Agência Brasil

Mais uma vez, os brasileiros irão sentir o peso no bolso. O impacto virá dos medicamentos, que terão seus preços aumentados. O aumento será aplicado a partir do dia (1º) de abril, conforme determinação da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), órgão vinculado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O reajuste médio previsto é de 3,8%, podendo atingir até 5,06%, conforme a categoria do medicamento e a concorrência no mercado.

O reajuste de preço dos medicamentos ocorre anualmente e é regulamentado pela CMED. O cálculo leva em conta fatores como a inflação acumulada dos últimos 12 meses (de fevereiro de 2024 a fevereiro de 2025), a produtividade da indústria farmacêutica e os custos não captados pelo índice oficial de inflação.

O aumento será publicado no Diário Oficial da União (DOU) até o dia 31 de março e passa a valer oficialmente em 1º de abril. No entanto, a recomposição dos preços não é imediata. Algumas farmácias mantêm os valores antigos por alguns dias, postergando os reajustes para meados de abril. Além disso, o impacto do aumento pode ser diluído ao longo dos meses, já que a aplicação do reajuste pode ser feita progressivamente até março de 2026.

Os consumidores devem se preparar para um aumento progressivo nos preços dos medicamentos. Apesar do reajuste médio de 3,8%, alguns produtos podem sofrer variações expressivas, dependendo da concorrência no mercado. Medicamentos genéricos e similares tendem a ter aumentos menores, enquanto remédios patenteados ou com poucas alternativas disponíveis podem sofrer reajustes mais elevados.

De acordo com Lélio Souza, vice-presidente de Soluções para Prática Médica da Afya, “o reajuste incide sobre o Preço Máximo ao Consumidor (PMC), que determina o teto permitido para venda dos medicamentos. Entretanto, muitas farmácias vendem abaixo desse valor, o que gera diferenças de preços entre estabelecimentos”.

A plataforma “CliqueFarma”, que compara preços de medicamentos, apontou que alguns remédios tiveram reajustes significativos em 2024. O caso mais emblemático foi o do anticoagulante Rivaroxabana, que registrou um aumento de até 359% ao longo do ano.

Além disso, o aumento dos preços impacta diretamente pacientes com doenças crônicas, que dependem do uso contínuo de remédios. Muitos desses consumidores terão que ajustar seus orçamentos para acomodar os novos valores ou buscar alternativas, como a substituição por genéricos ou compras em programas de desconto oferecidos por laboratórios e farmácias.

O economista Ricardo Santos explica que o reajuste é definido entre o governo e a indústria farmacêutica, sem interferência direta das farmácias. “As farmácias apenas repassam esse reajuste, que é negociado pelo governo com os laboratórios”, afirma.

Ele também ressalta o impacto para os consumidores de baixa renda. “A população mais vulnerável, como aposentados e pessoas de menor poder aquisitivo, pode precisar reorganizar seu orçamento para continuar adquirindo medicamentos essenciais. O que, em muitos casos, não têm alternativas de utilizar os genéricos”, alerta.

Para minimizar no bolso, o especialista recomenda que os consumidores pesquisem preços em diferentes farmácias e aproveite descontos oferecidos por programas de fidelidade e pelo Programa Farmácia Popular. Além disso, antecipar a compra de medicamentos recorrentes antes da aplicação do reajuste pode garantir uma economia significativa.

Segundo a farmacêutica Kássia Soares, embora os medicamentos comprados a partir de 1º de abril já estejam sujeitos, o repasse nas farmácias pode ser gradual. “A compra a partir do dia 1º já vem com aumento, mas o sistema nacional de precificação demora um pouco para atualizar os valores. Isso significa que, inicialmente, os produtos que já estão em estoque podem permanecer com o preço antigo por alguns dias”, explica.

Ela também ressalta que os reajustes costumam ser mais perceptíveis em medicamentos encomendados após a implementação oficial do novo valor. “O impacto maior será sentido nos produtos que pedimos por encomenda, já que esses já virão com os preços atualizados diretamente da indústria”, acrescenta.

Menor reajuste dos últimos anos

Apesar da preocupação dos consumidores, o aumento de 3,8% será o menor reajuste registrado desde 2018, quando os preços subiram apenas 2,4%. Nos anos seguintes, os aumentos foram significativamente maiores, atingindo picos de 10,08% em 2021 e 10,89% em 2022.

A composição considera, além da inflação, o fator X (produtividade da indústria) e o fator Y (aumento de custos de produção). Em 2025, o fator Y foi zerado, enquanto o fator X ficou em 2,46%, reduzindo a pressão sobre os preços.

Desde 2003, a regulação do reajuste de preços dos medicamentos ocorre anualmente, sempre no dia 31 de março. Esse controle é visto como um mecanismo de proteção para evitar aumentos abusivos e garantir que os preços permaneçam acessíveis. A Anvisa destaca que a regulação tem sido eficaz para equilibrar os interesses da indústria farmacêutica e dos consumidores.

A regulação nos preços dos medicamentos é um fator essencial para garantir o acesso da população aos tratamentos necessários. No entanto, o impacto no orçamento das famílias é inegável.

Leia mais: 2 de abril: Dia Mundial da Conscientização do Autismo

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